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Onze governadores renunciam para concorrer às eleições

A desincompatibilização eleitoral é um passo imprescindível para que chefes executivos deixem seus postos para concorrer a outros cargos eletivos. Em respeito ao calendário de 2026, o último sábado (4) marcou a data limite para quem pretende disputar novas posições em outubro. A data corresponde a seis meses antes do 1º turno das eleições, que neste ano é em 4 de outubro.

Ao todo, 11 governadores deixaram os cargos. De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a desincompatibilização eleitoral é prevista pela Constituição e tem como intenção evitar que os pré-candidatos utilizem a estrutura do cargo público para ter vantagem na disputa.

Ronaldo Caiado (PSD-GO) renunciou ao governo de Goiás e se lançou pré-candidato à presidência. Assumiu o comando do estado o vice-governador Daniel Vilela (MDB-GO).

O mesmo caminho pretende Romeu Zema (Novo-MG), de Minas Gerais, mas ainda sem lançar oficialmente a pré-candidatura. É possível que ele componha alguma outra chapa como vice na disputa presidencial. No seu lugar assumiu Mateus Simões (PSD), antes vice-governador.

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Outros oito governadores devem disputar vagas no Senado. Neste ano, são duas vagas em disputa por estado. Os governadores e quem ficou nos seus lugares são:

  • Acre: Gladson Cameli (PP-AC) deixou o governo; assumiu a vice-governadora Mailza Assis (PP-AC);
  • Amazonas: Wilson Lima (União-AM) deixou o governo; assumiu interinamente o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) Roberto Cidade (União-AM), em decorrência da renúncia também do vice-governador Tadeu de Souza (PP-AM). Cidade deve convocar uma eleição indireta na Aleam para efetivar o governador que cumprirá o restante do mandato;
  • Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB-DF) deixou o governo; assumiu a vice-governadora Celina Leão (PP-DF);
  • Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB-ES) deixou o governo; assumiu o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB-ES);
  • Mato Grosso: Mauro Mendes (União-MT) deixou o governo; assumiu o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos-MT);
  • Pará: Helder Barbalho (MDB-PA) deixou o governo; assumiu a vice-governadora Hana Ghassan (MDB-PA);
  • Paraíba: João Azevêdo (PSB-PB) deixou o governo; assumiu o vice-governador Lucas Ribeiro (PP-PB);
  • Roraima: Antonio Denarium (Republicanos-RR) deixou o governo; assumiu o vice-governador Edilson Damião (União-RR).

Ainda há o caso do governo do Rio de Janeiro. Cláudio Castro (PL-RJ) se afastou do cargo com a intenção de se tornar candidato ao Senado, mas sobretudo para se antecipar a uma condenação pelo TSE na tentativa de esvaziar o julgamento. A manobra não teve o resultado esperado e Castro foi condenado, o que o coloca inelegível até 2030. Caso ainda estivesse no posto de governador, perderia o mandato. A situação eleitoral dele ainda gera dúvidas, pois ainda cabe recurso.

Isso o fará disputar a eleição “sub judice“. Nessa situação, caso vença a disputa ao Senado e reverta a condenação, poderá assumir o novo mandato.

Sem contar o cenário pessoal do ex-governador, a sua renúncia colocou o estado em um limbo na escolha do governo-tampão. O ex-vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo ao assumir uma vaga no TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro).

Como o estado está com um presidente interino na Assembleia Legislativa (Alerj) por conta da prisão do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), uma nova eleição deverá ser realizada. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda decidirá se a eleição será direta (pela população) ou indireta (pelos deputados estaduais).

Candidatos à reeleição

Os governadores e governadoras que pretendem concorrer a um segundo mandato não precisam se desincompatibilizar. Fazem parte desse grupo os mandatários dos seguintes estados:

  • Amapá: Clécio Luís (União-AP);
  • Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT-BA);
  • Ceará: Elmano de Freitas (PT-CE);
  • Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP-MS);
  • Pernambuco: Raquel Lyra (PSD-PE);
  • Piauí: Rafael Fonteles (PT-PI);
  • Santa Catarina: Jorginho Mello (PL-SC);
  • São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP);
  • Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD-SE).

Sem se afastarem dos cargos, estes governadores devem concorrer à reeleição. É importante observar que não podem optar por disputar outro posto caso articulações políticas os levem a ceder a vaga para que outro candidato concorra em seu lugar.

Permanecem no governo

Entre os 27 governadores, ainda existem aqueles que não podem concorrer à reeleição e que a tendência natural seria o afastamento para uma candidatura ao Senado (ou presidência). No entanto, não deixaram o cargo para permanecer à frente de seus estados por motivos diferentes.

Muitos deles estão envolvidos em disputas locais e evitaram ceder o posto do governo para os vices, pensando na sucessão do governo. Nesse caso se enquadram Carlos Brandão (Sem partido-Maranhão); Marcos Rocha (PSD-Rondônia) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-Tocantins).

Ainda há o caso da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT-RN), que permaneceu no cargo a pedido do presidente Lula para reforçar o palanque do ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT-RN).

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Em uma linha semelhante, o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB-AL), permaneceu com a finalidade de reforçar a sequência de seu grupo político no estado.

Além deles, Ratinho Junior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS) também vão até o fim. Antes, cotejados para a chapa presidencial, ambos ficaram de fora.

O governador do Paraná era o favorito à vaga que ficou com Caiado, porém, por motivos até agora não explicitados, resolveu retirar seu nome da disputa. Já Leite foi efetivamente preterido e preferiu levar o mandato até o fim.

Prefeitos

Nas eleições de 2026, os eleitores votam para deputado federal, deputado estadual, senador (1ª opção), senador (2ª opção), governador e vice-governador, presidente e vice-presidente da República.

Apesar de não envolver cargos municipais, os prefeitos que querem concorrer a outros cargos também tiveram que se desincompatibilizar para disputar este ano. E não só eles, ministros de Estado, secretários e outros gestores públicos também.

Dos 26 prefeitos de capitais no Brasil, 10 se afastaram para o pleito de outubro. O prefeito do Rio de Janeiro (RJ), Eduardo Paes (PSD-RJ), deixou o cargo para a disputa do governo do estado.

O mesmo acontece em Pernambuco com o prefeito de Recife, João Campos (PSB-PE); no Espírito Santo com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES); no Maranhão com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD-MA); na Paraíba com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB-PB); no Amazonas com o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM); no Acre com o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB-AC); e em Alagoas com o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSDB).

No Amapá, o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD-AP), estava afastado do cargo pelo STF devido às investigações de fraude em licitações de saúde. Ele havia sido afastado do cargo por 60 dias em 4 de março. No dia seguinte renunciou ao cargo com vistas à legislação eleitoral, pois pretende concorrer ao governo.

Por sua vez, o prefeito de Boa Vista (RR), Arthur Henrique (PL), deixou o posto sem indicação oficial de qual cargo irá disputar, ainda que tudo indique que será candidato ao governo de Roraima.

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