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Mortes sob custódia nos EUA batem recorde e expõem crise humanitária

O início de 2026 revela um cenário de barbárie para a população migrante nos Estados Unidos. Em apenas dez dias, quatro pessoas perderam a vida enquanto estavam sob a custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) norte americano. 

No sábado (3), o cubano Geraldo Lunas Campos (55 anos) morreu no Camp East Montana (Texas), após ser colocado em isolamento.  Na segunda-feira (5), o hondurenho Luis Gustavo Nunez Caceres (42 anos) faleceu em um hospital de Houston com complicações cardíacas. No dia seguinte, na terça-feira (6), outro hondurenho, Luis Beltran Yanez-Cruz (68 anos) morreu na Califórnia, também por problemas cardíacos. E na sexta-feira (9), o cambojano, Parady La (46 anos) perdeu a vida na Filadélfia com sintomas graves de abstinência.

As mortes registradas neste breve período expõem falhas sistêmicas que vão da negligência médica ao uso abusivo do isolamento e são resultado de uma política que já vinha provocando vítimas desde o ano passado. 2025 encerrou com o trágico balanço de 32 mortes confirmadas, um número que supera o recorde anterior de 2004 e é quase quatro vezes maior que a média histórica.

Especialistas e organizações de direitos humanos, como a Detention Watch Network, alertam que o aumento da letalidade é o resultado direto do endurecimento político promovido pela administração de Donald Trump. O salto no número de detidos, que atingiu a marca de 69 mil pessoas neste mês, gerou uma superlotação extrema que compromete o atendimento básico de saúde. Além disso, a suspensão de liberações por razões humanitárias têm forçado idosos e pessoas com doenças crônicas a permanecerem em celas de isolamento, muitas vezes sem assistência especializada para condições cardíacas ou crises de saúde mental.

A ofensiva contra os imigrantes não se limita aos centros de detenção e tem transbordado em violência nas ruas. Na última quarta-feira (7), uma operação em Minneapolis resultou na morte de Renee Nicole Good, baleada por agentes federais. O fato desencadeou uma onda de protestos em diversas cidades americanas. Enquanto o trumpismo celebra o aumento do aparato repressivo e a meta de deportações desumanas e milionárias, movimentos sociais denunciam que a suposta eficiência política está sendo construída sobre uma pilha de corpos e graves violações dos direitos humanos fundamentais.

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