O partido do presidente argentino Javier Milei sofreu importante derrota eleitoral neste domingo (07/09), ao perder as eleições legislativas regionais na Província de Buenos Aires.
Segundo as primeiras parciais divulgadas pelas autoridades eleitorais locais, após 83,03% das urnas apuradas, a sigla de extrema direita A Liberdade Avança, liderada pelo mandatário, obteve 33,86% dos votos, sendo superado pela coalizão Força Pátria, que reúne setores de centro-esquerda do peronismo, e que alcançou 46,93%.
O resultado acontece 11 dias depois do surgimento do escândalo de corrupção no qual Karina Milei, irmã do presidente e secretária geral da Presidência, foi acusada de cobrar propina de empresas provedoras de medicamentos para a Agência Nacional para a Deficiência (ANDIS) – segundo o advogado Diego Spagnuolo, um dos envolvidos na trama, a irmã do presidente chegava a receber cerca de 3% do valor total das verbas destinadas a essas compras.
O caso tem afetado a popularidade de Milei, e já havia rendido a ele o primeiro revés eleitoral, no último domingo (31/08), quando o seu partido de extrema direita, A Liberdade Avança, foi apenas o quarto mais votado nas eleições legislativas da Província de Corrientes – ficando atrás da coalizão regionalista Vamos Corrientes, que elegeu a maior bancada, e da aliança Força Pátria, que reúne diferentes setores do peronismo e que ficou em segundo lugar.
Cristina Kirchner
Após o anúncio da primeira parcial mostrando ampla vantagem a favor da centro-esquerda, a ex-presidenta Cristina Kirchner (2007-2015), principal líder do kirchnerismo (setor mais à esquerda dentro do peronismo), apareceu na varanda do seu apartamento dançando em frente a um grupo de centenas de pessoas que se reuniram em frente ao seu edifício.

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Vale lembrar que a ex-mandatária está em prisão domiciliar desde maio deste ano por uma sentença devido a um caso corrupção – no qual sua defesa alega que ela é vítima de uma operação de lawfare.
Ademais, Cristina chegou sua candidatura a deputada provincial em Buenos Aires, mas acabou sendo proibida de concorrer devido à condenação.
O que estava em jogo
As eleições legislativas na Província de Buenos Aires renovarão metade da Câmara e metade do Senado que compõem o Congresso Provincial, na região que reúne as cidades que envolvem a capital federal argentina, e que configuram o maior colégio eleitoral do país – superando inclusive a cidade de Buenos Aires.
O pleito define os 46 deputados de um total de 92, e 23 senadores de um total de 46. Vale destacar que tanto os deputados quanto os senadores provinciais têm mandato de quatro anos – ou seja, os eleitos neste domingo ficarão no cargo até 2029.
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