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Pastor Poncio é preso pela PF em operação contra Máfia do Cigarro

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (2), o pastor e empresário Márcio Poncio, conhecido como “pastor do cigarro”, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada Máfia do Cigarro e suas possíveis conexões com o jogo do bicho, o crime organizado e integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. Saiba mais na TVT News.

Poncio foi localizado em um apart-hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões dos investigados.

Além de Poncio, a operação teve como alvos o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado pela Polícia Federal como o principal chefe da nova cúpula do jogo do bicho no estado e controlador do comércio ilegal de cigarros, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Ambos já estavam presos e receberam novos mandados judiciais. Bacellar deverá ser transferido para um presídio federal.

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Também foi alvo de mandado de busca e apreensão Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Por meio de sua defesa, ele negou qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de recursos ilícitos, afirmando permanecer à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Até a publicação desta reportagem, as defesas de Poncio, Bacellar e Adilsinho não haviam se manifestado.

Ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacelar também foi alvo da operação

Planilhas ampliaram investigação sobre pagamentos a políticos

Segundo a Polícia Federal, a quinta fase da Operação Unha e Carne surgiu a partir da análise de planilhas apreendidas com Adilsinho durante investigações anteriores. Os documentos conteriam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade paralela destinada a ocultar recursos de origem ilícita.

De acordo com os investigadores, as anotações também indicam possíveis repasses de dinheiro a agentes políticos fluminenses, hipótese que passou a ser uma das principais linhas da investigação.

A corporação afirma que esta etapa busca aprofundar a apuração sobre “indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho” e identificar a eventual ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.

A atual ofensiva é desdobramento da Operação Fumus, deflagrada em 2021 para combater o monopólio ilegal do comércio de cigarros na Região Metropolitana do Rio. Durante aquela investigação, já haviam sido apreendidos documentos que apontavam movimentações financeiras suspeitas e possíveis pagamentos a agentes públicos.

As investigações também integram as determinações do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que estabeleceu a atuação da Polícia Federal na apuração das conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no estado.

A Operação Unha e Carne começou, em dezembro de 2025, investigando o vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais que teriam beneficiado o Comando Vermelho. Ao longo das fases seguintes, as apurações passaram a envolver autoridades do Judiciário, parlamentares e suspeitas de fraudes em contratos públicos.

Em abril deste ano, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter recebido informações do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, segundo as quais “32 ou 34 parlamentares da Assembleia” receberiam mesadas oriundas do jogo do bicho. A declaração ampliou a repercussão das investigações sobre a influência da contravenção na política fluminense.

Quem é Márcio Poncio

Aos 52 anos, Márcio Poncio tornou-se conhecido nacionalmente tanto pela atuação religiosa quanto pelos negócios no setor do tabaco, atividade que lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”. Natural da Baixada Fluminense, ele começou a trabalhar como auxiliar de produção antes de construir um patrimônio como empresário da indústria de cigarros.

Pastor da Igreja da Nuvem, Poncio também ganhou grande projeção nas redes sociais ao lado da família. Com mais de meio milhão de seguidores, costuma compartilhar mensagens religiosas, a rotina familiar e um estilo de vida marcado pela ostentação.

Ele é marido da influenciadora Simone Poncio e pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. A família se tornou um dos fenômenos das redes sociais brasileiras após sucessivas polêmicas envolvendo relacionamentos, separações e disputas familiares amplamente acompanhadas pelo público.

Nos últimos anos, Márcio Poncio também buscou espaço na política. Em 2022, disputou uma vaga para deputado federal pelo Rio de Janeiro e terminou como segundo suplente, com cerca de 33 mil votos. Em 2025, tentou concorrer à Prefeitura de Três Rios em eleição suplementar, mas acabou derrotado.

Apesar da notoriedade pública da família, a investigação da Polícia Federal tem como alvo apenas Márcio Poncio. Seus familiares não são investigados nesta fase da Operação Unha e Carne.

Segundo a Polícia Federal, as investigações prosseguem com a análise do material apreendido para identificar o fluxo financeiro do esquema, a atuação de eventuais operadores e intermediários e a possível participação de outros beneficiários ligados à estrutura criminosa investigada.

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