
A morte do ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo, aos 83 anos, neste domingo (15), em São Paulo, provocou manifestações de pesar que ultrapassaram as fronteiras da legenda. Dirigentes de diferentes partidos e campos políticos destacaram a trajetória do baiano que presidiu o PCdoB entre 2001 e 2015, ressaltando sua atuação na resistência à ditadura, na redemocratização e na articulação de alianças no campo progressista.
Deputado federal pelo PT-RS, Rui Falcão afirmou ter recebido a notícia “com grande tristeza” e classificou Renato como “uma liderança marcante do PCdoB e uma referência de compromisso com os trabalhadores, a democracia e o projeto de um Brasil mais justo”.
Falcão, que foi presidente nacional do PT, lembrou que o dirigente enfrentou “perseguição, ditadura e exílio sem abandonar suas convicções” e destacou sua “capacidade de formulação e espírito de unidade” na construção de frentes políticas amplas.
No mesmo tom, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Marcio Macedo, afirmou que Renato foi “uma das grandes referências da luta política no Brasil”, dedicando a vida à defesa da democracia e da soberania nacional.
Outro ex-presidente do PT que se manifestou foi Tarso Genro, que considera Renato um líder extraordinário do PCdoB, companheiro e amigo, sensato e politizado. “Foi formulador nos anos 90, comigo e mais dezenas de dirigentes políticos, do Conselho Político da Frente Popular, que deu um enorme suporte à candidatura Lula em 1998. Foi a candidatura que, tendo Brizola como Vice, abriu os caminhos para a primeira vitória de Lula, para o mandato de 2002. Renato vive!”, relatou.
Papel nas frentes amplas e na eleição de 1989
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência da República, Gleisi Hoffmann recordou que Renato foi um dos articuladores da Frente Brasil Popular, que apoiou a primeira candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989.
“Desde muito jovem, Renato entregou sua militância, inteligência e energia à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do Brasil”, escreveu ela, que deixou recentemente a Presidência do PT.
O atual presidente nacional do PT, Edinho Silva, também ressaltou que Renato foi “articulador respeitado no campo democrático” e figura central na construção de amplas frentes políticas. “Renato Rabelo dedicou a vida à luta revolucionária e à construção de um projeto nacional comprometido com a soberania, a democracia e o socialismo”, disse o dirigente petista.
Já o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar Paulo Teixeira afirmou que o PCdoB, sob a liderança de Renato, “sempre esteve ao lado do Partido dos Trabalhadores e do presidente Lula em todas as eleições disputadas desde 1989”.
O deputado estadual Simão Pedro (PT-SP) conta que, em abril de 2025, foi ao lançamento da biografia intitulada “Renato Rabelo: Vida, Ideias e Rumos”, escrita por Osvaldo Bertolino. “O presidente Lula e ex-presidenta Dilma escreveram as apresentações na obra que narra a histórica trajetória de Renato Rabelo com destaque na resistência à ditadura, reconstrução do PCdoB e pela justiça social no país”.
“Um brasileiro apaixonado”
As manifestações vieram também de outras siglas. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Guilherme Boulos (PSOL) escreveu que Renato foi um dirigente “que deu a vida pelo socialismo e pela luta por um Brasil justo”.
A ex-deputada Manuela D’Ávila, hoje no PSOL, publicou um dos relatos mais pessoais. “O Brasil se despede de um grande brasileiro. Eu me despeço de uma das pessoas mais importantes da minha vida”, afirmou, lembrando conversas decisivas e o apoio recebido em momentos difíceis.
Pelo PDT, o sindicalista Antonio Neto definiu Renato como “um brasileiro apaixonado, profundamente comprometido com as causas nacionais”.
O ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT) lamentou a partida de um “grande companheiro, liderança histórica da esquerda, uma vida de lutas pela causa popular e socialista”.
Capacidade de diálogo e construção
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que Renato “sempre esteve ao lado da democracia, da causa dos trabalhadores e da justiça social” e destacou sua “capacidade de diálogo, de construção e de formulação”.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o país reconhece em Renato “uma vida de coerência e espírito público que despertou a chama da transformação social em muitos jovens brasileiros”.
O deputado petista e ex-prefeito de Recife, João Paulo, lamentou a morte de Renato, liderança histórica da esquerda brasileira. “Sua importância para a luta por um país democrático e justo seguirá inspirando gerações.”
Do jornalismo, o analista político Breno Altman escreveu que o Brasil perde “um de seus grandes lutadores e dirigentes mais provados”, que permanecerá “na memória socialista de nosso país”.
A diretoria da Fundação Perseu Abramo emitiu nota de pesar pela morte do dirigente do PCdoB, que também comandou a Fundação Maurício Grabois, cargo que assumiu no dia 1º de abril de 2016. “Renato manteve constante relação com a Fundação Perseu Abramo”.
Legado compartilhado
As notas de pesar convergem em alguns pontos: a coerência ideológica, a defesa da soberania nacional, o compromisso com a democracia e a habilidade de construir consensos no campo progressista.
Ao longo de mais de cinco décadas de militância, Renato Rabelo se tornou figura de referência não apenas para o PCdoB, mas para diferentes correntes da esquerda brasileira.
Neste domingo, as divergências partidárias deram lugar a um reconhecimento comum: o de que sua trajetória atravessou gerações e ajudou a moldar capítulos decisivos da história política recente do país.
O post Partidos, autoridades e lideranças exaltam legado político de Renato Rabelo apareceu primeiro em Vermelho.
