
Durante o discurso de abertura, nesta quarta-feira (28), no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a América Latina e o Caribe possuem ativos estratégicos que nenhuma outra região detém: as maiores reservas de biodiversidade e água doce do mundo, além de minerais críticos e terras raras essenciais para a nova economia digital e verde. “Cabe a nós assumir que a integração possível é calçada na pluralidade de opções, guiada pelo pragmatismo”, afirmou.
Ele defendeu que o bloco deve processar as próprias riquezas para reduzir a dependência. E produzir “não para exportar matéria-prima e a comprar transformada a peso de ouro, mas para gerar empregos e riqueza aqui”, disse.
O presidente exibiu os indicadores da economia brasileira alcançados desde 2023, com destaque para o crescimento acima da média global, o controle da inflação e o alcance do menor desemprego histórico do país. Processo que levou à saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU. “Em dois anos, a pobreza deu lugar à inclusão social de 17 milhões de pessoas”, enfatizou, relacionando a valorização do salário mínimo ao aumento da massa salarial recorde.
Segundo o presidente, a experiência brasileira comprova a máxima que tomou como mantra nos discursos: “Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza; pouco dinheiro na mão de muitos significa riqueza”.
Infraestrutura e a Rota de Integração
Para o chefe de Estado brasileiro, o fortalecimento do comércio passa pela construção de infraestrutura e de novas conexões no continente, como a Rota de Integração Sul-Americana, projeto que visa dobrar o comércio intrarregional por meio de rodovias e portos modernos.
O financiamento do projeto será garantido por instituições próprias do Sul Global, como o BNDES, a CAF e o Novo Banco de Desenvolvimento (o Banco dos Brics).
No campo comercial, Lula falou do avanço de acordos do Mercosul com a União Europeia, Singapura e a EFTA, além de negociações em curso com Índia, México, Emirados Árabes Unidos e o próprio Panamá. A relação bilateral com o país anfitrião foi destacada. O comércio entre os dois países saltou 78% em 2025, atingindo a cifra de US$ 1,6 bilhão. Ao defender a neutralidade do Canal do Panamá, o presidente lembrou que o Brasil consolidou-se como o 15º maior usuário da travessia, impulsionado principalmente pelo setor de energia e petróleo.
Lula também destacou o Brasil como líder mundial da economia verde, com 90% da matriz elétrica renovável e com planos na ordem de US$ 90 bilhões em projetos ecológicos já em curso. Reforçou que estabilidade política e inovação tecnológica devem servir, acima de tudo, para erradicar a fome, reduzir a desigualdade e a violência no continente, alertando que o progresso econômico é indissociável da justiça social e do combate à violência de gênero, especialmente os feminicídios.
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