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ONU denuncia mortes de crianças em Cuba sob bloqueio dos EUA

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou nesta semana que crianças estão morrendo em Cuba devido à escassez de medicamentos e equipamentos médicos provocada pelo endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra a ilha.

Em comunicado divulgado no domingo (8), Türk afirmou que as sanções norte-americanas vêm produzindo “danos generalizados” à população cubana e exigiu a suspensão imediata das medidas adotadas por Washington.

“Crianças estão morrendo porque médicos não têm acesso a suprimentos médicos e medicamentos essenciais. Isso é inaceitável”, declarou o chefe de Direitos Humanos da ONU.

Segundo o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a situação social e sanitária em Cuba sofreu rápida deterioração desde janeiro, quando os Estados Unidos ampliaram restrições financeiras, comerciais e energéticas contra o país.

As medidas passaram a atingir empresas de transporte marítimo, seguradoras, bancos e fornecedores internacionais, afetando o abastecimento de combustível, alimentos, água e insumos hospitalares.

Dados divulgados pela ONU apontam que a mortalidade infantil dobrou em Cuba, chegando a 9,9 mortes por mil nascimentos. A taxa de sobrevivência de crianças com câncer caiu de 85% para 65%, enquanto apenas cerca de 30% dos medicamentos essenciais permanecem disponíveis no sistema público de saúde.

Os apagões diários, que em algumas regiões já superam 20 horas, também afetam diretamente hospitais e tratamentos médicos.

Nesta quarta-feira (10), a vice-ministra da Saúde de Cuba, Carilda Peña García, afirmou que quase 100 mil pessoas aguardam procedimentos cirúrgicos no país.

Entre elas, 5.152 pacientes necessitam de cirurgias oncológicas e 2.888 pessoas em hemodiálise enfrentam dificuldades devido às falhas no fornecimento de água e eletricidade.

Segundo Peña García, o bloqueio compromete a infraestrutura hospitalar, o transporte de profissionais de saúde e o funcionamento de lavanderias, elevadores e serviços básicos das unidades médicas.

“A política do setor é tratar de manter os serviços até onde seja possível e fazer o uso ótimo dos recursos existentes”, afirmou a dirigente cubana, ressaltando o esforço do sistema público para evitar o fechamento de hospitais.

A ONU também alertou para o agravamento das condições sanitárias na ilha em meio à escassez de combustível, que compromete a coleta de lixo e favorece a proliferação de doenças.

Para Volker Türk, as sanções aplicadas pelos Estados Unidos possuem efeitos “amplos, indiscriminados e severos” sobre a população civil e violam princípios fundamentais do direito internacional dos direitos humanos.

O governo cubano afirma que o bloqueio norte-americano constitui uma política deliberada de asfixia econômica e responsabiliza Washington pelo agravamento da crise humanitária enfrentada pelo país.

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