
Atos pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho ocuparam shoppings e locais de trabalho em mais de 60 cidades de todo o país nesta quarta-feira (23/4).
Felipe Annunziata e Guilherme Arruda
*MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO*
Nesta quarta-feira (23/4), trabalhadores e militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) foram às ruas em dezenas de cidades para denunciar a escala 6×1 e defender a redução da jornada de trabalho no país. Os atos contaram com forte adesão de movimentos sociais e também dos funcionários de shoppings e outros locais onde ocorreram as manifestações.
Na região metropolitana de São Paulo, centenas de trabalhadores ocuparam cinco shoppings, entre eles o Shopping Metrô Tatuapé, na capital, e o Osasco Plaza Shopping. Jograis, palavras de ordem, panfletagens e brigadas do jornal A Verdade denunciaram a exploração a que estão submetidos milhões de pessoas no nosso país, que hoje trabalham na escala 6×1 e 44 horas semanais, sem contar as horas extra.
“A escala 6×1 é muito cansativa, eu também trabalho em shopping e a gente só trabalha. Eu acho que essa manifestação aqui é o começo de tudo, se a gente não se juntar nada muda”, denunciou uma trabalhadora ouvida em Campinas (SP).
No mesmo tom, Mariana, ouvida pela reportagem no Shopping Metrô Tatuapé, afirmou: “Eu trabalhei cinco anos em shopping, é uma escravidão. Do que adianta ter convênio médico no contrato, se a gente não consegue nem tirar um momento pra usar? A gente tem que fazer de tudo pra acabar com essa escala maldita o mais rápido possível.”
O roteiro se repetiu em outras capitais do país, além de cidades do interior. É o caso do estado do Rio de Janeiro, onde pelo menos três cidades tiveram shoppings ocupados. Atos ocorreram no Shopping Nova América, na capital, no Shopping Caxias, na região metropolitana e, no Shopping Tal, em Cabo Frio.
A denúncia das péssimas condições de trabalho esteve sempre presente: “É bem complicado, ainda mais pra quem tem filho e pra quem estuda. Um dia só não dá pra fazer nada, e ainda tem a questão dos lugares que não pagam feriado. Os horários também são muito cansativos, eu saio 23h30”, afirmou Ingrid, trabalhadora do Caxias Shopping, ao jornal A Verdade.
Além disso, houve manifestações por toda a região Nordeste, mais notadamente em Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE) e mais de uma dezena de outros municípios.
No Sul, os três estados contaram com manifestações. Uma das mais expressivas foi em Porto Alegre, onde mais de uma centena de pessoas se reuniram em um Shopping. Em Florianópolis e Curitiba também ocorreram manifestações semelhantes.
No Centro-Oeste, as capitais também foram palco de grandes atos. Em Brasília (DF), Os trabalhadores que se somaram à mobilização fizeram denúncias sobre como a escala 6×1 e as longas jornadas de trabalho prejudicam a saúde e a vida de milhões de homens e mulheres no país. Com truculência, seguranças do shopping Conjunto Nacional tentaram impedir a manifestação de continuar – no entanto, o ato pacífico continuou, recebendo o apoio de trabalhadores e clientes do espaço.
Mobilização reforça luta contra escala 6×1
A mobilização de hoje, convocada por trabalhadores e pela Unidade Popular, reforça a luta nacional contra a exploração imposta pelos patrões na forma da escala 6×1. Hoje, a grande maioria dos trabalhadores contratados via CLT são submetidos a esse modelo de exploração, onde seis dias de trabalho são seguidos de apenas uma jornada de descanso.
Durante os atos, trabalhadores dos shoppings levaram espontaneamente ao jornal A Verdade depoimentos e denúncias de folgas cortadas por seu chefes, o desenvolvimento de problemas de saúde mental e física, horas não pagas, e muitas outros problemas. Há muitos casos em que são obrigadas a trabalhar 15 ou 20 dias sem folga em troca de apenas uma ou duas folgas por mês. Nesses locais, a situação se agrava durante o feriados prolongados e datas comemorativas como a a Páscoa.
Além da falta de folgas, os trabalhadores da escala 6×1 são submetidos a uma realidade cruel no transporte público. Muitos gastam duas ou até mais horas por dia durante o deslocamento de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Esse cenário, agravado pela privatização dos transportes públicos e os sucessivos aumento de passagem nos ônibus e trens, torna ainda mais difícil a vida desses trabalhadores.
Por isso, a jornada de lutas convocada pela UP evidencia a necessidade do conjunto da classe trabalhadora unir-se em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais.
O partido também vem defendendo, assim como o mais recente editorial do jornal A Verdade, a necessidade de conquistar o aumento de 100% do salário mínimo e a redução do preço dos alimentos, contra a ganância dos supermercados e da indústria alimentícia.
Somente com o avanço dessas pautas é possível dar início às transformações estruturais do país e a melhoria significativa da qualidade de vida do conjunto do povo brasileiro — um chamado que foi reforçado pela UP nesta quarta-feira.