
O Congresso do Peru empossou nesta quarta-feira (18) o deputado José María Balcázar, de esquerda, como presidente interino do país. Com a posse, o Peru chega ao oitavo presidente desde 2016.
Balcázar assume o comando do Executivo após ser eleito presidente da Mesa Diretiva do Congresso, conforme prevê a Constituição peruana nos casos de vacância presidencial.
O mandato é transitório e se estende até 28 de julho, data marcada para a posse do presidente eleito nas eleições gerais, cujo primeiro turno está previsto para 12 de abril, com eventual segundo turno em junho.
O novo chefe de Estado não foi eleito por voto popular direto e terá poderes limitados, com a principal tarefa de conduzir o país até a conclusão do processo eleitoral.
A eleição de Balcázar ocorreu em um processo interno do Parlamento que reuniu quatro listas concorrentes à Mesa Diretiva. Além dele, disputaram o cargo María del Carmen Alva, da Ação Popular; Héctor Acuña, do Honra e Democracia; e Edgar Reymundo, do Bloco Democrático Popular.
No primeiro turno da votação, Balcázar obteve 46 votos, contra 43 de Alva, 13 de Acuña e 7 de Reymundo, o que levou Balcázar e Alva ao segundo turno. Antes da votação final, parlamentares do Bloco Democrático Popular anunciaram a retirada da disputa, alegando falta de garantias de transparência no processo.
No segundo turno, Balcázar foi eleito com 64 votos, contra 46 de Alva, assegurando a presidência do Congresso e, automaticamente, a Presidência interina da República.
Deputado de esquerda e filiado ao partido Perú Libre, Balcázar tem longa trajetória no Legislativo e no sistema de Justiça.
Advogado, foi desembargador titular da Corte Superior de Justiça de Lambayeque e ministro provisório da Corte Suprema. Aos 83 anos, torna-se o presidente mais velho da história do Peru e assume o cargo em um momento de forte desgaste das instituições políticas.
Após a posse, Balcázar dirigiu-se ao país em pronunciamento no qual afirmou que o governo interino buscará superar os conflitos políticos e garantir uma transição eleitoral pacífica.
Em sua fala, prometeu assegurar eleições transparentes e afirmou que não haverá mudanças na condução da política econômica durante o curto período de mandato, defendendo a manutenção da estabilidade e o funcionamento regular do Estado.
O presidente interino também destacou a necessidade de reforçar a segurança pública e preservar a ordem institucional até a posse do próximo governo.
Balcázar assume após a destituição de José Jerí, afastado do cargo por meio de moção de censura em meio a investigações por suspeitas de tráfico de influência e outras irregularidades.
A queda de Jerí é mais um episódio de uma sequência de confrontos entre Executivo e Legislativo que tem marcado a política peruana nos últimos anos, aprofundando a fragilidade institucional do país.
Desde 2016, o Peru vive um ciclo contínuo de crises presidenciais, marcado por renúncias, impeachments, destituições e governos de curta duração. A sucessão acelerada de presidentes transformou o país em um dos casos mais extremos de instabilidade política na América Latina, com impactos diretos sobre a governabilidade e a confiança nas instituições.
Até a posse do presidente eleito, o governo interino de Balcázar terá como principal tarefa conduzir o processo eleitoral e evitar novos sobressaltos institucionais.
As expectativas em relação ao mandato são limitadas, diante do curto prazo e das restrições políticas, e o desfecho da crise peruana, ao menos no curto prazo, dependerá da realização de eleições regulares e da capacidade do próximo governo de enfrentar um sistema político profundamente desgastado.
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