
A Ocupação Damaris Lucena acaba de surgir, na semana do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, para enfrentar a violência de gênero na Zona Leste de São Paulo. Trata-se da 27ª ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario em todo o país
Redação SP
No último dia 5 de março, nasceu na Zona Leste de São Paulo a Casa da Mulher Trabalhadora Damaris Lucena, a 27ª ocupação organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario.
Localizada no Itaim Paulista, uma das regiões da capital com maior índice de estupros no ano passado, a casa acolherá mulheres vítimas de violência e em situação de vulnerabilidade.
“Nós fizemos essa ocupação pela vida das mulheres, contra a violência, contra as enchentes criminosas de Ricardo Nunes e por memória, verdade e justiça. Reivindicamos mais serviços para as mulheres no Extremo Leste de São Paulo. Somos contra os governos fascistas de São Paulo e pela organização das mulheres trabalhadoras”, afirmou Nicole Ramos, coordenadora estadual do Movimento de Mulheres Olga Benario.
Descaso do Estado
Na região do Itaim Paulista, onde foi fundada a ocupação, foram registrados 249 casos de estupro em 2024, segundo estatísticas oficiais. Dessa cifra, 199 foram crimes contra menores de 13 anos de idade.
Apesar dos altos índices de violência, a Prefeitura e o Governo Estadual de São Paulo não oferecem qualquer serviço para acolher as vítimas. Em toda a região, não existe nenhuma delegacia da mulher 24 horas – e o único Centro de Defesa e Convivência da Mulher (CDCM) sofre com um processo de terceirização e precarização.
Esse cenário é reflexo da política fascista do prefeito Ricardo Nunes e do governador Tarcísio de Freitas, que atacam as mulheres e o povo paulista.
No ano passado, Tarcísio congelou 96% das verbas estaduais destinadas às políticas de combate à violência contra a mulher.
Por sua vez, Nunes fez pior. Além de reduzir em 38% os recursos municipais para programas de acolhimento de mulheres vítimas de violência, sua gestão tenta ilegalmente interromper o serviço de aborto legal em equipamentos como o Hospital Vila Nova Cachoeirinha. O prefeito da capital paulista também promove uma ofensiva de privatização e terceirização que precariza os serviços públicos de assistência social e saúde, essenciais para o combate à violência contra a mulher.
“Só a luta organizada das mulheres vai conseguir enfrentar o fascismo do Nunes e do Tarcísio e reverter essas privatizações de serviços públicos”, afirmou Beatriz Zeballos.
A revolucionária Damaris Lucena
Além de buscar ser um centro de organização da luta pelo fim da violência de gênero, a ocupação também homenageia com seu nome uma grande revolucionária da história brasileira.
Trabalhadora nascida no Maranhão, Damaris Lucena tornou-se líder sindical na Zona Leste de São Paulo e foi uma pioneira da organização das operárias pelo direito à amamentação de seus filhos nos locais de trabalho. Destacada lutadora da resistência à ditadura militar, ela foi torturada e viu seu companheiro ser morto por agentes da repressão, o que a levou a receber asilo político em Cuba. Damaris retornou ao Brasil com a Lei de Anistia.
Entre as demandas apresentadas pela nova ocupação em seu manifesto, estão a ampliação imediata da rede de atendimento à mulher em situação de violência na Zona Leste de São Paulo, o fim da privatização e terceirização dessas políticas e também a criação de um programa de habitação popular para vítimas de violência.
“Com a nova ocupação de mulheres, levamos adiante o legado de luta da operária Damaris Lucena no Extremo Leste de São Paulo”, concluiu Nicole Ramos.
Leia, a seguir, o manifesto da Casa da Mulher Trabalhadora Damaris Lucena.