
Nunca haverá paz no Oriente Médio enquanto as potências imperialistas controlarem a região. A luta dos povos prova que só com a libertação do imperialismo será possível alcançar a verdadeira paz na região.
Felipe Annunziata | Redação
INTERNACIONAL – A guerra no Oriente Médio não acabou. Ao contrário do que dizem a grande mídia burguesa e os índices das bolsas de valores, o novo acordo de “cessar-fogo” entre Irã e EUA não garante o fim do conflito em curso naquela região do mundo. No acordo está prevista a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio estadunidense ao Irã, bem como o fim das hostilidades em todos os fronts.
No entanto, no Líbano, Israel continua com um plano de massacre e limpeza étnica em curso e já afirmou que não reconhece os termos do acordo.
A situação do povo libanês piorou ainda mais depois do primeiro “cessar-fogo”, em abril. Israel realizou, entre abril e junho, mais de 3.500 ataques a cidades e vilas libanesas, expulsou 1,5 milhão de pessoas de suas casas, assassinou quase 4 mil pessoas. Apenas um bombardeio num hospital na cidade de Tiro, quatro pessoas morreram e 127 foram feridas, a grande maioria membros da equipe do hospital.
“Estou cansada desta vida. É a quarta vez que fugimos em três meses. Vou para a casa da minha irmã, mas ela só tem um quarto e uma sala: meus três filhos e eu teremos que dormir todos no mesmo quarto”, afirmou Fátima Darwish, 55 anos, moradora de Beirute, capital libanesa.
Cerco a Tiro
A situação está pior na cidade de Tiro, uma das principais do país e conhecida por seu patrimônio histórico. Israel tem adotado uma tática de tentar ocupar militarmente o Sul do Líbano para expulsar a população e anexar ao território israelense.
Para isso, os soldados sionistas destruíram a maioria das pontes que ligam o norte do Líbano à sua parte sul e ampliaram os bombardeios para as vilas e cidades na região. Em três meses, cerca de 90% da população da cidade de 200 mil habitantes chegou a fugir para o norte para salvar a própria vida.
A resistência libanesa – liderada pelo partido político islâmico Hezbollah – conseguiu, até agora, evitar uma ocupação terrestre total da região Sul e da cidade de Tiro, no entanto, a resposta israelense é tentar estabelecer um cerco total à cidade da mesma forma que faz hoje com a Faixa de Gaza.
Mesmo com isso, os cerca de 16 mil habitantes que ficaram na cidade permanecem determinados a não abandonar a própria terra. “Estou muito ligado à minha terra e, se eu for, quem vai ficar aqui?”, afirmou Ali. “Não vamos evacuar. Pelo contrário, vamos ficar”, essa também foi a posição de Nasser Farran, cirurgião de um hospital da cidade.
No último dia 09 de junho, a situação se agravou com mais uma “ordem de evacuação” feita por Israel. Esse método é a forma que os sionistas encontraram para anunciar a limpeza étnica do Líbano tentando disfarçar seus crimes contra a humanidade.
Conquistar a paz
A situação no Líbano mostra, mais uma vez, que qualquer acordo de “cessar-fogo” anunciado será sempre frágil ou mesmo uma mentira. A realidade é que, enquanto o imperialismo não for derrotado, não será possível uma paz duradoura no Oriente Médio.
Para os imperialistas e seus capachos sionistas, o Líbano é importante por conta das suas grandes reservas de gás natural e o Irã é fundamental por conta das enormes reservas de petróleo. O aumento dos preços do setor petroquímico fortaleceu ainda mais o poder dos cartéis do setor no mundo e tem causado um aumento significativo nos preços de todos os produtos.
Em outra frente, as empresas do setor militar ampliam seus lucros. No primeiro trimestre de 2026, os principais monopólios de armas do setor aeroespacial de Israel e EUA (Lockheed Martin, GE Aerospace, Elbit Systems e as Indústrias Aeroespaciais de Israel) faturaram em torno de 10% a mais do que no ano passado.
Para piorar, o Líbano, assim como outros países da região, sofre com a forte intervenção imperialista na sua política interna. O país foi colonizado pela França até 1943 e, desde então, sofre com interferências do imperialismo europeu em eleições e até nas forças armadas. Os libaneses foram proibidos pelas grandes potências de ter qualquer exército que pudesse se contrapor às invasões de Israel.
É neste cenário que grupos políticos religiosos ou de esquerda buscaram constituir resistências armadas para impedir a destruição do país. Desde a década de 1980, a resistência libanesa é o que tem impedido o exército sionista de anexar o país.
A realidade é que nunca haverá paz no Oriente Médio enquanto forem as potências imperialistas e seus aliados bilionários a controlarem aquela região. A luta do povo iraniano, que impediu uma invasão terrestre de seu país pelos EUA, prova que só quando os povos da região conseguirem se libertar do jugo imperialista é que será possível alcançar a verdadeira paz na região.
Matéria publicada na edição impressa nº 336 do jornal A Verdade
