
A prévia da inflação acelerou no mês de abril, mas ficou abaixo das expectativas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) do mês ficou em 0,89%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira (28), e revelam que em 12 meses o acumulado chega a 4,37%.
A projeção da pesquisa da Reuters apostava em inflação de 1% para o IPCA-15 de abril e de 4,48% em 12 meses. O ValorData apontava para uma alta mensal de 0,97% na projeção mediana.
Grupos
O aumento da inflação para 0,89% foi puxado, principalmente, por dois grupos de produtos e serviços entre os nove pesquisados: o de alimentação e bebidas e o de transportes. Esses dois grupos estão sendo fortemente impactados pelo encarecimento dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio.
Apesar de todas as medidas adotadas pelo governo Lula para equilibrar os preços (redução de impostos, subvenções e linhas de crédito), o fechamento do Estreito de Ormuz pela ausência de negociação por parte dos Estados Unidos, que iniciaram a agressão contra o Irã, continua encarecendo o petróleo e derivados.
Com isso, a alta dos combustíveis afeta diretamente a inflação de Transportes e, indiretamente, a de Alimentos ao elevar custos de produção e frete.
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De acordo com o IBGE, o grupo de Alimentação e Bebidas teve uma teve variação de 1,46% na prévia em relação a março (com impacto de 0,31 p.p. no índice geral). A maior influência deriva da alta na alimentação no domicílio, que subiu 1,77%. Já os alimentos que mais impactaram os resultados foram: cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%), tomate (13,76%) e carnes (1,14%). Já a alimentação fora do domicílio acelerou 0,70% por conta da subida dos preços do lanche (0,87%) e refeição (0,65%).
À Agência Brasil, o economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, observa que a alta nos alimentos acontece também pelo processo de entressafra: “A menor produção de alguns itens, inclusive leite, tem pressionado o indicador.”
Por sua vez, o grupo Transportes teve a segunda maior alta, 1,34% (com impacto no índice geral de 0,27 p.p.), influenciado diretamente pelo aumento dos combustíveis “que passou de -0,03% em março para 6,06% em abril”, segundo o Instituto. A gasolina teve aumento de 6,23% no IPCA-15.
Nos demais grupos, a prévia da inflação em abril e os respectivos impactos no índice geral foram de:
- Saúde e cuidados pessoais: 0,93% (0,13 p.p.);
- Habitação: 0,42% (0,07 p.p.);
- Vestuário: 0,76% (0,04 p.p.);
- Despesas pessoais: 0,32% (0,03 p.p.);
- Artigos de residência: 0,48% (0,02 p.p.);
- Comunicação: 0,48% (0,02 p.p.);
- Educação: 0,05% (0,00 p.p.).
IPCA-15
O IPCA mede a variação de preços da cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.
Para o cálculo do IPCA-15, a metodologia utilizada é a mesma do IPCA, mas, segundo o IBGE, a diferença está principalmente no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica. Por exemplo, os preços para os atuais resultados foram coletados no período de 18 de março a 15 de abril de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de fevereiro a 17 de março de 2026 (base). Por isso, é entendido como prévia da inflação.
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