A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para abrir uma investigação sobre a possível participação oculta do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, na BestBet, plataforma de apostas online autorizada pelo governo de Cláudio Castro (PL-RJ). A suspeita foi divulgada pela revista Piauí.
O caso envolve o advogado Willer Tomaz, principal alvo de uma apuração sobre lavagem de dinheiro. Amigo de Flávio, ele é sócio ostensivo da BestBet e, segundo dados da Fazenda citados pela imprensa, movimentou R$ 5 bilhões em apostas, o maior volume registrado entre apostadores no país. Tomaz e familiares controlam a maior parte da Cathedral Holdings, empresa portuguesa que detém integralmente a Rede Loto, responsável pela plataforma de apostas.
A campanha presidencial do PL foi procurada por email às 9h30 desta quarta-feira (21), mas não respondeu. Em manifestação anterior, após a divulgação de que a Cathedral custeou viagens aéreas de Flávio pela Europa, a equipe do senador afirmou que os dois mantêm apenas uma relação de amizade. Na ocasião, classificou como infundadas as associações entre essa proximidade pessoal e eventuais irregularidades.
Tomaz também rejeitou as acusações. Em nota, afirmou que a reportagem da Piauí interpreta documentos de maneira distorcida e apresenta conjecturas como se fossem evidências. O advogado declarou ainda que a Polícia Federal abriu uma investigação sobre agentes policiais suspeitos de vazar informações sigilosas utilizadas pela publicação.
Documentos apontam movimentações financeiras entre empresas ligadas ao caso
Em outro comunicado, Tomaz apresentou informações sobre a estrutura societária de seus negócios. A Cathedral é a única acionista da Rede Loto, autorizada a operar pelo governo do Rio de Janeiro. A holding portuguesa também possui 6,25% de uma aeronave vinculada ao sistema de propriedade compartilhada da NetJets, comprada em 2025 e utilizada por Flávio em deslocamentos entre Portugal e França.
O advogado sustenta que a BestBet nunca chegou a operar apostas. Essa versão, porém, contrasta com registros públicos: o Internet Archive indica que o endereço eletrônico da empresa já estava ativo em dezembro de 2023. Além disso, documentos da Loterj, órgão fluminense responsável pelo licenciamento das plataformas, registram desde junho daquele ano pagamentos de outorga variável correspondentes a 5% da receita obtida com jogos de azar.
Outro ponto sob investigação envolve a Alcazar Holdings. Informações publicadas pelo UOL e confirmadas pela Folha indicam que Flávio teria mantido uma conta conjunta com Tomaz por meio dessa empresa. A revista Piauí também apresentou indícios de que a Cathedral, ligada ao negócio de apostas, teria financiado a Alcazar, apontada como supostamente vinculada ao senador.
A movimentação financeira entre as companhias aparece ainda em documentos societários e contábeis. Uma ata registrada na Junta Comercial de São Paulo em 3 de fevereiro informa que a Rede Loto aprovou a distribuição dos lucros acumulados até 31 de dezembro de 2025, embora não indique o montante. Pelo estatuto, a Cathedral é a única beneficiária desses recursos.
Já os registros contábeis da holding portuguesa, obtidos pela Piauí, mostram que o valor a receber pela empresa passou de 7,8 mil euros em 2024 para 984 mil euros em 2025. No mesmo intervalo, a dívida registrada pela Alcazar aumentou de 8,1 mil euros para 824 mil euros. A proximidade entre os valores é um dos elementos que chamam a atenção nos documentos analisados.
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