
Por Lays Furtado
Da Página do MST
No próximo sábado, dia 16 de maio de 2025, movimentos populares marcarão um passo histórico na disputa tecnológica com o lançamento oficial da versão Beta da IARAA — Inteligência Artificial da Reforma Agrária e Agroecologia. O evento ocorrerá na Livraria Expressão Popular, em São Paulo, das 12h às 13h, e contará com falas políticas de João Pedro Stedile (MST) e Tica Moreno (MMM).
Diferente das IAs generalistas controladas por grandes corporações, a IARAA foi desenvolvida integralmente por movimentos populares como o MST, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e a Associação Internacional para Cooperação Popular (Baobab). A iniciativa busca enfrentar o avanço das big techs no campo e a dependência de ferramentas dos Estados Unidos com perspectiva política enviesada.
A IARAA funciona como uma plataforma de chat interativo que responde a perguntas sobre temas ligados à agroecologia. Seu grande diferencial reside na base de dados: a ferramenta não utiliza informações aleatórias da internet, mas sim uma base própria e validada coletivamente, composta por livros, artigos e documentos técnicos produzidos entre 1964 e 2026.
A plataforma oferece três modos de resposta adaptados às necessidades do usuário: a Semeadura, voltado para quem está diretamente no campo; Mutirão, focado em assistência técnica e trabalho em grupos; e Quintal Produtivo, direcionado para estudo e pesquisa acadêmica.
Soberania Tecnológica Popular

A ferramenta é orientada explicitamente pelos princípios agroecológicos, o objetivo central é democratizar o acesso ao conhecimento qualificado e fortalecer a organização popular nos territórios, garantindo que a tecnologia sirva como apoio ao trabalho produtivo da agricultura familiar camponesa.
Luiz Zarref, integrante do MST e coordenador da Associação Internacional para Cooperação Popular (Baobab), explica que a inteligência artificial foi inspirada na expertise de tecnologias já desenvolvidas na China. E que a ideia é convidar todas as organizações que trabalham com a agroecologia para se somar à essa base de conhecimento. Após os primeiros testes realizados no Brasil, a ferramenta também será utilizada em outros países do Sul Global, por meio da articulação internacional da Baobá:
“Assim como os tratores, os bioinsumos, as energias renováveis, nós estamos entendendo que ter um sistema de inteligência artificial que reúna o conhecimento acumulado pelos movimentos, pela academia e pelas instituições de pesquisa sobre agroecologia e consiga colocar eles à disposição das organizações, dos camponeses, das camponesas, dos técnicos, de forma simples, é uma contribuição muito importante para esse processo da massificação da agroecologia.” – explica Zarref.
Além da construção de uma base própria de dados, a produção da engenharia de prompt e fluxos algorítmicos foram feitas pelas organizações, que orientam os modelos de linguagem desenvolvidos a partir de uma perspectiva popular, o que os diferencia de outras IAs dominadas por grandes corporações.
“O desenvolvimento da IARAA tem uma contribuição fundamental que é colocar as organizações populares como sujeito do desenvolvimento tecnológico e como essa possibilidade de que a inteligência artificial, que é essa tecnologia que está transformando todos os setores da economia, da vida, da política, do trabalho, que isso possa estar a serviço dos povos.” – destaca Tica Moreno do Marcha Mundial das Mulheres (MMM).
SERVIÇO
Lançamento da versão Beta da IARAA — Inteligência Artificial da Reforma Agrária e Agroecologia
Data: Sábado, 16 de maio de 2025
Horário: 12h às 13h
Local: Livraria Expressão Popular — Alameda Nothmann, 806, São Paulo/SP
Entrada: Livre
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