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Republicanos pressionam Trump pelo fim da guerra com Irã antes das eleições de novembro

A menos de seis semanas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, integrantes do Partido Republicano passaram a pressionar o presidente Donald Trump pelo fim da guerra contra o Irã. As manifestações partem de parlamentares e candidatos que disputam eleições e enfrentam o desgaste provocado pela alta dos combustíveis e pela rejeição de parte do eleitorado à continuidade das operações militares.

Levantamento publicado pela ABC News na sexta-feira (25/09) identificou ao menos 17 republicanos, entre congressistas que buscam a reeleição e candidatos ao Senado e a governos estaduais, que defenderam o fim do conflito, seja por meio de votações no Congresso para restringir os poderes de guerra do presidente, seja em declarações públicas e de campanha.

O movimento expõe divergências dentro do partido sobre a duração da intervenção militar e seus custos econômicos e políticos. Embora a maioria dos republicanos na Câmara dos Representantes continue apoiando a condução da guerra por Trump, parlamentares de distritos eleitorais disputados começaram a mudar de posição em votações sobre os poderes presidenciais para manter as operações.

Em 15 de setembro, os deputados republicanos Zach Nunn e Mariannette Miller-Meeks, ambos representantes de Iowa, votaram a favor de uma resolução que buscava limitar a capacidade de Trump de continuar as operações militares sem autorização do Congresso. Os dois haviam votado anteriormente contra medidas semelhantes.

Nunn justificou a mudança argumentando que a continuidade dos combates exigia uma decisão formal do Legislativo. “Com a janela de negociação encerrada, operações de combate sustentadas agora exigem autorização do Congresso”, escreveu o deputado nas redes sociais, segundo notícia da Associated Press. Ele acrescentou que não apoiaria outra guerra sem prazo definido.

Miller-Meeks, por sua vez, defendeu que o presidente apresentasse ao Congresso e à população um plano para encerrar o conflito. “Os norte-americanos não querem outra guerra sem fim”, afirmou. A deputada também relacionou a permanência das tropas ao aumento dos gastos com combustíveis, que afeta diretamente os moradores de seu estado.

A mudança de posição ocorreu apesar de ambos terem apoiado anteriormente a ofensiva contra o Irã. Outros republicanos também manifestaram preocupação com a duração da guerra. O deputado Tom Barrett, do Michigan, afirmou que tem ouvido questionamentos crescentes entre integrantes de seu partido sobre a expansão das operações sem autorização do Congresso.

Ainda assim, a maioria dos republicanos na Câmara rejeitou a resolução de 15 de setembro, demonstrando que a pressão pelo encerramento da guerra não se traduziu em uma ruptura generalizada com a Casa Branca.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada na segunda-feira (21/09) encontrou aprovação de apenas 34% dos entrevistados para os ataques contra o Irã. O levantamento também registrou aprovação geral de 32% para Trump, então o menor índice de seu mandato, e uma vantagem de oito pontos percentuais dos democratas sobre os republicanos na preferência dos eleitores registrados para as eleições legislativas: 43% a 35%.

Candidatos pedem retirada das tropas

A pressão também chegou às campanhas ao Senado e aos governos estaduais. Em Michigan, Mike Rogers, candidato republicano ao Senado e ex-deputado federal, passou a defender o encerramento rápido do conflito. Em Iowa, a deputada Ashley Hinson, que disputa uma vaga no Senado, também se pronunciou sobre a necessidade de concluir a guerra.

Segundo a Reuters, os dois candidatos passaram a defender o fim das operações em meio à preocupação com os custos econômicos do conflito e à queda da aprovação de Trump. Rogers já havia apoiado a ação militar do presidente, enquanto Hinson havia votado contra medidas destinadas a restringir seus poderes de guerra.

Em Wisconsin, o deputado federal Tom Tiffany, candidato republicano ao governo estadual, afirmou em entrevista à emissora WISN que era hora de encerrar a participação norte-americana no conflito.“É hora de seguir em frente”, disse Tiffany, segundo a ABC News. Ele argumentou que as instalações nucleares e as forças militares iranianas já haviam sofrido danos e defendeu o retorno dos militares norte-americanos para que o governo pudesse se concentrar em questões internas.

presidente dos EUA, Donald Trump
Republicanos defendem que Trump encerre guerra insatisfação dos eleitores
Official White House / Joyce N. Boghosian

No Senado, o republicano John Husted, de Ohio, também defendeu uma conclusão rápida da guerra. “A guerra precisa chegar ao fim o mais rápido possível para que possamos reduzir os preços da gasolina”, afirmou, em declaração reproduzida pela ABC News. Apesar da declaração, Husted votou contra a resolução que buscava restringir os poderes de guerra de Trump.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, aliado de Trump, reconheceu em agosto que um acordo para encerrar o conflito antes das eleições seria politicamente conveniente para seu partido. Questionado pela Fox News sobre a possibilidade de os republicanos manterem o controle da Câmara caso a guerra continuasse até novembro, Johnson respondeu que acreditava que isso seria possível. Em seguida, admitiu que “seria útil resolver essa questão” antes da votação de 3 de novembro.

Johnson manteve o argumento de que a ofensiva era necessária para impedir que o Irã desenvolvesse uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, sua declaração evidenciou a preocupação da liderança republicana com os efeitos da guerra sobre a disputa pelo controle do Congresso.

A posição de Johnson contrasta com a expectativa expressa por Trump em setembro. Durante um evento nacional do Partido Republicano em Dallas, o presidente afirmou que a guerra terminaria “muito pouco tempo depois da eleição”, segundo reportagem do Washington Post publicada em 10 de setembro.

A declaração sinalizou que a Casa Branca não assumia o compromisso de encerrar as operações antes da votação. Ao vincular o fim do conflito a um momento posterior às eleições, Trump também manteve a guerra no centro do debate eleitoral, em vez de afastá-la da campanha.

Alta dos combustíveis amplia o desgaste político

O aumento dos preços da energia está entre os principais fatores que ajudam a explicar a pressão de candidatos republicanos pelo fim da guerra. O conflito afeta o mercado internacional de petróleo, enquanto as interrupções no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz ampliam as preocupações com o abastecimento e os custos de transporte.

A alta do diesel tem repercussões sobre o setor agrícola, o transporte de mercadorias e os preços de outros produtos. Em estados como Iowa, onde a atividade agrícola tem peso econômico e eleitoral, o encarecimento do combustível tornou-se um tema particularmente sensível.

Reportagem da ABC News publicada na sexta-feira apontou que os preços do diesel haviam subido quase 60% desde o início do conflito, no fim de fevereiro. O aumento reforçou as críticas de candidatos republicanos que precisam defender suas posições diante de eleitores preocupados com o custo de vida.

A controvérsia também envolve os limites constitucionais da autoridade presidencial para conduzir operações militares sem autorização explícita do Congresso. Os parlamentares favoráveis às resoluções argumentam que a continuidade de operações prolongadas exige participação do Legislativo. A Casa Branca, por sua vez, sustenta que mantém comunicação com os congressistas e que o objetivo da campanha militar é impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

Em entrevista à CNN, em 26 de setembro, o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que seu partido havia conseguido aprovar três resoluções sobre poderes de guerra destinadas a encerrar as operações no Irã. Ele defendeu a continuidade dos esforços legislativos para interromper o conflito.

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