A edição 70 da revista Reconexão Periferias traz uma entrevista com Maria de Jesus dos Santos Lima, conhecida como Claudinha Lima, secretária Nacional de Nucleação do PT, na qual analisa o crescimento do partido nas últimas eleições para o parlamento, o que considera um avanço importante para toda a esquerda brasileira.
“O PT elegeu deputados e deputadas, tanto federais quanto estaduais, que representam a diversidade da sociedade brasileira e do partido, que é o maior do Brasil. Existe uma diversidade, temos deputados e deputadas que são líderes do movimento sindical rural, mas também líderes do movimento urbano, da periferia. O partido renovou muito a sua bancada, não apenas do ponto de vista de ampliação. A renovação geracional foi muito forte, aumentou a nossa bancada de juventude. E é ela que discute a periferia, que faz a disputa nas redes sociais e na vida real das pessoas”, afirmou.
No artigo Mulheres, periferias e o 8 de janeiro: quando a democracia enfraquece, quem perde?, Laura Moyano Malara afirma que a democracia de verdade não vive apenas nos livros de direito ou nas salas dos tribunais: ela acontece nas coisas simples do dia a dia. Defender a democracia é, no fundo, cuidar dos caminhos que garantem que esses direitos saiam do papel e façam sentido na vida real.
O artigo Participação social e conservadorismo: o caso do Conselho Municipal de Educação de Vitória, de Juliana Santo Rosa, pontua que a “maré conservadora” que vem tomando conta do território brasileiro nas últimas décadas está travando uma guerra silenciosa contra as instituições participativas. E analisa o caso do Conselho Municipal de Educação de Vitória (Comev), que integra uma série de mudanças promovidas pela gestão municipal que visam aproximar a gestão escolar de uma lógica empresarial.
Cultura, política e associativismo periférico: articulações possíveis é o tema do artigo de Danilo de Souza Moraes, no qual argumenta que um projeto político que pretenda de fato a transformação social pela via da construção democrática, com a efetivação de direitos, precisa se reencontrar com a estratégia da participação e que esta deve ser mais amplamente combinada às políticas culturais.
No perfil, o agrônomo Lucas Ribeiro Guari, integrante do Núcleo de Estudos Negros (NEN) desde 2022, lembra como sua trajetória foi determinada pelas ações do NEN. “Eu comecei a me entender na perspectiva étnico racial já na faculdade, e passei a fazer terapia para entender o que a universidade estava me trazendo de tensionamento para isso acontecer. E um dos grandes pontos foi um movimento de greve na universidade, onde houve uma força muito grande do movimento negro estudantil”.
“Fui criando essa relação que me permitiu entender a minha própria graduação e obviamente também me entender enquanto pessoa. Dentro da agronomia, ficava pensando na Lei 10.639 (que determina o ensino de história africana e indigena) e questionava: ninguém vai falar de agricultura indígena e quilombola? E também não tinha outros pares do meu lado para entender o meu desconforto. E no movimento estudantil negro que, em parte, era o NEN, naquela época, que eu entendi seu surgimento, muito antes disso.”
A seção de arte apresenta Isabella Gotardi Leite, que nasceu na capital paulista e vive no Jaraguá. O bairro onde vive é base para muito do que cria, como a natureza e tudo o que a rodeia. A artista é estudante de Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (FASM desde 2024. Suas referências são as obras de Cezanne e Sergiu Ciochina, onde observa de forma detalhada pinceladas, texturas e a relação da arte e natureza como principal fonte de criação e obsessão.