
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, realizada pela Polícia Federal no sábado (22), desencadeou uma onda de manifestações celebratórias entre movimentos sociais, entidades do movimento negro e organizações estudantis. Nas redes e nas ruas, o episódio foi descrito como “grande dia”, “momento histórico” e a concretização de que “o chefe da tentativa de golpe está preso”.
Lideranças populares afirmaram que a decisão do Supremo Tribunal Federal representa um divisor de águas após anos de enfrentamento ao bolsonarismo, especialmente durante a pandemia e no período de mobilizações pela democracia.
UNE, MTST e CUT ecoam celebração: ‘A justiça chegou’

A União Nacional dos Estudantes (UNE) destacou o simbolismo do momento ao lembrar sua participação nas principais jornadas de resistência dos últimos anos — do #EleNão aos Tsunamis da Educação. “Bolsonaro na Papuda e o povo feliz de novo”, publicou a entidade. “Hoje foi dia de comemorar que a justiça chegou.”
Movimentos urbanos também celebraram. O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) classificou a prisão como “derrota para os fascistas” e afirmou esperar que seja “só o começo” da responsabilização do ex-presidente. Em tom de festa e mobilização solidária, as Cozinhas Solidárias anunciaram que seu tradicional festival dedicará parte da programação a marcar o momento.
A CUT e outras entidades de trabalhadores reforçaram o discurso de que a decisão simboliza o fortalecimento das instituições diante de ataques golpistas.
Movimento negro: memória, justiça e sobrevivência

Organizações do movimento negro, responsáveis por algumas das frentes mais contundentes de denúncia às políticas do governo Bolsonaro, também se manifestaram.
A Uneafro divulgou texto de Negro Belchior relembrando a atuação da Coalizão Negra por Direitos durante a pandemia: “Quando o país desabou, a gente ficou de pé. Viramos ar quando faltou ar, viramos denúncia quando tentaram esconder corpos, seguramos o fio da vida.”
O texto afirma que a prisão de Bolsonaro permite que o país “respire um pouco da justiça prometida há séculos”, mas alerta para a permanência do bolsonarismo nas redes e nas estruturas do Estado.
Ato presencial reúne mulheres negras e estudantes

Além das manifestações online, atos presenciais ocorreram em diferentes cidades.
Em Brasília, mulheres que participaram da Marcha das Mulheres Negras foram até a sede da Polícia Federal para comemorar a prisão do ex-presidente. “Aqui é o lugar de Bolsonaro. Que fique para sempre por tudo que fez”, disseram.
Milhares de estudantes ocuparam a Avenida Paulista em outro ato pela democracia. Faixas com mensagens como “O povo não compactua com golpistas” e “Democracia sempre” dominaram a paisagem. Para a UNE, a mobilização simboliza o fechamento de um ciclo iniciado em 2018 e reforça a continuidade da vigilância contra retrocessos.
‘Momento histórico’, dizem movimentos; ‘Seguimos’, conclui o movimento negro
Para movimentos sociais, a prisão marca um ponto de inflexão: demonstra que autoridades responsáveis por atentados à ordem democrática podem ser responsabilizadas.
Mas o recado final, especialmente vindo do movimento negro, reforça que a luta continua:
“Seguimos. Por memória. Por justiça. Por democracia. Por todas as vidas que lutamos para salvar — e pelas que ainda vamos defender.”
Tentativa de fuga, tornozeleira rompida e decisão do STF
A prisão preventiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, após indícios de que Bolsonaro teria tentado romper sua tornozeleira eletrônica durante a madrugada e possivelmente fugir com apoio de uma vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.
Moraes classificou a convocação como ação que poderia gerar tumulto e facilitar uma eventual fuga. Jair Messias Bolsonaro (PL) e os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, seus ex-ministros, iniciaram, nesta terça-feira (25), o cumprimento da pena por tentativa de golpe de Estado. É a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente e militares de alta patente pagarão por crimes contra a democracia.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal relacionada ao núcleo central da tentativa de golpe de Estado. A execução da pena deve avançar nas próximas semanas.
O post Movimentos sociais celebram prisão de Bolsonaro e falam em ‘momento histórico’ apareceu primeiro em Vermelho.