
A decisão do governo de extrema direita de Abelardo de la Espriella de reconhecer soberania de Israel sobre as Colinas de Golã abriu uma crise diplomática entre a Colômbia e países árabes.
A decisão provocou reação da Liga Árabe, que reúne 22 países do Oriente Médio e do norte da África. A organização afirmou que o reconhecimento colombiano “carece de efeito jurídico” e não altera o status das Colinas de Golã como território sírio ocupado. Egito, Arábia Saudita e Síria também divulgaram manifestações próprias contra a medida adotada pelo governo de Abelardo de la Espriella.
Integram a Liga Árabe Argélia, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Comores, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Palestina, Somália, Sudão, Síria e Tunísia.
O Golã é território sírio ocupado militarmente por Israel desde 1967. A anexação promovida por Tel Aviv em 1981 não é reconhecida pela comunidade internacional e foi declarada “nula e sem efeito” pela Resolução 497 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Até a decisão colombiana, apenas os Estados Unidos haviam rompido esse consenso, durante o primeiro governo de Donald Trump, em 2019.
O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, afirmou que o anúncio colombiano “carece de efeito jurídico” e não altera a soberania síria sobre o território.
“O Golã seguirá sendo território sírio ocupado, de conformidade com o direito internacional e as resoluções de legitimidade internacional”, declarou.
Fahmy também pediu que o governo colombiano “se retrate desta declaração e retifique sua postura”. A Liga Árabe reúne 22 países do Oriente Médio e do norte da África.
Egito e Arábia Saudita divulgaram manifestações próprias contra Bogotá. O ministério das Relações Exteriores egípcio classificou o reconhecimento como contrário ao direito internacional e às resoluções das Nações Unidas.
A chancelaria saudita afirmou que a medida representa uma “violação flagrante” das resoluções internacionais e destacou que decisões desse tipo não contribuem para a paz regional.
O governo sírio também rejeitou a mudança de posição colombiana. Damasco reafirmou que as Colinas de Golã são “parte inseparável” do território nacional e anunciou que recorrerá aos instrumentos diplomáticos e jurídicos disponíveis para defender sua soberania.
Governo colombiano rompe posição histórica
De la Espriella anunciou o reconhecimento apenas três dias depois de tomar posse na Presidência da Colômbia. A medida representa uma ruptura com a política externa adotada pelo governo anterior, de Gustavo Petro, e acompanha uma rápida aproximação de Bogotá com Israel e com os Estados Unidos.
A chancelaria colombiana justificou a decisão alegando que o controle israelense do Golã seria necessário diante da “persistente instabilidade regional no Oriente Médio”.
Segundo o comunicado, a manutenção do território sob domínio israelense constituiria um “componente essencial” para a segurança e a defesa de Israel.
O argumento reproduz a justificativa utilizada historicamente por Tel Aviv para manter a ocupação do planalto, apesar das sucessivas resoluções internacionais que reconhecem o território como parte da Síria.
Israel ocupou as Colinas de Golã durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em 1981, aprovou uma legislação que estendeu suas leis e administração ao território, concretizando uma anexação unilateral rejeitada pelo Conselho de Segurança da ONU.
A ocupação avançou novamente depois da queda do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. Tropas israelenses passaram a controlar também áreas da zona desmilitarizada estabelecida pelo acordo de separação de forças de 1974 entre Israel e Síria.
Netanyahu celebra decisão
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, comemorou publicamente a medida e agradeceu a De la Espriella.
“Hoje o povo israelense está com a Colômbia, já que o presidente, nosso amigo, reconheceu a soberania de Israel nos Altos do Golã”, afirmou Netanyahu em vídeo divulgado nas redes sociais.
O chanceler israelense Gideon Sa’ar, que esteve na Colômbia às vésperas da posse presidencial, também celebrou a decisão e afirmou que ela demonstraria o “compromisso com Israel e a segurança de Israel” do novo chefe de Estado colombiano.
Sa’ar havia se reunido com De la Espriella na quinta-feira (6), um dia antes da posse.
A aproximação entre os dois governos inclui ainda planos de cooperação nas áreas militar, de segurança e inteligência, além do restabelecimento integral das relações diplomáticas rompidas por Petro em 2024 em reação à ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza.
De la Espriella também anunciou que pretende transferir a Embaixada da Colômbia de Tel Aviv para Jerusalém, outra reivindicação histórica do governo israelense contestada internacionalmente.
Entre as medidas anunciadas pelo novo governo estão ainda a retomada das exportações colombianas de carvão para Israel e a retirada do apoio de Bogotá às iniciativas internacionais contra Israel relacionadas à guerra em Gaza.
A guinada coloca a Colômbia entre os governos latino-americanos mais alinhados atualmente a Tel Aviv e Washington e desmonta, em poucos dias, parte significativa da política externa construída durante a gestão Petro para Palestina e Oriente Médio.
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