
O papa Leão 14 afirmou nesta segunda-feira (13) que não tem medo do governo dos Estados Unidos (EUA), exercido por Donald Trump.
“Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer”, disse o papa a jornalistas, durante o voo para a Argélia.
Esta foi uma resposta às críticas do presidente dos EUA na rede Truth Social. Na sua fala, o papa indicou que continuará proferindo com firmeza a mensagem do Evangelho na busca pela paz: “Não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.
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O pontífice também ressaltou a importância do diálogo e do multilateralismo para a busca de soluções, dirigindo a mensagem a todos os líderes mundiais.
“Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”, completou.
A viagem de Leão 14 é considerada histórica, pois ele é o primeiro papa em terras argelinas, por onde passará por Argel, capital do país, e Annaba, cidade natal de Santo Agostinho. Esta é a terceira viagem apostólica internacional desse pontificado e a primeira para a África. Serão 10 dias de compromissos que se estendem até 23 de abril e passagens por Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
O que disse Trump?
O motivo da resposta do papa aos jornalistas foi uma publicação desrespeitosa do presidente dos EUA, na qual afirmou que Leão 14 é “fraco em relação ao crime e péssimo em política externa”.
Trump fez ataques ao papa por ele não retroceder em sua mensagem de paz, que se opõe aos conflitos internacionais.
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Em sua crítica infundada, Trump insiste, sem comprovar, que o Irã tem armas nucleares. Para ele, Leão 14 normaliza a situação e também teria se posicionado contra o ataque à Venezuela. No entanto, o papa somente tem pedido negociações e o fim da escalada de conflitos.
Para completar, o líder estadunidense ainda insinuou que o pontífice deveria ser grato, pois foi alçado ao maior posto da Igreja Católica somente por ter nascido nos EUA, como uma forma de ser uma ponte com seu governo.
Trump criticado nos EUA
Além da resposta do papa, outros religiosos dos EUA se manifestaram contra a defesa da guerra por Trump e os ataques ao líder da Santa Sé.
O arcebispo metropolitano de Washington D.C, cardeal McElroy, celebrou uma missa de Vigília pela Paz, no último sábado (11), na Catedral de São Mateus Apóstolo.
Na ocasião, pediu aos fiéis que rezassem pelo fim das hostilidades e pela paz no Oriente Médio. Durante o sermão, McElroy sentenciou que a guerra no Irã é moralmente ilegítima: “Estamos no meio de uma guerra imoral” […] “Entramos neste conflito não por necessidade, mas por escolha. Não perseguimos com empenho suficiente o caminho da negociação até o fim antes de recorrer às armas”.
Já o arcebispo Paul Stagg Coakley, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, declarou: “Estou desconfortável com o fato de que o presidente tenha escolhido escrever palavras tão desonrosas contra o Santo Padre. O papa Leão não é seu rival, nem o papa é um político. É o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e pela cura das almas”.
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