
As eleições de 2026 redesenharam o mapa político dos governos estaduais brasileiros. Com a conclusão do segundo turno, em 25 de outubro, o PL consolidou a maior presença nos Executivos estaduais, com seis governadores eleitos. O PSD ficou em segundo lugar, com cinco, enquanto PT, PP e Republicanos conquistaram quatro governos cada. PSDB, MDB e Podemos completam a configuração, que ficará concentrada em oito partidos a partir de 2027.
O resultado mantém a predominância de forças de direita e de centro-direita nos estados, apesar da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República. Ao mesmo tempo, o PT preservou os quatro governos estaduais que conquistou em 2022 e ampliou sua presença no Nordeste com a vitória de Cadu de Lula no Rio Grande do Norte.
16 contra sete
Dos 27 governadores eleitos para o período iniciado em 2027, 16 declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), sete apoiaram Lula (PT) e quatro foram classificados como neutros no balanço publicado pela Bloomberg Línea após o segundo turno, em 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro recebeu apoio declarado de governadores eleitos de diferentes partidos, incluindo PL, Republicanos, PP, MDB, Podemos e PSDB. Lula teve o apoio dos quatro governadores eleitos pelo PT, além de Omar Aziz (PSD), Fábio Mitidieri (PSD) e Lucas Ribeiro (PP). Os quatro classificados como neutros foram JHC, Dr. Furlan, Eduardo Braide e Raquel Lyra.
PT mantém quatro governos e concentra força no Nordeste
O PT preservou os governos da Bahia, do Ceará e do Piauí no primeiro turno, com a reeleição de Jerônimo Rodrigues, Elmano de Freitas e Rafael Fonteles. No segundo turno, conquistou o Rio Grande do Norte com Cadu de Lula, que derrotou Allyson Bezerra, do União Brasil.
O resultado mantém o partido com quatro governos estaduais, o mesmo número de 2022. Sua presença fica concentrada no Nordeste, região em que estão todos os estados governados pela legenda.
O cenário também representa uma redução do espaço institucional da esquerda no âmbito estadual. O PT será a única legenda da esquerda a governar estados a partir de 2027. PSB, PDT, PV, PSOL e Rede não elegeram governadores. Para o PSB, a ausência de governos estaduais ocorre pela primeira vez desde 1990.
PL amplia presença e PSD avança
O PL foi o partido que mais ampliou sua presença em relação às eleições de 2022. Naquele ano, elegeu dois governadores; agora, terá seis: Sergio Moro, no Paraná; Douglas Ruas, no Rio de Janeiro; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; Marcos Rogério, em Rondônia; Arthur Henrique, em Roraima; e Jorginho Mello, em Santa Catarina.
A legenda passa a governar os três estados da Região Sul, além de Rondônia, Roraima e Rio de Janeiro.
O PSD também cresceu e terá cinco governos: Amazonas, Amapá, Maranhão, Pernambuco e Sergipe. A legenda, que havia elegido dois governadores em 2022, consolidou sua presença sobretudo no Norte e no Nordeste. Parte dessa expansão está relacionada à movimentação de políticos entre partidos nos últimos quatro anos.
PP e Republicanos dobram o número de governos
PP e Republicanos passaram de dois para quatro governadores eleitos cada, reforçando a presença de partidos de direita e do campo conservador nos Executivos estaduais.
O Republicanos governará São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso. O resultado reúne três estados do Sudeste sob o comando da legenda, com Tarcísio de Freitas em São Paulo, Cleitinho Azevedo em Minas Gerais e Lorenzo Pazolini no Espírito Santo. Otaviano Pivetta ficará à frente do governo mato-grossense.
O PP, por sua vez, conquistou o Acre, o Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e a Paraíba. Foram eleitos Mailza Assis, Celina Leão, Eduardo Riedel e Lucas Ribeiro, respectivamente.
Considerados em conjunto, PL, PP e Republicanos comandarão 14 unidades da Federação, nas quais vivem cerca de 138 milhões de brasileiros — aproximadamente 64% da população do país, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.
União Brasil e MDB perdem espaço
Entre as principais perdas estão União Brasil e PSB. O União Brasil, que elegeu quatro governadores em 2022, não conquistou nenhum governo em 2026. Já o PSB passou de três estados para nenhum.
O MDB também sofreu retração: caiu de três governos conquistados em 2022 para apenas um, em Goiás, com Daniel Vilela.
O PSDB, que havia eleito três governadores em 2022, ficou com dois: João Henrique Caldas (JHC), em Alagoas, e Vicentinho Júnior, no Tocantins. O Podemos, por sua vez, conquistou seu primeiro governo estadual, no Pará, com Dr. Daniel.

Como fica o mapa dos governos estaduais
A partir de 2027, a distribuição partidária será a seguinte:
| Partido | Governos | Estados e Distrito Federal |
| PL | 6 | Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina |
| PSD | 5 | Amazonas, Amapá, Maranhão, Pernambuco e Sergipe |
| PT | 4 | Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte |
| PP | 4 | Acre, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Paraíba |
| Republicanos | 4 | Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo |
| PSDB | 2 | Alagoas e Tocantins |
| MDB | 1 | Goiás |
| Podemos | 1 | Pará |
Comparando o partido pelo qual cada governador foi eleito em 2022 com o partido do vencedor da eleição de 2026, 18 das 27 unidades da Federação mudaram de legenda no comando do Executivo estadual eleito. Em nove, o partido se manteve. A comparação considera a filiação partidária no momento de cada eleição, e não eventuais mudanças de partido durante o mandato.
Estados que mudaram de partido entre 2022 e 2026:
| Estado | Partido do eleito em 2022 | Partido do eleito em 2026 |
| Alagoas (AL) | MDB | PSDB |
| Amapá (AP) | Solidariedade | PSD |
| Amazonas (AM) | União Brasil | PSD |
| Distrito Federal (DF) | MDB | PP |
| Espírito Santo (ES) | PSB | Republicanos |
| Goiás (GO) | União Brasil | MDB |
| Maranhão (MA) | PSB | PSD |
| Mato Grosso (MT) | União Brasil | Republicanos |
| Mato Grosso do Sul (MS) | PSDB | PP |
| Minas Gerais (MG) | Novo | Republicanos |
| Pará (PA) | MDB | Podemos |
| Paraíba (PB) | PSB | PP |
| Paraná (PR) | PSD | PL |
| Pernambuco (PE) | PSDB | PSD |
| Rio Grande do Sul (RS) | PSDB | PL |
| Rondônia (RO) | União Brasil | PL |
| Roraima (RR) | PP | PL |
| Tocantins (TO) | Republicanos | PSDB |
Estados que mantiveram o mesmo partido:
| Estado | Partido em 2022 e 2026 |
| Acre (AC) | PP |
| Bahia (BA) | PT |
| Ceará (CE) | PT |
| Piauí (PI) | PT |
| Rio de Janeiro (RJ) | PL |
| Rio Grande do Norte (RN) | PT |
| Santa Catarina (SC) | PL |
| São Paulo (SP) | Republicanos |
| Sergipe (SE) | PSD |
Fonte: resultados eleitorais de 2022 e 2026.
A nova configuração mostra que a disputa presidencial e a estadual produziram mapas políticos distintos. Lula foi reeleito, mas os governos estaduais a partir de 2027 estarão distribuídos majoritariamente entre partidos de direita e centro-direita. O PT preserva quatro administrações, enquanto o crescimento do PL, do PSD, do PP e do Republicanos e as perdas do União Brasil, do PSB e do MDB redesenham a correlação de forças nos estados.
Além da orientação política dos governadores, essa distribuição terá efeitos concretos sobre as negociações entre os estados e o governo federal, especialmente em temas como segurança pública, saúde, educação, infraestrutura e financiamento de políticas públicas. Os resultados eleitorais definem os titulares dos Executivos, mas a capacidade de articulação de cada governo dependerá também das relações com as assembleias legislativas, as bancadas federais e a União.
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