
Em meio ao avanço da política de intervenção dos Estados Unidos sobre a América Latina, o presidente do Equador, Daniel Noboa, indicou que aceitaria a presença de militares norte-americanos em território equatoriano e voltou a defender o aprofundamento da “cooperação” com o governo de Donald Trump.
Em entrevista à emissora Univisión, no último domingo (8), o mandatário respondeu “sim, claro” ao ser questionado se permitiria maior presença militar norte-americana no país.
Noboa também confirmou que as Forças Armadas equatorianas realizaram bombardeios na província de Sucumbíos, na fronteira com a Colômbia, e responsabilizou o governo do presidente Gustavo Petro pelo avanço do narcotráfico — uma provocação direta a Bogotá em meio à crescente tensão entre os dois países.
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Durante a entrevista, o presidente equatoriano comparou cartéis e grupos armados da região a organizações estrangeiras como Hezbollah, Hamas e a Guarda Revolucionária do Irã, afirmando que “trabalham juntos” e defendendo que sejam combatidos da mesma forma — argumento usado por seu governo para justificar a ampliação da submissão a Washington.
Segundo Noboa, as Forças Armadas do Equador já realizam ataques contra estruturas ligadas ao narcotráfico e à mineração ilegal na região amazônica próxima à Colômbia.
Os ataques teriam como alvo principalmente grupos conhecidos como Comandos da Fronteira, formados por dissidências das antigas FARC que operariam entre o departamento colombiano de Putumayo e a província equatoriana de Sucumbíos.
Ao comentar a origem do narcotráfico que entra no país, Noboa responsabilizou diretamente o país vizinho. “A grande maioria da droga que entra no Equador vem da Colômbia. Mais de 70% vem da Colômbia”, afirmou.
Questionado pelo repórter sobre o fato de os Estados Unidos serem o maior consumidor de drogas do mundo, Noboa preferiu suavizar o tema.
Em vez de responsabilizar o mercado norte-americano pela dinâmica do narcotráfico, afirmou que Washington “faz um esforço para reduzir o consumo” e insistiu que o problema deve ser enfrentado “na origem”, isto é, na própria América Latina.
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