
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), renunciou nesta sexta-feira (20) ao cargo para disputar o governo do estado nas eleições de 2026. A transmissão para o vice Eduardo Cavaliere (PSD), de 31 anos, o mais jovem prefeito da cidade desde a fusão dos estados em 1975, marca uma guinada na política carioca e acende a disputa pelo Palácio Guanabara contra o governador Cláudio Castro (PL), aliado da família Bolsonaro.
Frente ampla contra o bolsonarismo no Rio
Para Rodrigo Araújo Costa, presidente do PCdoB carioca, as eleições de 2026 são “fundamentais para o Brasil e para o Rio de Janeiro”. Segundo ele, o partido integra uma grande frente ampla que busca “conquistar a reeleição de Lula à presidência e a derrota da extrema direita no governo do Estado”.
“A saída de Eduardo Paes da prefeitura e a construção de sua pré-campanha para governador é, ao mesmo tempo, a possibilidade da construção de um palanque forte para Lula em nosso Estado somada com a perspectiva de uma candidatura competitiva que possa apontar novos rumos e vencer o bolsonarismo no estado onde o ovo da serpente nasceu”, avaliou Rodrigo.
O dirigente destacou que o PCdoB participa do governo Paes desde janeiro de 2025, por meio do IPP (Instituto Pereira Passos) e da CDSRio (Coordenadoria de Diversidade Sexual), e apoia entregas como o corredor de BRT Deodoro-Gentileza e investimentos nas zonas Norte e Oeste. Contudo, mantém críticas em relação a jornada e salários na educação, assim como a terceirização de contratações na saúde.
Tensão produtiva para avançar a agenda progressista
Na avaliação da deputada estadual Danieli Balbi (PCdoB-RJ), a candidatura de Paes representa “a congregação de uma série de interesses progressistas republicanos, desde aqueles mais liberais até aqueles marxistas ou que se posicionam com firmeza no campo da esquerda”.
Para Danieli, trata-se de reconhecer “a importância de termos uma liderança eleitoral do campo progressista, ainda que mais liberal, como Eduardo Paes, disposto a construir um arco de alianças mais amplos”. E acrescenta: “É preciso fazer dessa disposição um espaço de tensão, no melhor sentido do termo, para que nós possamos colocar a nossa agenda ou pontos importantes do nosso programa”.
A deputada alerta, porém, que “não há como abrir mão de pontos fundamentais” mesmo em cenário adverso. “Duas questões se colocam: reconhecer a importância da liderança e, ao mesmo tempo, disputar a composição para garantir avanços reais”, sintetizou.
Desafio: enfrentar o modelo Castro e conquistar consciências
Danieli Balbi caracteriza o governo Cláudio Castro como expressão do “triunfo de uma forma de organização política muito particular do Brasil, mas com contornos mais dramáticos no Rio: lideranças cartelizadas que dominam territórios”. Segundo ela, “sua política econômica e sua condução das estruturas de governo dão mostras de insuficiência, de falta de projeto, de uma forma de governar distante da preocupação em atender às demandas do povo”.
O maior desafio, na visão da parlamentar, é temporal e político: “Quanto tempo eles ocuparam a máquina e o quanto moldaram a política do estado à maneira como disputam territórios? E o quão a classe trabalhadora está mais resistente à nossa organização, à nossa disputa de consciência?”.
Danieli reconhece ainda “uma certa fascistização ou inclinação extremamente conservadora da população no Brasil e no Rio”. Por isso, define a estratégia: “Expor as fragilidades e o caráter antipopular do governo Cláudio Castro, ao mesmo tempo em que tentamos atrair elementos da classe trabalhadora, disputar consciência e furar bloqueios para que nosso projeto de Estado chegue a essas parcelas da população”.
Transição e legado de Paes
Em seu último despacho, Paes destacou que deixa “uma cidade muito mais desenvolvida, menos desigual e mais inclusiva”. Entre marcas de suas quatro gestões (4.827 dias no total), estão a demolição do Elevado da Perimetral, a revitalização da Zona Portuária, a criação de parques nas zonas Norte e Oeste e o programa Reviver Centro.
Cavaliere assume com a missão de zerar filas de consultas e cirurgias na saúde pública e combater a desordem urbana, com queixas recorrentes sobre iluminação, buracos e ocupação irregular de calçadas. A prefeitura também lançou recentemente a Força Municipal, com 600 guardas armados, para atuar na segurança pública.
Com a renúncia de Paes, o Rio entra em nova fase eleitoral. A disputa pelo governo do estado, agora com Cavaliere na prefeitura e Paes na corrida estadual, tende a polarizar o debate entre o projeto de frente ampla apoiado por Lula e a continuidade do bolsonarismo representado por Cláudio Castro. Para o PCdoB fluminense, o caminho é claro: construir alianças sem abrir mão do programa, denunciar o modelo excludente e disputar consciências para transformar o Rio.
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