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Presidente da Colômbia entrega bolas de futebol a vítimas de terremoto e causa indignação

O governo de extrema direita de Abelardo de la Espriella enfrenta uma onda de críticas na Colômbia pela resposta ao terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país em 10 de agosto. 

Em menos de uma semana, o presidente distribuiu bolas de futebol com propaganda política a vítimas da tragédia e seu ministro da Habitação foi fotografado em uma praia no Caribe enquanto milhares de famílias permanecem sem casa.

Os episódios ocorreram durante a primeira grande crise enfrentada por De la Espriella, que tomou posse apenas três dias antes do terremoto. O desastre deixou 288 mortos e mais de 4 mil feridos, segundo balanço divulgado pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) na sexta-feira (14).

Na segunda-feira (17), durante uma visita a Buenaventura, uma das cidades mais atingidas, De la Espriella foi filmado dentro de uma caminhonete distribuindo bolas de futebol para moradores. 

As bolas tinham as cores e o logotipo do Defensores de la Patria, movimento político que levou o atual presidente ao poder.

As imagens circularam nas redes sociais e provocaram críticas em meio à situação enfrentada pela população. Em Buenaventura, mais de 10 mil moradias foram atingidas, cerca de 400 pessoas ficaram feridas e 27 morreram. A rede hospitalar da cidade também entrou em colapso.

O ex-presidente Gustavo Petro ironizou a distribuição das bolas. “Eles confundiram uma emergência humanitária causada por um terremoto com uma partida de futebol”, escreveu nas redes sociais.

Dezenas de escolas foram atingidas pelo terremoto e seis ficaram completamente destruídas, levando as autoridades a declarar situação de “calamidade educacional”.

O governo de Abelardo anunciou que pretende distribuir tablets e espera obter de empresas de telefonia planos de dados para permitir a retomada das aulas de forma virtual. A proposta também foi criticada devido à falta de conexão com a internet em parte do Pacífico colombiano, por causa do terremoto.

“Aulas virtuais não funcionam porque o Pacífico não tem conexão, e as crianças do Pacífico não têm como pagar pelos celulares”, afirmou a ex-ministra da Cultura Paula Moreno, que estava em Buenaventura durante a visita presidencial.

Ministro da Habitação vai à praia durante emergência

As críticas ao governo também atingiram o ministro da Habitação, Jaime Beltrán, fotografado descansando com a família em uma praia de Santa Marta, no Caribe, enquanto o país enfrentava a emergência provocada pelo terremoto. 

Beltrán é justamente o responsável pela pasta que terá papel central na reconstrução das moradias destruídas pelo terremoto. 

Segundo estimativas apresentadas pelo governo, mais de 127 mil casas foram danificadas e cerca de 26 mil foram destruídas. Mais de 90% das residências atingidas não possuem seguro.

O ministro afirmou que passou um curto período em Santa Marta para visitar a família. “Por trás do ministro, há um pai, um marido, um filho”, declarou ao responder às críticas.

A senadora Carol Borda, do Salvación Nacional, partido que apoiou De la Espriella na eleição presidencial, classificou o episódio como demonstração de um “nível de desconexão doloroso” diante da “angústia de milhares de famílias” que perderam suas casas.

No Centro Democrático, maior partido de direita no Legislativo, o senador Andrés Forero afirmou que a permanência de Beltrán no cargo provoca um “desgaste prematuro e desnecessário” para o governo.

A Câmara dos Representantes também recebeu um pedido para convocar o ministro para uma moção de censura. Parlamentares de esquerda defendem sua saída, enquanto integrantes do próprio campo político que apoiou a eleição de De la Espriella também fizeram críticas à viagem.

O presidente decidiu manter Beltrán no cargo e anunciou que ele comandará o plano de reconstrução das áreas atingidas.

Prejuízo chega a US$ 9,6 bilhões

O terremoto teve epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, e foi um dos mais fortes registrados na Colômbia nas últimas décadas. Cidades do oeste do país sofreram alguns dos maiores danos.

De la Espriella estima que as perdas econômicas provocadas pelo desastre cheguem a US$ 9,6 bilhões. O valor ainda é preliminar e pode mudar à medida que as autoridades concluam o levantamento dos danos.

O presidente prometeu auxílio para pagamento de aluguel às famílias que perderam suas casas e a reconstrução de residências, escolas, hospitais e prédios públicos.

Desde os primeiros dias da emergência, De la Espriella também centralizou a comunicação do governo sobre o terremoto. O presidente anunciou pessoalmente balanços de vítimas e percorreu cidades atingidas acompanhado de ministros.

Na segunda-feira (17), ele voltou a afirmar que os integrantes do governo estavam espalhados pelas regiões afetadas e trabalhando “24 horas por dia, sem descanso”. As imagens de seu ministro da Habitação na praia e das bolas com propaganda política distribuídas às vítimas passaram, ao mesmo tempo, a alimentar as críticas à atuação do governo diante da tragédia.

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