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Novas pesquisas apontam Lula na liderança e queda de Flávio Bolsonaro

As pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias consolidaram o maior distanciamento entre Lula e Flávio Bolsonaro desde o início da aproximação registrada entre os dois nos cenários para a eleição presidencial de 2026.

A nova rodada do Datafolha mostrou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de nove pontos.

No segundo turno, o presidente aparece com 47% contra 43% do senador do PL. O levantamento foi divulgado após semanas de redução da distância entre os dois candidatos e em meio à repercussão dos áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Os números representam uma mudança importante na curva observada entre março e abril. Em março, Lula aparecia com 38% contra 32% de Flávio no primeiro turno. Em abril, o senador chegou a 35%, enquanto Lula manteve 39%. No segundo turno, os cenários passaram por empates técnicos sucessivos até a rodada mais recente, que recolocou o presidente em posição mais confortável na disputa.

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no mesmo período também apontou crescimento de Lula. No cenário de segundo turno, o presidente aparece com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. O levantamento registrou aumento da vantagem de Lula em comparação às pesquisas anteriores e reforçou a tendência de recuperação do presidente nas últimas semanas.

A melhora do desempenho eleitoral de Lula ocorre em meio à recuperação de indicadores econômicos e à intensificação da agenda pública do governo federal.

Dados recentes do IBGE apontaram crescimento da renda média do trabalho, manutenção do desemprego em patamar historicamente baixo e desaceleração da inflação em segmentos importantes do consumo popular. O governo também ampliou a divulgação de programas sociais, ações de crédito e investimentos públicos.

Entre as agendas mais exploradas pelo Palácio do Planalto estão o Desenrola 2, os anúncios do Novo PAC, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida, a retomada de obras em universidades e institutos federais e novos investimentos em saúde e educação. O governo também passou a concentrar parte da comunicação em medidas ligadas à renda, ao crédito e ao custo de vida.

A avaliação do governo Lula permaneceu estável na comparação com os levantamentos anteriores do Datafolha. O cenário é considerado relevante por aliados do presidente porque ocorre após meses de pressão sobre preços de alimentos e juros altos.

Economia, renda e programas sociais entram no debate eleitoral

Os levantamentos coincidem com um período de melhora em indicadores econômicos usados pelo governo como eixo de comunicação política. Dados recentes do IBGE mostraram queda da inflação acumulada em alimentos, crescimento da renda média do trabalho e manutenção do desemprego em patamar historicamente baixo. O governo também intensificou a divulgação de programas sociais e econômicos nas últimas semanas.

Entre as agendas reforçadas pelo Palácio do Planalto estão o Desenrola 2, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida, novos anúncios do PAC e programas ligados à educação técnica e à saúde pública. Pesquisa Datafolha mostrou que 68% dos brasileiros endividados afirmam acreditar que serão beneficiados pelo Desenrola 2, enquanto 77% avaliam que o programa terá impactos positivos para a economia. 

Lula intensifica agenda pública e amplia presença em entrevistas

A última semana do presidente também foi marcada por uma sequência de agendas políticas e entrevistas. Lula participou de encontros com empresários, anunciou novos investimentos federais e voltou a defender mudanças na jornada de trabalho e a ampliação de direitos trabalhistas.

O principal movimento ocorreu na participação inédita do presidente no programa Sem Censura, da Empresa Brasil de Comunicação. Foi a primeira vez que um presidente da República participou da atração da TV pública federal. A entrevista teve forte repercussão nas redes sociais e no YouTube, onde o programa ultrapassou milhões de visualizações somadas entre cortes, transmissões e repercussões nas horas seguintes à exibição.

Durante a entrevista, Lula voltou a defender o debate sobre o fim da escala 6×1 e afirmou que “o trabalhador precisa voltar a ter tempo para viver”. Também falou sobre inflação dos alimentos, juros, programas sociais, educação e combate à desigualdade. O presidente afirmou ainda que o governo pretende ampliar investimentos públicos no segundo semestre.

A participação no programa foi tratada no Planalto como parte da estratégia de comunicação direta adotada pelo governo em 2026, com maior presença do presidente em entrevistas, redes sociais e programas de televisão.

Congresso na berlinda

Os levantamentos divulgados pelo Datafolha também registraram desgaste de outras instituições. A avaliação negativa do Congresso Nacional cresceu nos últimos meses e atingiu um dos piores índices da série recente do instituto. 

Outra pesquisa apontou que saúde e segurança pública seguem como os temas de maior preocupação da população entre as áreas de responsabilidade federal. A segurança apareceu com 19% e saúde com 21% das respostas. 

O tema tem sido tratado pelo governo como prioridade para o segundo semestre. Nas últimas semanas, Lula sancionou projetos ligados ao endurecimento de penas para crimes patrimoniais e voltou a defender integração entre União e estados no combate ao crime organizado.

Apesar da aparente polarização, os levantamentos mais recentes, porém, mostram mudança na tendência observada entre março e abril, quando Flávio Bolsonaro havia reduzido a distância e alcançado empates técnicos com o presidente. A nova rodada recoloca Lula à frente nos principais cenários eleitorais para 2026.