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‘Ne Zha 2’ faz história e coloca a animação chinesa no topo do cinema mundial

O filme “Ne Zha 2 – O Renascer da Alma” alcançou a marca de US$ 2,216 bilhões em bilheteria global, tornando-se a animação mais lucrativa da história do cinema e a primeira produção fora de Hollywood a ultrapassar o bilhão. A conquista não é apenas um feito artístico: trata-se de um fenômeno cultural e político que reposiciona a China no cenário audiovisual mundial.

O sucesso reflete uma estratégia consciente de fortalecimento da indústria cinematográfica chinesa. Diferente do padrão hollywoodiano, onde grandes estúdios controlam a distribuição global, a produção de “Ne Zha 2” foi viabilizada por um ecossistema coletivo de criação. Mais de 4 mil animadores trabalharam no projeto, sob a direção de Yang Yu (Jiaozi), que definiu a obra como uma jornada que exigia não apenas técnica, mas também a fusão entre tradição e inovação.

O filme está em cartaz no Brasil, em dezenas de salas espalhadas por capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, em um lançamento que busca atrair tanto comunidades ligadas à cultura oriental quanto o público brasileiro em geral, cada vez mais curioso com as produções vindas da China.

Entre a mitologia e a modernidade

O personagem Ne Zha tem raízes na obra clássica “Fengshen Yanyi”, romance do século 14 que narra a criação dos deuses. No entanto, a releitura do herói vai além da fidelidade à lenda: o jovem Ne Zha enfrenta dilemas existenciais, numa narrativa que dialoga com a juventude chinesa contemporânea. Ao mesmo tempo em que carrega a herança da mitologia, o longa insere temas como a luta por identidade, a responsabilidade coletiva e o confronto com o destino.

Esse equilíbrio, entre tradição e inovação, é uma das chaves para o impacto do filme. A animação se tornou não apenas um espetáculo visual, mas também uma plataforma de afirmação cultural, despertando identificação entre milhões de jovens e reafirmando a força de valores coletivos em um mundo cada vez mais globalizado. Assista ao trailer.

Um projeto nacional e a força do Estado

O êxito de “Ne Zha 2” está diretamente ligado ao apoio estatal. A produção foi beneficiada por políticas de subsídios, isenções fiscais e incentivos diretos que garantiram sua realização em escala inédita. O diretor técnico Huang Gong descreveu a obra como uma verdadeira mobilização nacional: “Foi como participar das Olimpíadas; isso se tornou um projeto nacional”.

A união de estúdios concorrentes para elevar o padrão técnico revela o caráter coletivo que marcou a produção. Como destacou Gong, havia um sentimento de dever em “impulsionar a qualidade da animação chinesa”. Essa articulação demonstra que, para além do mercado, o filme foi concebido como instrumento de afirmação cultural e geopolítica, capaz de rivalizar com a hegemonia de Hollywood.

Os amigos Ao Bing e Ne Zha | Foto: Divulgação

Impacto global e virada histórica

O lançamento no Ano Novo Chinês, período de grande circulação nos cinemas, garantiu uma estreia arrasadora no país. O boca a boca rapidamente atravessou fronteiras, levando a obra ao topo das bilheteiras mundiais e colocando-a entre os cinco filmes mais vistos da história do cinema, já à frente de franquias como “Star Wars: O Despertar da Força” e se aproximando de “Titanic”.

Mais do que números, o fenômeno de “Ne Zha 2” simboliza uma virada histórica: a entrada da China na disputa cultural global com uma produção que alia qualidade técnica, narrativa universal e forte identidade nacional. O jornalista Xiao Fuqui sintetizou essa perspectiva ao afirmar: “O verdadeiro sucesso não está nas bilheteiras, mas em demonstrar que nossas histórias podem repercutir em diferentes culturas”.

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com agências

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