
Um agente do ICE, a polícia de imigração do governo Donald Trump, matou a tiros uma mulher de 37 anos em Minneapolis nesta quarta-feira (7), durante uma operação federal marcada por abordagens agressivas e denúncias de abuso de poder.
Segundo testemunhas e um registro em vídeo, a mulher dirigia seu próprio veículo quando foi cercada por agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro dos Estados Unidos, durante uma operação no sul de Minneapolis, no estado de Minnesota.
Imagens mostram agentes se aproximando do carro, tentando abrir a porta à força e ordenando que a motorista saísse do veículo. Assustada, a mulher tentou deixar o local, manobrando em baixa velocidade.
Nesse momento, um agente posicionou-se deliberadamente à frente do carro, sacou a arma e disparou três a quatro vezes à queima-roupa. Em depoimento à NBC News, a testemunha Emily Heller afirmou que os tiros atingiram a motorista no rosto.
O veículo seguiu em movimento por alguns metros, colidiu com um carro estacionado e um poste, e a mulher morreu no local.
Equipes de emergência foram acionadas imediatamente após os disparos, e a mulher chegou a ser colocada em uma ambulância e levada a um hospital, acompanhada por dois policiais de Minneapolis.
Apesar do atendimento, ela não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada pouco depois.
A vítima foi identificada como Renee Nicole Good, de 37 anos, cidadã norte-americana e moradora da região metropolitana de Minneapolis–Saint Paul.
Segundo familiares e autoridades locais, Renee não era alvo de nenhuma operação de imigração nem participava de manifestações no momento do episódio. Mãe de um menino de 6 anos, vivia legalmente nos Estados Unidos e morreu durante uma ação federal que não tinha como objetivo sua detenção.
Após a confirmação da morte, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) divulgou uma nota oficial na qual atribui à vítima a responsabilidade pelo episódio, afirmando que ela teria avançado com o veículo contra agentes federais e classificando essa suposta conduta como um “ato de terrorismo doméstico”.
Tão cínico quanto a nota do DHS, o presidente Donald Trump também saiu em defesa do agente de sua polícia racista de imigração.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou ter assistido aos vídeos do episódio e mentiu ao dizer que Renee teria sido “desordeira”, “obstrutiva” e “resistente”, sustentando que o agente do ICE agiu em legítima defesa após ser supostamente atropelado.
A declaração ignora os registros em vídeo, os relatos de testemunhas e as críticas das autoridades locais, e busca transformar a vítima em agressora para justificar a violência letal praticada pelo Estado.
Ao final, Trump ainda atribuiu o assassinato a uma suposta “esquerda radical”, reforçando a retórica de criminalização que sustenta sua política repressiva dentro dos Estados Unidos.
Operações do ICE em Minneapolis miram comunidade somali e ampliam tensão local
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que a prefeitura já temia um desfecho violento desde o início da intensificação das operações do ICE na cidade. “Nós temíamos que esse momento chegasse desde os estágios iniciais da presença do ICE em Minneapolis”, declarou.
A morte de Renee ocorre em meio à maior ofensiva do ICE já registrada em Minnesota, segundo o próprio Departamento de Segurança Interna (DHS). Desde o início de dezembro, a polícia imigratória de Trump intensificou ações de fiscalização migratória em Minneapolis e cidades vizinhas, com a mobilização de até 2.100 agentes federais.
De acordo com o DHS, cerca de 1.400 pessoas foram presas nesse período, número muito superior ao registrado nas semanas anteriores.
A ofensiva do ICE em Minnesota teve como alvo principal a comunidade somali, que forma a maior diáspora somali do mundo. Cerca de 80 mil pessoas de origem somali vivem no estado, a maioria composta por cidadãos norte-americanos ou residentes legais.
A escalada das operações ocorreu após a circulação de vídeos e denúncias promovidos por setores conservadores, que acusavam, sem comprovação, creches e organizações ligadas à somalis de desviar recursos públicos.
Apesar de inspeções realizadas pelo governo estadual não terem identificado irregularidades relevantes, o governo de Trump ampliou a presença do ICE em Minneapolis e cidades vizinhas, enviando milhares de agentes e intensificando abordagens em bairros residenciais.
Autoridades locais afirmam que essa estratégia elevou a tensão na cidade, provocou protestos e aumentou o risco de confrontos, culminando no episódio que resultou na morte de Renee Nicole Good.
Frey rejeitou de forma categórica a versão apresentada pela Casa Branca, segundo a qual o agente teria agido em legítima defesa.
“Eles já estão tentando apresentar isso como um ato de legítima defesa. Tendo visto o vídeo eu mesmo, quero dizer diretamente a todos: isso é mentira. Isso foi um agente usando o poder de forma imprudente, o que resultou na morte de uma pessoa”, afirmou.
Em tom ainda mais duro, o prefeito exigiu a retirada imediata dos agentes federais da cidade.
“A justificativa que vocês apresentam para estar nesta cidade é criar algum tipo de segurança. E vocês estão fazendo exatamente o oposto. Pessoas estão sendo feridas, famílias estão sendo destruídas”, protestou o prefeito.
“Tenho uma mensagem para o ICE: saiam da porra de Minneapolis. Nós não queremos vocês aqui”, disse.
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