A Noruega lançou nesta sexta-feira (19/06) uma consulta pública sobre um projeto que prevê a proibição no país do comércio com assentamentos israelenses em terras palestinas.
A proposta sugere impedir a importação de bens produzidos por colonos que ocupam terras da Cisjordânia, que deveriam pertencer à população palestina, mas que foram tomadas com o apoio de forças militares israelenses.
Também seriam proibidas as compras de propriedades em assentamentos, serviços relacionados à sua construção ou venda e a aquisição de empresas ali sediadas.
Ademais, defende a proibição da exportação de produtos noruegueses para esses mesmos assentamentos.
Todas essas medidas, se implementadas, fariam a Noruega ser um dos poucos países a colocar em prática, em sua legislação, as ideias defendidas pelo movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que defende há anos que sejam aplicadas a Tel Aviv as mesmas políticas que foram usadas contra a África do Sul na época do Apartheid.
A consulta pública fará perguntas sobre cada um desses itens em separado e estará disponível até o dia 19 de setembro.
O resultado não será vinculante, mas será incorporado ao projeto, como forma de medir a adesão popular à proposta.
Apoio da chancelaria
A iniciativa da consulta é apoiada pelo Ministério de Relações Exteriores norueguês, que rompeu relações com Israel durante o genocídio realizado por Tel Aviv na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e outubro de 2025, no qual mais de 70 mil civis foram mortos – há estudos que estimam um número de mortos até quatro vezes maior.
Segundo o chanceler da Noruega, Espen Barth Eide, “os assentamentos israelenses na Cisjordânia são ilegais segundo o direito internacional e comprometem as perspectivas de uma solução de dois Estados”.
“A proposta visa proibir o comércio com quem atua de forma ilegal, não é uma ameaça a quem produz e comercializa respeitando as boas práticas e os direitos humanos”, acrescentou o diplomata.
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