
O vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Políticos Khaled Khiari, alertou nesta terça-feira (28), em reunião do Conselho de Segurança, que o cessar-fogo na Palestina está “cada vez mais frágil”, diante da continuidade dos ataques israelenses e do agravamento das condições humanitárias no território.
Segundo o representante das Nações Unidas, centenas de palestinos foram mortos em Gaza e na Cisjordânia desde o início da trégua, enquanto cerca de 1,8 milhão de pessoas permanecem deslocadas.
“Em Gaza, o cessar-fogo está cada vez mais frágil, à medida que ataques israelenses e atividades armadas do Hamas e de outros grupos continuam”, alertou Khiari.
Apesar da falsa equivalência entre a agressão sionista e a resistência palestina, Khiari, em sua fala em Nova York, deu centralidade ao impacto dos ataques israelenses sobre a população civil, destacando o número de mortos e o agravamento das condições de vida no território.
“Os civis continuam a suportar o peso da violência em curso. De acordo com o Ministério da Saúde em Gaza, desde o início do cessar-fogo, aproximadamente 800 palestinos, incluindo mais de 200 crianças, e sete trabalhadores humanitários foram mortos como resultado de ataques aéreos, bombardeios e tiros israelenses”, afirmou.
“As tensões e hostilidades que abalaram o Oriente Médio nas últimas semanas desviaram a atenção da situação no Território Palestino Ocupado. Fora dos holofotes, a situação em Gaza e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, está se deteriorando constantemente”, alertou o representante.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, desde o início do cessar-fogo, aproximadamente 800 palestinos, incluindo mais de 200 crianças e sete trabalhadores humanitários, foram mortos em ataques israelenses.
De forma cínica, as Forças de Defesa de Israel declararam que seus ataques tiveram como alvo militantes e instalações do Hamas.
Khiari disse que apesar de múltiplos esforços diplomáticos, as negociações sobre o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados não resultaram, até o momento, em qualquer acordo.
De acordo com dados mais recentes, cerca de 1,8 milhão de pessoas, quase toda a população de Gaza, estão deslocadas e vivendo em acampamentos, dependendo de ajuda em meio ao fogo cruzado, infraestrutura devastada e riscos crescentes à saúde.
A diretora do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para o Mediterrâneo Oriental, Hanan Balkhy, afirmou estar “profundamente preocupada” com o que os profissionais de saúde e humanitários estão relatando nos locais de deslocamento em Gaza.
Uma avaliação rápida realizada em mais de 1,6 mil locais constatou que 80% apresentam presença frequente e visível de roedores e pragas, afetando 1,45 milhão de pessoas.
Mais de 80% relataram infecções cutâneas, incluindo sarna, piolhos e percevejos, com mais de 70 mil casos registrados este ano.
Israel mantém ataques em Gaza e amplia ofensiva no sul do Líbano
Novos ataques israelenses registrados nas últimas horas reforçam o alerta da ONU sobre a fragilidade do cessar-fogo em Gaza.
Nesta quarta-feira (29), um palestino foi morto e outros dois ficaram feridos após bombardeios com drones e disparos de forças israelenses em diferentes áreas do território, incluindo Cidade de Gaza, Beit Lahia e Khan Younis.
Testemunhas também relataram a destruição de casas e edifícios residenciais, atingidos por artilharia e ataques aéreos, mesmo com a trégua em vigor desde outubro de 2025.
A escalada também se estende para além de Gaza. No sul do Líbano, ataques israelenses continuam sendo registrados mesmo após o anúncio de cessar-fogo em 16 de abril.
Na noite de terça-feira (28), um bombardeio aéreo destruiu uma residência na região de Nabatieh e matou cinco membros de uma mesma família, incluindo duas crianças. O episódio foi classificado pelo primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, como um “crime hediondo” e uma violação flagrante do direito internacional.
Autoridades libanesas denunciam que Israel tem mantido ataques quase diários, com uso de drones, artilharia pesada e bombardeios aéreos contra vilarejos do sul do país.
Desde o início da escalada, em 2 de março, mais de 2,5 mil pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas, enquanto comunidades inteiras vêm sendo deslocadas e infraestrutura civil — incluindo escolas e centros de ensino — tem sido destruída.
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