
O ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) consolidou o favoritismo na disputa pelo governo do Rio de Janeiro e aparece em condições de vencer ainda no primeiro turno, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (27). O levantamento também mostra a deputada federal Benedita da Silva (PT) na liderança da corrida pelas duas vagas ao Senado.
No principal cenário para o governo, Paes registra 38% das intenções de voto, muito à frente do deputado estadual bolsonarista Douglas Ruas (PL) e do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), ambos com 10%. Os demais nomes testados não pontuam acima de 2%.
A pesquisa testou diferentes cenários e, em todos eles, Paes aparece na dianteira. Sem Garotinho na lista, Paes sobe para 42% e Ruas chega a 11%. Nas simulações de segundo turno, o ex-prefeito também venceria com ampla margem tanto Ruas (48% a 18%) quanto Garotinho (52% a 16%).
De volta à disputa após decisão liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) que suspendeu os efeitos de sua condenação na Operação Chequinho, Garotinho enfrenta o maior índice de rejeição entre todos os candidatos. Dos eleitores que o conhecem, 65% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Paes tem rejeição de 40%.
A 20 dias do início da campanha eleitoral, a ampla desaprovação ao governo estadual ajuda a explicar o favoritismo de Paes. Segundo a pesquisa, 52% desaprovam a administração, contra 28% que a aprovam.
Considerando apenas os votos válidos, como ocorre na apuração oficial das eleições, os 38% obtidos por Paes, somados ao elevado contingente de eleitores indecisos e de brancos e nulos, deixam o ex-prefeito próximo de liquidar a disputa ainda na primeira etapa. Ainda assim, esse cenário depende da evolução do eleitorado indeciso e da confirmação das candidaturas.
Senado
Para o Senado, a disputa por duas vagas é mais pulverizada. Na briga pelas duas vagas a que o estado tem direito, Benedita da Silva lidera com 11% no principal cenário testado, seguida pelo ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), com 8%. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro, o que configura um empate técnico, mesmo com a vantagem numérica da petista.
O dado mais expressivo é o baixo desempenho do senador Carlos Portinho (PL), escolhido por Flávio Bolsonaro (PL) para disputar uma das vagas ao Senado pelo campo bolsonarista: o parlamentar não ultrapassa 4% em nenhuma das duas simulações, à frente apenas de nomes com pontuação residual. Márcio Canella (União) também tem 4%, enquanto Alessandro Molon (PSB), Mônica Benício (PSOL), Pedro Paulo (PSD) e Waguinho (Republicanos) registram 3% cada.
A pesquisa também mediu rejeição. Crivella lidera negativamente, com 63% dos fluminenses afirmando que não votariam nele de jeito nenhum, seguido por Benedita, rejeitada por 47%, e por Waguinho, com 38%.
O caso de Benedita chama atenção porque seu índice de rejeição (47%) é praticamente igual ao percentual de eleitores que afirmam conhecê-la e votar nela (49%). O dado sugere que a elevada rejeição está associada sobretudo ao alto grau de conhecimento de sua candidatura, e não necessariamente a um desempenho eleitoral fraco.
O ex-governador Cláudio Castro (PL) – que teve o mandato cassado – saiu da disputa ao Senado após se tornar inelegível por abuso de poder político. Seu afastamento se refletiu no quadro mais equilibrado para o Senado.
O total de eleitores que se declaram indecisos ou que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer supera 60% nos dois cenários testados, indicando que a disputa está aberta. A pesquisa também indica volatilidade no eleitorado: 59% dos entrevistados dizem que podem mudar de candidato ao Senado até a eleição, contra 39% que consideram a escolha definitiva.
Presidência da República
A pesquisa mediu a intenção de voto para presidente no Rio. No primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) está numericamente à frente com 32%, seguido pelo presidente Lula (PT) com 30%. Em um eventual segundo turno entre os dois, Flávio teria 38%, e Lula, 35%. Nas duas simulações, os dois presidenciáveis estão tecnicamente empatados.
Os números podem ser considerados razoáveis para o atual presidente, que tentará a reeleição em outubro. O Rio é o estado-berço do bolsonarismo e deu vitória mais ampla aos candidatos da extrema direita nas duas últimas eleições presidenciais.
Levando em conta apenas o eleitorado fluminense, Jair Bolsonaro (PL) derrotou Fernando Haddad (PT) em 2018 (por 67,95% a 32,05%) e superou Lula em 2022 (56,53% a 43,47%). Desta vez, porém, aliados de Lula creem que a coligação com Eduardo Paes e as entregas do governo no estado podem garantir até mesmo uma vitória local sobre o bolsonarismo.
A pesquisa Quaest foi contratada pelo Banco Genial S.A. e ouviu presencialmente 1.200 eleitores fluminenses entre os dias 21 e 25 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-02671/2026.
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