
O criminoso bloqueio econômico e energético a Cuba pelos Estados Unidos tem dobrado a mortalidade infantil na ilha. A grave situação foi denunciada na terça-feira (19) pela primeira vice-ministra da Saúde de Cuba, Tania Cruz, em discurso na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, Suíça.
Segundo ela, o sistema de saúde cubano tem sido fortemente impactado, com o aumento na dificuldade nos cuidados de crianças e idosos, principalmente. Conforme a ministra, a intensificação da escassez de recursos, em especial de combustível, que gera energia ao país, é um “genocídio e merece a condenação de todos os membros da OMS”.
O país socialista é reconhecido internacionalmente pela forma exemplar como oferece saúde para o seu povo, assim como envia médicos para todo o mundo para atuar em situações extremas ou onde outros profissionais não querem ir.
Por décadas, Cuba registrou as menores taxas de mortalidade infantil das Américas e uma das menores do mundo. Porém, a intensificação do bloqueio econômico somada ao corte total do envio de combustíveis por outros países tem feito com que este índice suba. De acordo com o Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), entre 2017 e 2025, o endurecimento das sanções à ilha havia feito a mortalidade infantil crescer 148%, afetando cerca de 1.800 nascimentos.
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Mas agora a situação é ainda pior. Em 2026, desde que os EUA sequestraram Nicolás Maduro e cortaram o envio de combustível venezuelano, Cuba passou a conviver com escassez energética.
Como explicou Cruz, a instabilidade do fornecimento de energia atinge todo o país, e com hospitais e clínicas não é diferente. Com isso, a mortalidade infantil dobrou ao alcançar 9,9 por 1.000 nascidos vivos, bem como a taxa de sobrevivência de crianças com câncer despencou de 85% para 65%.
Cerca de 16 mil pessoas que realizam radioterapia e 3 mil que fazem hemodiálise também são atingidas. Esses tratamentos dependem de segurança energética para terem continuidade e, assim, proporcionarem efeitos positivos aos pacientes.
Para completar o cenário caótico criado pela administração de Donald Trump, a fila por cirurgias disparou e já ultrapassa 100 mil pessoas, sendo 12 mil crianças.
Mesmo com a grave situação, Cruz mostrou o brio do povo cubano: “Dentre os desafios, o sistema nacional de saúde não entrou em colapso. Continuaremos nos reorganizando com base na resiliência e na otimização dos recursos. Cuba resistirá.”
A Assembleia Mundial da Saúde é o órgão supremo de decisão da OMS, que se reúne anualmente em maio e tem a função de determinar políticas da organização. Confira a seguir a fala completa da vice-ministra da Saúde:
EEUU ha impuesto un bloqueo de combustible total a Cuba, que se suma a un bloqueo económico ya recrudecido. Es una acción con grave impacto en nuestro sistema de salud.
Intervención de la viceministra primera de salud, Dra. Tania Margarita Cruz en Asamblea Mundial de la Salud pic.twitter.com/Lv53hDebPM — Cancillería de Cuba (@CubaMINREX) May 19, 2026
Ao final do discurso, Cruz ainda agradeceu aos povos amigos que enviaram ajuda (entre eles estão México, Uruguai, China e Rússia) e destacou que a ilha caribenha não se furta a enviar ajuda a outras nações, como aconteceu no surto de Ebola na África Ocidental em 2014.
Brasil e reconhecimento da OMS
A vice-ministra da Saúde de Cuba, Tania Cruz, esteve com o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, durante o evento. Em suas redes, ela postou que foi acordado o trabalho conjunto para alcançar maior integração entre entidades médicas do Sul Global e fortalecer a cooperação científica entre os países.

Durante a assembleia, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, entregou a Cuba um certificado que reconhece a manutenção da validação da eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV e da sífilis.
“Este é um reconhecimento à vontade de todo um país de salvaguardar a saúde de seu povo”, afirmou Cruz.

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