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O Mago da Recusa e da Recomposição

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O pragmatismo das urnas entrega uma contabilidade amarga.

A macroeconomia do possível sepulta o desenvolvimento.

Olhar para o próximo mandato e vislumbrar sombras de Juscelino Kubitschek é um equívoco.

O relógio badala outra hora histórica.

O país está fraturado, capturado pelo rentismo, pela reprimarização e pela expansão de atividades que pouco acrescentam à capacidade produtiva.

Ainda assim, a lucidez não pode se converter em resignação.

O contraponto ao arranjo atual não é uma alternativa progressista mais ousada, mas a barbárie da extrema-direita.

Diante de um projeto de desmonte do Estado, corrosão das políticas sociais e autoritarismo fiscal, o governo Lula 4 surge mais uma vez como uma barreira de contenção necessária.

É precisamente aí que reaparece o velho nó da formação brasileira.

Esta é a nossa salvação e a nossa tragédia.

No Brasil, ambas ocupam o mesmo leito.

A salvação é trágica porque se esgota na sobrevivência.

Celebramos o freio que impede o abismo, mas o preço é a paralisação das transformações estruturais de que o país tanto necessita.

Aceitamos a conciliação com o atraso.

Com o Centrão.

Com o agronegócio hegemônico.

Porque a alternativa é pior.

É nesse terreno que opera o Mago da Recusa e da Recomposição.

Sua alquimia não cura a fratura.

Apenas a administra.

Evita-se o espelho porque ele é desconfortável.

Olhar-se de frente significaria encarar contradições que nenhum pacto consegue resolver.

Ganhamos o direito de respirar.

O abismo será adiado.

Outra carta será enviada.

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