
A Unidade Popular (UP) intensifica sua mobilização nacional com o lançamento de pré-candidaturas estaduais, a maioria delas liderada por mulheres.
Chantal Campello (RJ) e Redação
PARTIDO – “Eu sou mulher, e vou lutar, linha de frente da Unidade Popular.” Essa tem sido a palavra de ordem entoada pela militância da UP em todo o Brasil, animada com a pré-candidatura de Samara Martins à Presidência da República.
Esse chamado à luta também tem se expressado nos diversos lançamentos das pré-candidaturas estaduais realizados pelo partido nas últimas semanas. Vale destacar que a maioria das pré-candidaturas majoritárias apresentadas são de mulheres, demonstrando, na prática, o compromisso da UP com a luta contra o machismo, o feminicídio e a construção de uma direção política liderada pelas trabalhadoras.
Entre os nomes já apresentados para os governos estaduais estão a nutricionista Priscila Voigt, no Rio Grande do Sul, a psicóloga Lais Chaud, em Santa Catarina, a educadora popular Juliete Pantoja, no Rio de Janeiro, a professora Camila Falcão, em Pernambuco, a defensora dos Direitos Humanos Vivian Mendes, em São Paulo, a coordenadora nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario, Indira Xavier, em Minas Gerais, a jornalista Lenilda Luna, em Alagoas, e a portuária e dirigente sindical Raquel Brício, no Pará.
Na Bahia, a UP apresentou o nome do professor Aroldo Félix como pré-candidato ao governo baiano, enquanto no Rio Grande do Norte foi o sindicalista Francisco Dias, servidor público do IFRN. Outros lançamentos estão programados para as próximas semanas.
Para Samara, esse processo representa um verdadeiro enfrentamento político. “É uma guerra eleitoral contra as elites e seus partidos. Guerra porque é um processo extremamente desigual, uma vez que eles recebem bilhões para fazer suas campanhas, enquanto nós recebemos apenas 0,01% do Fundo Eleitoral. Guerra porque o povo cansou de apenas ouvir e agora quer falar e tomar o que é seu por direito”, disse.
A adesão à pré-candidatura da UP tem crescido, impulsionada pelas propostas de aumento geral no salário mínimo, fim da escala 6×1, revogação das reformas da Previdência e Trabalhista, auditoria da Dívida Pública e que todos os políticos eleitos sejam obrigados a usar o SUS. “Quero ver se eles têm coragem de dizer que são contra”, desafia Samara.
Mulher, tome partido!
O espaço que as mulheres têm na UP não é uma formalidade. Ao contrário, contrasta com a realidade dos demais partidos brasileiros, marcados por uma profunda desigualdade de representação. Apesar de serem maioria na sociedade e sustentarem grande parte das famílias, as mulheres seguem ocupando os piores postos de trabalho, recebendo menores salários e quase não estão representadas nos espaços de poder.
De fato, nas eleições de 2022, apenas duas mulheres foram eleitas governadoras no país. Desde a redemocratização, em 1985, somente 7 dos 27 estados brasileiros elegeram mulheres para o governo. Essa desigualdade também se expressa no Legislativo. Nas últimas eleições, somente 91 mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados, de um total de 513 cadeiras, uma parte delas ligadas aos partidos do Centrão e da extrema-direita. Ou seja, mesmo sendo mulheres, atuam e votam contra os direitos das mulheres trabalhadoras.
Diante desse cenário, fica evidente que não basta reconhecer o papel das mulheres na sociedade; é necessário garantir que mulheres realmente comprometidas com a luta contra as injustiças sociais também ocupem os espaços de decisão.
“Para que mudanças reais ocorram no país é preciso que as mulheres da classe trabalhadora tome partido, se organizem e lutem por uma nova sociedade, lutem pelo socialismo”, convoca Samara.
Nos meses de maio e junho, o Diretório Nacional da UP está convocando toda a militância para ampliar a mobilização em torno das pré-candidaturas e promover uma grande campanha nacional de filiação ao partido nos bairros, fábricas, empresas e universidades, a fim de fortalecer a presença da UP na sociedade e construir um poderoso instrumento de luta para vencer essa guerra contra os ricos e seus políticos.
Matéria publicada na edição impressa nº 333 do jornal A Verdade