O papa Leão XIV conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta sexta-feira (16/10), e pediu uma trégua em Oleshky, na região ucraniana de Kherson, para viabilizar a chegada de ajuda humanitária aos moradores. A informação foi divulgada pela Sala de Imprensa do Vaticano.
De acordo com a Santa Sé, o pontífice manifestou preocupação com o agravamento das condições de vida na cidade e defendeu a suspensão das hostilidades para permitir o fornecimento de alimentos e medicamentos, além da retirada voluntária e segura de civis.
Em nota, o Vaticano afirmou que Leão 14 destacou a gravidade da crise humanitária e reiterou a disposição da Igreja Católica em contribuir para iniciativas de diálogo e paz.
O contato ocorreu enquanto o papa se recupera de uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno no pulmão. Internado desde terça-feira (13/10) no Hospital Policlínico Agostino Gemelli, em Roma, o pontífice, de 71 anos, manteve suas atividades cotidianas de forma autônoma, segundo informações médicas divulgadas pela Santa Sé.
Esta não foi a primeira conversa entre Leão 14 – cujo nome de batismo é Robert Francis Prevost – e o mandatário russo. Os dois já haviam falado por telefone em junho de 2025. Na ocasião, o papa também colocou o Vaticano à disposição para sediar possíveis negociações de paz entre Moscou e Kiev.
Nos meses seguintes, representantes da Santa Sé viajaram à capital russa. Em agosto, o secretário para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher, esteve no país. Em setembro, foi a vez do cardeal Matteo Zuppi, enviado para tratar de questões humanitárias.
Moradores de Oleshky enfrentam risco de fome
A situação na cidade já havia motivado um apelo internacional em setembro. Naquele então, o Conselho Pan-Ucraniano de Igrejas e Organizações Religiosas (UCCRO) pediu ao papa e a lideranças humanitárias que recorressem aos canais diplomáticos disponíveis para impedir uma crise de fome em larga escala.
Oleshky está sob ocupação russa, às margens do rio Dnipro, e sua proximidade com a linha de frente dificulta o abastecimento. Segundo as informações apresentadas no texto original, mais de seis mil pessoas permanecem isoladas na região, com acesso limitado a alimentos e outros itens essenciais.

Kremlin destaca cooperação com a Santa Sé
Na versão divulgada pelo governo russo, Putin ressaltou a importância das relações entre Moscou e o Vaticano, sobretudo na promoção de valores espirituais e morais e na proteção de comunidades cristãs e locais de culto em diferentes partes do mundo.A declaração foi atribuída ao Kremlin e reproduzida pela agência russa RIA Novosti.
O governo russo também afirmou que Putin apresentou ao pontífice sua interpretação sobre a responsabilidade das autoridades ucranianas pela crise humanitária em Oleshky. Segundo Moscou, o presidente manifestou apoio à disposição do Vaticano de contribuir para a segurança dos moradores e para a organização da entrega de suprimentos básicos.
As declarações dos dois lados evidenciam que a questão humanitária em Oleshky esteve no centro da conversa, em meio à continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia e às iniciativas diplomáticas para buscar uma solução pacífica.
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