Homenagem é simbólica e representativa, pois conecta diretamente a fé do povo brasileiro ao exemplo de humildade, diálogo e serviço ao próximo, características marcantes do Papa Francisco
Com o voto favorável da Bancada do PT, o plenário da Câmara aprovou na noite desta terça-feira (12/8), o projeto de lei (PL 1856/25), que denomina “Viaduto Papa Francisco” o viaduto localizado no km 2,3 da rodovia BR-488 em Aparecida (SP). Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), essa é uma justa homenagem ao Papa Francisco, que falava de paz para todos os povos. “O Papa Francisco que falou da casa comum, o Papa Francisco que teve uma participação tão intensa para dizer que era preciso acolher todas as pessoas que precisam de uma justiça neste mundo. Portanto, é justo que nós possamos denominar este viaduto com o nome do Papa Francisco”, defendeu.
A deputada relembrou que o Papa Francisco fez uma opção muito nítida para acolher a população mais necessitada, uma opção pelos pobres. “Por isso, esta Casa deve esta homenagem, uma homenagem ao que representa a paz, ao que representa o escutar o outro, ao que representa essa lógica que pressupõe uma profunda democracia”, argumentou.
Na avaliação do deputado Helder Salomão (PT-SP), homenagear o Papa Francisco é homenagear todos aqueles que acreditam em um mundo melhor, com mais justiça, com mais amor. “É uma justa homenagem ao Papa da paz, do diálogo inter-religioso e do diálogo ecumênico, o Papa dos pobres, o Papa da justiça social, do meio ambiente, o Papa que efetivamente trouxe a Igreja para o debate dos grandes problemas nacionais, internacionais e dos problemas da humanidade”, enfatizou.
Em defesa da vida
Ao defender a aprovação do projeto, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) enfatizou que o projeto tem um grande significado. Ele destacou a importância do Papa na defesa da vida e da agenda ambiental. Ele citou que hoje morre mais gente por causa das crises climáticas do que pelas guerras. “Papa Francisco lutou contra as desigualdades. Ele tinha uma grande admiração pelo presidente Lula porque o Brasil saiu duas vezes do Mapa da Fome durante os governos do PT e o Brasil também foi um dos países que mais lutou para implantar as sugestões do Papa em relação ao clima”, afirmou.
O deputado Reimont (PT-RJ) relembrou que se encontrou com o Papa Francisco por três vezes e recebeu uma recomendação em cada uma delas. “A primeira delas foi para não descuidar das crianças, a segunda para cuidar dos pobres e a última foi para defender sempre a justiça”, contou. Ele ainda acrescentou que a homenagem era muito simbólica e representava as pontes que o Papa Francisco construiu no mundo.
E a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) considerou que ter o nome do Papa Francisco em um viaduto era muito pouco diante do que Francisco fez e representou para o mundo. “Uma pessoa de fé, convicção e um grande defensor da paz”. Ela também citou as duas oportunidades que teve de estar com o Papa. Uma delas, foi no grande encontro com a juventude. “E foi uma das coisas mais linda que eu já participei, ele totalmente voltado para dar esperança a juventude brasileira. Ele falou de liberdade, democracia e falou sem medo em soberania”, contou.
BR-488
A BR-488, em São Paulo, é a principal via de acesso ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o maior centro de peregrinação católica do Brasil e da América Latina, destino de milhões de fiéis todos os anos. A escolha do nome “Viaduto Papa Francisco” é simbólica e representativa, pois conecta diretamente a fé do povo brasileiro ao exemplo de humildade, diálogo e serviço ao próximo, características marcantes do Papa Francisco. O texto aprovado segue para apreciação do Senado.
Perfil
O Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, em Buenos Aires, Argentina, foi o 266º Papa da Igreja Católica. Ele foi o primeiro papa latino-americano, o primeiro jesuíta no cargo, e o primeiro a escolher o nome Francisco. Conhecido por sua humildade, proximidade com os fiéis, e defesa da justiça social, ele foi uma figura influente tanto na igreja quanto no cenário global.
Francisco se destacou por seu estilo de vida simples e sua abordagem pastoral voltada para os mais vulneráveis. Promoveu reformas na Igreja, enfatizando o diálogo inter-religioso, a justiça social e a preocupação com os pobres e refugiados.
Foi um defensor da solidariedade e da justiça social, rejeitando a ostentação e buscando proximidade com os mais necessitados, sendo chamado de “bispo da favela” por seu trabalho em Buenos Aires. Também ajudou a restaurar as relações diplomáticas entre EUA e Cuba, e apoiou a causa dos refugiados em crises migratórias.
Ele faleceu em 21 de abril de 2025, aos 88 anos
Vânia Rodrigues
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