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Palestra do embaixador Audo Faleiro abre II Conferência de política externa na UFABC

Assessor-chefe adjunto, o embaixador Audo Faleiro atua, junto ao embaixador Celso Amorim, na assessoria direta do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ao iniciar a palestra na abertura da II Conferência Nacional Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, na noite desta segunda-feira (8), Faleiro lembrou sua participação na primeira edição do evento e incentivou os alunos da universidade no ingresso ao Instituto Rio Branco que, segundo ele, precisa ampliar sua diversidade de quadros, pois ainda é um espaço que absorve principalmente representantes da elite. 

O embaixador afirmou que desde a última conferência “tudo piorou”. Em 2013, à época do evento, o multilateralismo estava se consolidando, os BRICs estavam em ascensão e a integração regional do progressismo na América Latina era uma realidade. Atualmente, além das principais transformações no cenário global, há uma série de conflitos como o genocídio em Gaza e a situação no Sudão, e o avanço do intervencionismo em países como a Venezuela

De acordo com o embaixador, na primeira edição da conferência, havia uma multipolaridade benigna, enquanto no contexto desta edição há um cenário de perplexidade e resistência com o acirramento das disputas geopolíticas. 

Audo Faleiro elencou as principais ações do governo no atual mandato como: a reação ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a atuação direta de Lula em 26 encontros com mais de 10 mil empresários; as articulações para pautar avanços na COP30, como a iniciativa do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre; a aliança global contra a fome a partir da reunião do G20 no Brasil; a defesa constante do Mercosul e da CELAC; entre outros pontos. 

Como desafios para um quarto mandato de Lula, o assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial da Presidência da República destaca o tema da soberania digital, porque “perdemos o bonde da discussão”, já que a ascensão das plataformas ocorreu durante o governo Bolsonaro e a entrada do assunto do crime organizado transnacional. 

O embaixador acredita que, assim como o Lula 3, que foi um governo com papel de transição, o Lula 4 terá a continuidade do desafio, já que as previsões até 2030 são de intensificação dos conflitos no mundo, além do avanço imperialista no continente. 

Boas-vindas 

Na recepção do encontro, no início da noite, foi realizada a cerimônia de abertura solene dos trabalhos da II Conferência Nacional de Política Externa. A mesa foi composta pelos presidentes das fundações que compõem a organização; a reitora da universidade, a vice-coordenadora do programa de pós-graduação em Relações Internacionais e a diretora do centro de Engenharia; e o secretário-geral do sindicato que apoia o evento. 

crédito: Vinícius Toledo / FPA

Foi transmitido um vídeo de saudação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que destacou que esse é um momento oportuno para o reforço do conceito de soberania nacional, a partir de tantos desafios da conjuntura política atual como: a ofensiva estadunidense a partir dos tarifaços e da interferência em países do continente dentro da disputa acirrada que os EUA travam com a China na economia. 

Em seu discurso, a reitora da Universidade Federal do ABC, Paula Homem de Mello, relatou os principais pontos da primeira edição da conferência, que ocorreu em 2013, no mesmo campus. 

O evento pioneiro à época inaugurou o auditório da universidade, que foi nomeado, agora, durante os trabalhos da segunda edição como “auditório Marco Aurélio Garcia”. O professor falecido em 2017 ocupou cargos de assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais em governos Lula e Dilma.

Tanto a reitora Paula Homem de Mello quanto a diretora do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da UFABC, Roseli Frederigi Benassi, elencaram as crises estruturais pelas quais o mundo atravessa, com ênfase nas mudanças climáticas. 

A vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UFABC, Ana Tereza Lopes Marra de Sousa, coordenou a mesa e destacou que, em um cenário de guerras e ameaças de ingerências externas no Brasil, é importante que a política externa seja feita de maneira altiva e participativa, e que o  convite, a partir da conferência, é de que o assunto possa ser tratado como algo do cotidiano das pessoas.  

Representando a Fundação Perseu Abramo, o presidente interino Brenno Almeida comentou que a existência de fundações partidárias, como a FPA, é um reflexo da persistência da luta democrática. “Queremos deixar a soberania e a democracia como conceitos naturais para as próximas gerações”, diz Almeida. 

crédito: Vinícius Toledo / FPA

Para Jan Souverein, diretor-geral da Fundação Friedrich Ebert, em um contexto de multilateralismo enfraquecido e com o avanço do autoritarismo no mundo, práticas que fortaleçam a cooperação internacional são ainda mais relevantes. O representante da FES apontou que a Europa atravessa um cenário de dificuldade de coordenação política e divergências sobre a reação ao belicismo dos EUA.

Claudionor Vieira, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, trouxe um panorama geral sobre a necessidade de defesa da democracia, a partir da lembrança de que o sindicato sofreu diversas intervenções nos anos de ditadura militar no Brasil, e que, mesmo após tantas vitórias sociais no campo progressista, “ainda não conquistamos a sociedade”, opina.