Por recomendação do Ministério Público, a Prefeitura de Porto Alegre não autorizará a realização de nenhum evento de carnaval de rua no bairro Cidade Baixa. Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, a decisão foi tomada após reunião com o MP na última quarta-feira (26) e o motivo seria a “impossibilidade de garantir segurança dos frequentadores, moradores e comerciantes”. A decisão frustrou a realização do evento CarnaLopo no próximo domingo (2).
O pedido de alvará para o evento havia sido feito há 90 dias. Embora já houvesse rumores, a resposta negativa veio apenas nesta sexta (28), dois dias antes da data programada. “A gente ficou sabendo oficialmente hoje”, conta Clauciane Santos, uma das sócias do Povoada Gastrobar, um dos bares que organizou o evento.
Cientes de que o pedido poderia ser negado, os organizadores já articulavam um abaixo-assinado que conta com cerca de 2 mil assinaturas apoiando a realização do CarnaLopo. “Esse evento é feito de forma independente com os nossos parceiros, todos os custos são arcados por nós, como gradis, segurança, banheiros, equipamentos de som. A gente precisa só do alvará para executar o evento. Para eles não jogarem a cavalaria em cima das pessoas, que é o que fazem na Cidade Baixa. A gente não vai fazer o evento sem alvará, a gente não vai colocar as pessoas em risco”, diz a empresária.
Clauciane Santos conta que a recomendação do Ministério Público partiu de um processo de 2015, feito por uma associação de moradores do bairro que sequer segue ativa. “No documento, eles [o MP] não proíbem, eles recomendam, mas a Prefeitura foi lá e proibiu”.
Segundo a empresária, a recomendação alega questões como poluição sonora e sujeira na rua. “Quando a gente começou esse movimento foi para justamente mostrar que pode ser feito um evento de qualidade na rua com as pessoas respeitando o horário, o entorno, usando o banheiro químico. A rua fica sempre limpa. Esse ano ia ter até área kids, com pula-pula, food trucks, toda uma estrutura paga por nós, que custaria cerca de R$ 13 mil”.
O evento teria a participação de cervejarias artesanais locais, foodtrucks e expositoras de artesanato que, segundo Clauciane Santos, já estavam produzindo desde setembro para comercializar no domingo. Os músicos envolvidos também já ensaiavam para o evento há alguns meses. O evento beneficiaria cerca de 100 trabalhadores.
A empresária diz que, além dos prejuízos materiais, lamenta por sua identificação com o bairro. “Além de eu ter um bar na Cidade Baixa, eu sou moradora. Foi aqui que surgiu o carnaval. Somos quatro sócias, entre elas duas mulheres pretas e uma parda. A gente se identifica com a história do bairro, com a história do carnaval. E é muito triste ver que a nossa cidade está acabando com isso”.
Realizado em 2023 e 2024, o CarnaLopo iria para sua terceira edição. Clauciane Santos conta que sempre fizeram questão de marcar a data do carnaval, de fato, sem seguir a tendência de Porto Alegre nos últimos anos, de realizar festejos fora de época. “É um período em que as pessoas têm folga, um período que tem uma história. Tem feriado nacional do carnaval, porque a cidade de Porto Alegre vai criar uma data fake, da cabeça do prefeito? Todas as capitais do Brasil comemoram o carnaval, só aqui que o prefeito diz que tem que ser em outra data, é meio incoerente isso”.
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