
O presidente cessante da Colômbia, Gustavo Petro, confirmou nesta terça-feira (21) que assumirá a liderança do partido Pacto Histórico quando deixar a Presidência, em 7 de agosto, e convocou trabalhadores, camponeses e movimentos sociais a organizarem uma ampla resistência ao governo do presidente eleito, Abelardo de la Espriella.
O líder colombiano afirmou que uma eventual revogação das reformas trabalhista e agrária deverá ser respondida com uma greve geral por tempo indeterminado.
“A oposição se exerce nas ruas, com resistência e com paz, mas deve ser contundente”, afirmou. “Como se revoga o decreto do trabalho por horas, que acaba com a reforma trabalhista que criou estabilidade? Com uma greve geral permanente de milhões e milhões de trabalhadores da Colômbia”, disse.
O presidente afirmou que os direitos conquistados por sua gestão não podem ser retirados pelo novo governo e lançou um aviso direto a De la Espriella.
“Se derrubarem a estabilidade e as condições de trabalho conquistadas neste governo, haverá greve geral e indefinida na Colômbia. Se destruírem com violência a reforma agrária e roubarem as 600 mil hectares que ainda restam, haverá uma paralisação agrária nacional.”
Petro também convocou sindicatos, organizações camponesas, indígenas e movimentos populares a defenderem nas ruas as reformas aprovadas durante seus quatro anos de governo.
“Não podemos deixar que retirem as conquistas do povo”, declarou.
A decisão de Petro de assumir a presidência do Pacto Histórico foi anunciada após o convite do senador Iván Cepeda, candidato da esquerda derrotado no segundo turno presidencial.
Com isso, o atual presidente se prepara para liderar a oposição ao governo de extrema direita que toma posse no próximo dia 7 de agosto.
Liderança da oposição
A escolha de Petro para comandar o Pacto Histórico reorganiza a esquerda colombiana para o período de oposição.
A expectativa é que o ex-presidente concentre a articulação política e a mobilização social, enquanto Iván Cepeda lidere a atuação da bancada no Congresso.
Mesmo antes de assumir oficialmente a direção do partido, Petro demonstrou capacidade de influência sobre o novo Parlamento. Na instalação da legislatura, a bancada do Pacto Histórico participou da articulação que resultou na derrota do candidato apoiado por De la Espriella para a presidência do Senado.
Com apoio do Centro Democrático, partido do ex-presidente Álvaro Uribe, foi eleito o senador Honorio Henríquez, impondo ao futuro governo sua primeira derrota política antes mesmo da posse.
Analistas colombianos avaliam que o episódio sinaliza uma estratégia de oposição em duas frentes: a institucional, conduzida pelo Congresso, e a mobilização popular liderada por Petro.
Defesa do legado
Em seus discursos, Petro voltou a defender o legado de seu governo e afirmou que a Colômbia encerra seu mandato com os menores índices de pobreza, desemprego e desigualdade das últimas décadas. Também destacou os avanços da reforma agrária, das políticas sociais e do fortalecimento da agricultura.
O presidente reiterou ainda que continuará contestando o resultado das eleições presidenciais de 21 de junho, que, segundo ele, foram marcadas por fraude, e afirmou que divulgará a ação judicial que pretende apresentar para sustentar sua denúncia.
Petro também voltou a criticar os Estados Unidos e reafirmou sua posição em defesa do povo palestino.
“Continuarei me opondo a Netanyahu, mesmo que me coloquem em uma prisão nos Estados Unidos”, declarou.
Ao assumir a liderança do Pacto Histórico, Petro encerra seu mandato presidencial, mas sinaliza que pretende permanecer como principal liderança da esquerda colombiana, organizando a oposição política e social ao governo de Abelardo de la Espriella.
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