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Prefeito de Nova York cita jogador Sócrates e a ‘Democracia Corinthiana’ em discurso no início da Copa

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, defendeu, um dia após a abertura da Copa do Mundo realizada nos EUA, México e Canadá, o futebol como espaço de mobilização social. Em seu discurso, publicado nas redes sociais, usou como exemplo o ex-jogador brasileiro Sócrates e a Democracia Corinthiana, movimento contra ditadura militar no Brasil que envolveu membros do clube paulista numa ação que transcende o esporte no Brasil e no mundo.

Mamdani publicou vídeo nas redes sociais, no último sábado (13), antes do jogo Brasil e Marrocos, pela Copa do Mundo nos Estados Unidos.

“O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los. Que jogo lindo”, ressaltou o prefeito.

“Enquanto nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos criando e comemorando algo muito maior do que gols marcados e desarmes realizados. Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”, disse Mamdani.

Assista ao vídeo:

Mayor Mamdani Hosts “The Morning Pitch” to Provide Traffic and Weather Updates Ahead of World Cup https://t.co/UzNwqD24zf

— Mayor Zohran Kwame Mamdani (@NYCMayor) June 13, 2026

Democracia Corinthiana

Em uma das cenas mais icônicas do futebol brasileiro, Sócrates marcou um gol contra o São Paulo na final do Paulista. Na comemoração, ele correu com o braço estendido e o punho cerrado para o alto, um gesto que se tornou símbolo de resistência e liberdade. O ano era 1982 e ali se consolidava a Democracia Corinthiana. Em plena Ditadura Militar.

O movimento do clube paulista, reconhecido como único até pela Fifa, visava a maior participação dos jogadores e demais empregados nas decisões do clube. Por voto, eles ganharam o direito de escolher coisas como horário dos treinos e detalhes da concentração. Em 1982, Waldemar Pires foi eleito presidente do Corinthians e passou a fazer esse diálogo com os jogadores do elenco profissional.

Entre esses atletas, estavam Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon, lideranças politizadas que ganharam espaço como vozes do grupo. A influência da equipe não se restringiu ao futebol e, naquele período, o Corinthians estampou em suas camisas frases de cunho político como “Diretas Já”, em uma época em que movimentos sociais se articulavam para lutar pela volta da democracia ao país.

A influência do movimento extrapolou o campo. Jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir subiram ao palco em um show da cantora Rita Lee, em 1982, vestindo camisas que apoiavam candidatos da oposição ao regime militar.

A Democracia Corinthiana durou alguns anos e começou a perder força em 1984, quando Casagrande foi para o São Paulo e Sócrates se transferiu para a Fiorentina. No período, o time venceu o Campeonato Paulista três vezes (1982, 1983 e 1988) e, em 1990, venceria o Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.

No vídeo, o prefeito Zohran Mamdani, lembrou da atuação de Sócrates como meio-campo brasileiro nas décadas de 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, quando foi capitão da equipe.

“Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia. Eles iniciaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corintiana. Independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto”, exaltou.

“E, enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderava os jogadores em campo, vestindo jaquetas com os dizeres ‘Quero votar no meu presidente’”, lembrou Mamdani.

O Brasil estreou contra o Marrocos na Copa do Mundo, no sábado, em jogo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, cidade que é uma das sedes do campeonato junto com Nova York. A partida pelo Grupo C terminou em empate, em 1 a 1.

O democrata Zohran Mamdani, de 34 anos, tomou posse em janeiro deste ano como prefeito de umas das cidades mais importantes dos Estados Unidos. Ele é o primeiro muçulmano a comandar a cidade e o mais jovem a ocupar o posto desde 1892.

O prefeito novaiorquino é descendente de imigrantes, se considera socialista, é crítico ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e é favorável à causa palestina.