
Diante do aprofundamento da crise imperialista, o Movimento de Mulheres Olga Benario convoca a militância a tomar partido e lutar pelo socialismo.
Camila Falcão (UP) | Pré-candidata ao Governo de Pernambuco
MULHERES – Estamos vivendo numa profunda crise do imperialismo capitalista, em que, para garantir a superexploração dos trabalhadores, os senhores das guerras promovem cada vez mais violência em todos os terrenos da vida.
No Brasil, vemos crescer cotidianamente os casos de violência contra mulheres e meninas: a cada 6 minutos, uma mulher sofre alguma violência e, por dia, pelo menos 4 mulheres são vítimas de feminicídio. Ainda recebemos 20% a menos que os homens, mesmo fazendo as mesmas funções e 57% das mulheres trabalhadoras já sofreram algum tipo de assédio no ambiente de trabalho.
As mulheres são maioria na escala 6×1, são responsáveis pelo cuidado com os filhos e doentes, o que faz a jornada de trabalho diária triplicar. Nos falta respeito, jornadas de trabalho e salários dignos, creches e escolas em tempo integral de qualidade para nossos filhos, políticas de saúde efetivas para cuidar das nossas crianças e de nós mesmas.
Esta ausência não é produto do acaso, é fruto de um sistema baseado na exploração e na propriedade privada, em que tudo vira mercadoria, até nossos corpos.
Construção da UP
É por tudo isso que o Movimento de Mulheres Olga Benario decidiu, em 2013, junto com outros movimentos sociais, fundar um partido que, de fato, representasse as mulheres trabalhadoras e tivesse como centro do seu programa político o Poder Popular e o Socialismo.
Foi com o trabalho de cada militante organizada que fundamos a Unidade Popular (UP). Desde então, passamos a construir de forma efetiva, na linha de frente, uma alternativa política para as mulheres brasileiras.
A nova sociedade socialista que queremos construir será feita pelos próprios trabalhadores e trabalhadoras, verdadeiros donos de toda a riqueza que é produzida no nosso país. Nessa sociedade, as trabalhadoras terão acesso à saúde pública de qualidade, cozinhas comunitárias, creches em tempo integral e um trabalho digno que nos dê conforto para viver, em vez de adoecimento.
Essa sociedade não é impossível de se alcançar, como a burguesia gosta de mentir. Ela já foi vivida na União Soviética, com a Revolução de 1917. Essa e outras experiências mostraram que, sem partido, não há revolução. Mas não qualquer partido, um partido que se proponha a organizar e influenciar as grandes massas da classe trabalhadora.
E sem mulheres também não há revolução, pois somos mais da metade da população. Assim, precisamos ganhar todas as mulheres do povo para a Revolução Socialista!
Nos 15 anos de luta do nosso combativo Movimento Olga Benario, e ainda num ano da guerra eleitoral, nossa tarefa é ainda maior, necessária e urgente. Devemos impulsionar cada núcleo do Movimento a fortalecer as lutas territoriais e convocar cada mulher a se somar às fileiras da UP, filiando ativamente nos núcleos de base, nas banquinhas de divulgação nas ruas, praças e eventos, especialmente nas plenárias do socialismo “Mulher, tome Partido! Lute pelo Socialismo!”. Devemos dizer a cada mulher que elas devem participar das decisões nos rumos do nosso país e que isso só acontecerá com o poder nas mãos do povo.
Outra importante e honrosa tarefa é divulgar amplamente nossas pré-candidaturas que representam a força, a luta e a coerência do nosso programa revolucionário. Somos o único Partido com uma pré-candidatura mulher e feminista à Presidência da República. Samara Martins representa a luta das mulheres trabalhadoras, negras e mães do nosso país. Junto com Samara, temos 11 pré-candidatas aos governos estaduais. Portanto, devemos debater firmemente a guerra eleitoral e ganhar o conjunto das mulheres a se somar à luta!
Sabemos que não é uma tarefa simples e que as atribuições e aflições impostas pelo capitalismo afastam as mulheres da vida política. Isso existe exatamente para alimentar a máquina de moer gente, onde apenas homens burgueses – em sua maioria brancos – decidem os rumos das nossas vidas. É hora de dar um basta! Na guerra eleitoral, nós, mulheres, somos linha de frente e, junto com a Unidade Popular, vamos erguer novas trincheiras para combatermos pelo Poder Popular e pelo Socialismo!
Matéria publicada na edição impressa nº 336 do jornal A Verdade
