
A disputa eleitoral de 2026 assume um caráter estratégico para o futuro do Brasil. Trata-se de uma batalha que extrapola a escolha de um governo e coloca em confronto dois projetos antagônicos de país: de um lado, a continuidade do processo de reconstrução nacional iniciado em 2023; de outro, a retomada de um projeto subordinado aos interesses do imperialismo, representado pelas forças da extrema direita e pelos setores mais conservadores da burguesia brasileira.
O cenário internacional torna essa disputa ainda mais complexa. Em um momento de aprofundamento da crise do capitalismo e de intensificação da disputa geopolítica, o imperialismo, liderado pelos Estados Unidos, busca recompor sua capacidade de dominação sobre a América Latina, ampliando a pressão sobre governos comprometidos com a soberania nacional, a integração regional e políticas de desenvolvimento autônomo. Neste sentido, o Brasil volta a ocupar posição central na disputa geopolítica em razão de sua dimensão econômica, de sua liderança regional e do controle sobre recursos estratégicos, como a Amazônia, os minerais críticos, as terras raras e sua capacidade energética.
É nesse contexto que se reorganizam as forças da extrema direita brasileira. O bolsonarismo preservou sua capacidade de mobilização, fortaleceu sua presença institucional após a janela partidária e estruturou uma ampla rede de palanques estaduais em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro, buscando consolidar uma alternativa eleitoral competitiva. Ao mesmo tempo, outras candidaturas conservadoras, como a de Renan Santos, articulada com setores da nova direita, entre eles o MBL, disputam segmentos importantes da juventude e do eleitorado urbano. Diferentemente de momentos anteriores, não se observa a construção de uma candidatura de centro moderado capaz de polarizar com o bolsonarismo. Ao contrário, a tendência objetiva é que, caso haja segundo turno, as diferentes candidaturas da direita convirjam em torno da derrota de Lula.
Essa configuração exige uma compreensão clara da natureza da disputa. Nossa vitória dependerá da conjunção de fatores importantes, dentre eles: todos os esforços institucionais, assegurando o compromisso dos setores democráticos com a reeleição do presidente Lula. Assim como, a constituição de chapas competitivas e projetos estaduais robustos será decisiva para ampliar as condições eleitorais da candidatura. Entretanto, a experiência recente demonstra que a dimensão institucional, embora indispensável, não será suficiente para garantir a vitória.
A extrema direita recuperou capacidade de iniciativa em importantes temas da agenda política nacional mantendo sua base social ativa e engajada. A exploração permanente da pauta da segurança pública, a instrumentalização de episódios de desgaste envolvendo o governo e a disseminação de campanhas de desinformação permitiram ao bolsonarismo ocupar espaços relevantes no debate público.
Por essa razão, é necessário aumentar a contraposição com extrema direita e seus representantes na disputa de ideias durante as eleições, carimbá-los como os vendedores da pátria, recuperar as relações financeiras entre os Flávio Bolsonaro e o Banco Master envolvido num esquema de corrupção, relembrar o desmonte do governo bolsonaro em todas as áreas públicas do país como educação e saúde e assim por diante.
Além disso, nossa vitória dependerá da capacidade de falar de sonhos. Certamente apresentar o legado dos últimos quatro anos com políticas públicas importantíssimas é fundamental, mas não basta. Será necessário apresentar ao povo brasileiro uma perspectiva concreta de futuro, capaz de responder às angústias presentes e apontar um novo ciclo de desenvolvimento nacional. Esse novo ciclo exige enfrentar questões estruturais que limitam o desenvolvimento do país. Será necessário abrir o debate sobre a redução estrutural da taxa de juros, a revisão do arcabouço fiscal, a superação da lógica do déficit zero como princípio absoluto da política econômica e o enfrentamento do crescente sequestro do orçamento público pelo sistema financeiro. Da mesma forma, será indispensável defender uma reforma tributária progressiva que amplie a taxação sobre os super-ricos e permita expandir o investimento público em infraestrutura, ciência, tecnologia, indústria e capacidade produtiva nacional.
Ao lado da agenda econômica, torna-se central reafirmar o compromisso com a soberania nacional. A extrema direita representa um projeto de alinhamento aos interesses dos Estados Unidos e de enfraquecimento da capacidade brasileira de decidir soberanamente sobre seus recursos estratégicos, seu sistema financeiro, sua política tecnológica e seu patrimônio natural. Defender a soberania significa proteger os interesses nacionais sobre a Amazônia, os minerais críticos, as terras raras, o sistema de pagamentos brasileiro, a capacidade industrial e energética do país e sua autonomia. É o direito do povo brasileiro decidir seu destino.
Da mesma forma, a campanha deverá dialogar diretamente com as demandas concretas da população. Ampliar a pressão política e social pela aprovação do fim da escala 6×1 no Senado, o combate ao feminicídio, a ampliação dos direitos sociais, a valorização do trabalho, a proteção da economia popular e a melhoria das condições de vida precisam ocupar lugar central na disputa política. Nesse terreno, será possível ampliar a influência sobre parcelas do eleitorado ainda disputadas pela direita, especialmente entre os setores populares e a juventude.
Para as organizações políticas e dos movimentos sociais esse cenário impõe responsabilidades ainda maiores. A campanha da reeleição de Lula deve abrir caminho para a construção de um horizonte estratégico para o Brasil. Não basta defender o programa do governo; é necessário apresentar ao povo um Projeto Nacional de Desenvolvimento soberano, democrático e popular, capaz de combinar crescimento econômico, reindustrialização, soberania nacional, ampliação dos direitos e combate às desigualdades.
Estamos prestes a entrar na batalha de 2026 que será, ao mesmo tempo, eleitoral, ideológica e social. A derrota da extrema direita dependerá da capacidade de mobilizar amplos setores da sociedade em torno de um projeto nacional que devolva esperança ao povo brasileiro. Mais do que impedir o retrocesso representado pelo bolsonarismo, será preciso abrir caminho para um novo ciclo histórico de desenvolvimento, soberania e conquistas populares.
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