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Petistas apontam forte ligação de Nelson Wilians com Camisotti e criticam seu silêncio na CPMI do INSS

“Não tenham dúvidas, o Dr. Nelson Wilians está dentro desse esquema. A investigação vai demonstrar isso”, afirma o deputado Paulo Pimenta

Munido de um Habeas Corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantia o direito de permanecer em silêncio, o advogado Nelson Wilians recusou-se a responder às perguntas da CPMI do INSS nesta quinta-feira (18/9). Ele é acusado pela Polícia Federal de lavar dinheiro para o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos maiores beneficiários do esquema de descontos ilegais em aposentadorias do INSS, que teria desviado cerca de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2022.  Deputados do PT destacaram suspeitas e criticaram o silêncio do advogado.

No início da sessão, Wilians fez um discurso em defesa própria, relatando sua ascensão profissional – da origem humilde ao comando de um dos maiores escritórios de advocacia do País. Ele disse que sua relação com Camisotti é apenas de amizade, após este ter sido seu cliente, e afirmou não conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, antes da Operação Sem Desconto da PF, em maio deste ano.

Confrontado com informações sobre movimentações financeiras atípicas e possíveis vínculos com empresas de fachada envolvidas nos descontos ilegais, Wilians limitou-se a responder: “Não tenho nada a ver com o objeto de investigação dessa CPMI, o escândalo no INSS”.

Suspeitas reforçadas

Deputado Pimenta (PT-RS) – Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) destacou que Wilians e Camisotti atuaram juntos na GEAP, operadora de planos de saúde para servidores públicos, entre 2016 e 2020. Depois, prestaram serviços à Ambec, que assinou em 2021 um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS. A PF aponta a Ambec como entidade fantasma envolvida nos descontos fraudulentos e controlada indiretamente por Camisotti, assim como Cebap e Unsbras. Segundo investigações, uma ex-faxineira da família de Camisotti chegou a presidir a Ambec entre 2023 e 2024, quando a entidade movimentava cerca de R$ 30 milhões mensais.

De acordo com a PF, o escritório de Wilians movimentou R$ 4,3 bilhões de forma atípica entre 2019 e 2023, com pagamentos de R$ 15,5 milhões ao empresário. Pimenta lembrou ainda que uma seguradora de propriedade do advogado fez um pagamento de R$ 1 milhão ao “Careca do INSS”: “Não tenham dúvidas, o Dr. Nelson Wilians está dentro desse esquema. A investigação vai demonstrar isso”, disse.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) recordou que a PF pediu a prisão de Wilians e denunciou-o por lavagem de dinheiro em favor de Camisotti.

Ligações políticas    

Deputado Rogério Correia (PT-MG) – Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado

Correia ironizou o tratamento cortês de parlamentares bolsonaristas ao advogado, diferente do dispensado a outras testemunhas:

“Talvez fizeram isso porque o advogado assinou um manifesto pró-Bolsonaro, usou um boné do Trump e emprestou sua mansão para a filiação do Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. O senhor até fez um jantar para ele, não foi? São muitas relações políticas que o senhor tem, talvez por isso esse tratamento aqui”, opinou.

O deputado Paulo Pimenta também criticou as indagações realizadas pelos deputados de oposição:

“O senhor Nelson é advogado, é acusado pela Polícia Federal, chega aqui com um Habeas Corpus, e aí perguntam: ‘De onde vem seu patrimônio’? É ilícito? Querem que ele responda o quê? Pelo amor de Deus, temos que aproveitar a vinda dele aqui para tentar avançar nas investigações”, afirmou.

Fraudes turbinadas no governo Bolsonaro

Correia lembrou que os descontos fraudulentos se intensificaram logo no início do governo Bolsonaro. Ele citou a Medida Provisória 871/2019, apresentada como forma de moralizar os descontos associativos, mas que teve vetada pelo presidente em exercício uma emenda proibindo o repasse de dados de beneficiários do INSS a entidades para fins de marketing, sob argumento de “afetar a livre concorrência” — veto indicado pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo Correia, após a decisão, autorizações para descontos aumentaram com o uso de dados vazados para empresas de telemarketing.

Deputado Alencar Santana (PT-SP) – Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado

O deputado Alencar Santana (PT-SP) exibiu vídeo em que o senador Izalci Lucas (PL-DF) admite ter levado denúncias de peritos do INSS ao então presidente eleito Jair Bolsonaro antes de sua posse, sem que medidas efetivas fossem adotadas:

“Com esse conhecimento que o senador Izalci fez, a única medida foi a Medida Provisória? Ninguém comunicou à polícia? Ao Judiciário? Ao Ministério Público? Ninguém encerrou os descontos? Não, fizeram diferente”.

Papel da CPMI

Para Pimenta, foi somente no Governo Lula que o esquema foi desbaratado e interrompido:

“E foi no Governo Lula, através da Controladoria Geral da União (CGU) e da ação da Polícia Federal, que essa quadrilha foi desbaratada. Cabe agora a essa CPMI e ao Judiciário chegar aos autores intelectuais, aos mandantes da operação criminosa, e saber quem lucrou com esse dinheiro roubado dos aposentados”.

Leia mais: https://pt.org.br/pt-pressiona-advogado-suspeito-e-expoe-teia-bilionaria-de-fraudes-ligadas-a-bolsonaro/

 

Heber Carvalho

 

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