O Move Brasil oferece linhas de financiamento para motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores, mototaxistas e ciclistas profissionais renovarem seus veículos de trabalho. No segmento de quatro rodas, o programa prevê até R$ 30 bilhões em crédito para a compra de automóveis de até R$ 150 mil. Para motocicletas e bicicletas elétricas, o financiamento pode cobrir 100% do valor, sem entrada.
Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa reúne condições distintas para carros e veículos de duas rodas. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito por profissionais que dependem diariamente de automóveis, motocicletas e bicicletas para trabalhar.
As operações para carros começaram em 19 de junho. A linha destinada a entregadores, motociclistas e ciclistas entrou em funcionamento em 27 de julho, após a conclusão dos testes de integração dos sistemas oficiais.
Financiamento sem entrada para motos e bicicletas
Entregadores por aplicativo, mototaxistas e ciclistas profissionais podem financiar veículos novos de fabricação nacional. A lista inclui motocicletas e motonetas flex, motos elétricas e bicicletas elétricas enquadradas nas especificações estabelecidas pelo programa.
A modalidade permite financiar até 100% do valor do veículo, sem entrada, com prazo de 48 meses e carência de dois meses. Também está prevista a contratação de seguro prestamista. A concessão depende da análise de crédito feita pela instituição financeira.
Para Edson Junior, 24 anos, conhecido como “Juninho da CG”, que realiza entregas entre a Zona Norte e o centro do Recife, a retirada da entrada pode facilitar a substituição da motocicleta usada no trabalho.
“Minha moto atual já tá pedindo socorro e passo mais tempo na oficina do que rodando. Cada dia parado é dinheiro que não entra. O maior obstáculo para a gente da frota de duas rodas sempre foi a tal da entrada; juntar três ou quatro mil reais em dinheiro trocado é quase impossível. Saber que o programa financia 100% da moto flex sem exigir um tostão de sinal é o que vai me permitir pegar um veículo novo e trabalhar em paz, sem medo de quebrar na metade de uma entrega.”
Para participar, entregadores e motociclistas vinculados a plataformas precisam comprovar pelo menos seis meses de cadastro e a realização mínima de 100 corridas ou entregas. Os profissionais contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) devem ter ao menos seis meses de vínculo com a mesma empresa. Entre os requisitos informados pelo MDIC está a Carteira Nacional de Habilitação na categoria A.
Carros de até R$ 150 mil e juros reduzidos
A linha destinada a motoristas de aplicativo, taxistas e cooperados permite financiar carros de até R$ 150 mil. No caso dos veículos novos, são aceitos modelos flex, elétricos ou híbridos a etanol. Entre os seminovos, podem ser financiados veículos elétricos ou híbridos flex produzidos a partir de 2024.
O prazo chega a 72 meses, com carência de até seis meses para começar a pagar o principal. As taxas máximas definidas pelo Conselho Monetário Nacional são de 0,91% ao mês para mulheres e 0,99% ao mês para homens. O financiamento também pode incluir seguros e equipamentos adicionais de segurança, conforme as condições da instituição financeira.
Para trabalhadores que alugam o automóvel usado nas corridas, a possibilidade de financiar um veículo próprio altera a composição das despesas mensais. Cleiton Silva, 52 anos, motorista de aplicativo na Região Metropolitana do Recife, afirma que atualmente destina mais de R$ 2.400 por mês ao aluguel.
“Trabalhar com carro alugado em Recife é rodar metade do mês só para pagar a empresa. O aluguel me consome mais de R$ 2.400 todo mês e o carro nunca vai ser meu. Quando vi as regras cobrindo seminovos a partir de 2024, fiz as contas de cabeça e a parcela do financiamento vai ficar mais barata do que o valor que eu deixo na locadora hoje, só que agora estou investindo no meu próprio bem.”
Motoristas de aplicativo devem comprovar cadastro ativo há pelo menos 12 meses e a realização de, no mínimo, 100 corridas nesse período, na mesma plataforma. Taxistas precisam manter ativos os registros exigidos para o exercício da atividade.
Cadastro é feito pelo gov.br
O cadastro nas duas modalidades é realizado pela conta do trabalhador no portal do Move Brasil. Ao autorizar o tratamento dos dados, o profissional permite que o sistema consulte as informações necessárias para verificar se os critérios do programa foram cumpridos.
A resposta sobre a elegibilidade é enviada em até cinco dias úteis pela caixa postal do gov.br e por WhatsApp. A confirmação permite que o trabalhador procure uma instituição financeira participante, mas não garante a liberação do crédito. A contratação permanece sujeita à avaliação de risco feita pelo banco, que também pode solicitar documentos adicionais.
Caso os dados de corridas ou entregas estejam incorretos, o trabalhador deve pedir à plataforma um relatório detalhado das atividades e solicitar o reenvio das informações corrigidas ao governo federal. Cada modalidade limita o financiamento a um veículo por CPF.
O governo federal também alerta para tentativas de fraude. O cadastro é gratuito, não exige intermediários e deve ser feito exclusivamente pelo canal oficial do programa. As condições para carros e veículos de duas rodas podem ser consultadas separadamente.