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Revelando expõe interesses dos EUA e alerta para disputa por riquezas brasileiras

O sexto episódio da série Revelando, que estreou nesta sexta (16), coloca no centro do debate a disputa internacional pelas riquezas estratégicas do Brasil e os interesses dos Estados Unidos sobre minerais críticos, petróleo e biodiversidade. Apresentado pelo ator Wagner Moura, Pátria Submissa sustenta que a crescente pressão de Washington sobre o Brasil não pode ser dissociada da corrida mundial por recursos essenciais às novas tecnologias e à transição energética.

O episódio também apresenta uma entrevista exclusiva com o general Santos Cruz, militar de três estrelas e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Identificado politicamente com a direita, o general faz críticas contundentes ao que chama de “submissão voluntária” de setores da direita brasileira aos interesses norte-americanos.

Terras raras colocam o Brasil no centro da disputa

A reportagem destaca a dimensão estratégica das terras raras. Segundo os dados apresentados no programa, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial, atrás apenas da China. Esses minerais são utilizados em celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, mísseis e drones.

A concentração das reservas em poucos países transformou o controle desses recursos em uma questão geopolítica. A China domina tanto as reservas quanto o processamento mundial, enquanto os Estados Unidos dependem fortemente das importações chinesas.

É nesse contexto que o episódio chama atenção para o avanço de empresas norte-americanas sobre projetos brasileiros. Entre os exemplos citados estão a atuação da Energy Fuels no sul da Bahia e a aquisição da Serra Verde, em Goiás, pela norte-americana USA Rare Earth.

O programa também destaca o nióbio, cuja produção brasileira representa a maior parte da oferta mundial, e o grafite, utilizado na fabricação de baterias e equipamentos eletrônicos.

A questão central levantada por Wagner Moura não é se o Brasil deve explorar suas riquezas, mas em que condições essa exploração ocorrerá e quem ficará com a maior parte do valor produzido.

A reportagem ressalta que uma legislação sancionada em setembro estabeleceu regras para a exploração de minerais críticos, vinculando a atividade aos princípios da soberania e do interesse nacional e buscando impedir que o país se limite a exportar minério bruto, sem agregar valor, empregos e tecnologia em território brasileiro.

A estratégia de pressão de Trump

O episódio procura estabelecer um paralelo entre a situação brasileira e acordos firmados ou negociados pelos Estados Unidos com outros países.

São apresentados casos envolvendo Ucrânia, Venezuela, Irã, Colômbia e Argentina. A tese defendida pelo programa é que Washington utiliza diferentes instrumentos — guerra, sanções, tarifas, pressão econômica ou apoio político — para ampliar sua influência e garantir acesso privilegiado a recursos estratégicos.

No caso brasileiro, o programa recupera a tarifa de 50% anunciada pelo governo Donald Trump e uma lista de exigências atribuída aos Estados Unidos nas negociações com o Brasil.

Entre os pontos destacados estão reivindicações relacionadas a minerais críticos, investimentos estrangeiros e empresas chinesas. O episódio também menciona a tentativa de pressionar o Brasil em relação ao Pix.

Segundo a reportagem, o governo Lula rejeitou as exigências e classificou a lista como “arquivo morto”. Na avaliação apresentada pelo programa, a resistência brasileira ganha dimensão ainda maior diante da disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de cadeias estratégicas de minerais e tecnologias.

A direita brasileira e a “submissão voluntária”

É nesse ponto que Pátria Submissa desloca o foco da pressão externa para os brasileiros que, segundo o programa, estariam ajudando a abrir espaço para os interesses de Washington.

Wagner Moura cita Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, André Marinho e pessoas ligadas à Rockbridge. O episódio estabelece conexões entre declarações públicas, documentos, relações políticas e iniciativas empresariais para sustentar a hipótese de que existe uma articulação de setores da direita brasileira em torno de uma aproximação subordinada aos Estados Unidos.

Um dos elementos destacados é uma declaração de Flávio Bolsonaro durante uma conferência do CPAC, nos Estados Unidos, na qual o candidato afirma que o Brasil seria a “solução da América” para reduzir a dependência norte-americana da China em minerais críticos, especialmente terras raras.

O programa também aborda o documento Prosperity Partnership, atribuído a André Marinho, apresentado como uma proposta de parceria entre um eventual governo Flávio Bolsonaro e os Estados Unidos para exploração de minerais críticos brasileiros.

A reportagem relaciona ainda empresários e fundos norte-americanos a projetos envolvendo terras raras na Bahia. O objetivo é mostrar como interesses políticos e econômicos podem convergir em torno de uma mesma cadeia estratégica.

General Santos Cruz critica “submissão voluntária”

A entrevista com Santos Cruz é o principal contraponto político do episódio. Embora se identifique como homem de direita e tenha integrado o governo Bolsonaro, o general rejeita a identificação entre a direita e o extremismo bolsonarista.

Para ele, o problema não é simplesmente a influência estrangeira, mas a disposição de brasileiros em aceitar uma posição subordinada diante de outro país.

Santos Cruz critica especialmente políticos brasileiros que aparecem ao lado de Donald Trump usando o boné do movimento Make America Great Again. Na avaliação do general, essas imagens simbolizam uma relação de subalternidade incompatível com a defesa da soberania nacional.

Questionado sobre a possibilidade de o Brasil se transformar em uma colônia dos Estados Unidos, Santos Cruz afirma que isso não ocorreria pela força, mas poderia acontecer caso houvesse dentro do país “um apoio quase incondicional” e “subalterno” aos interesses norte-americanos.

Sobre as terras raras, sua posição é igualmente direta: o Brasil não deveria exportar esses recursos estratégicos simplesmente como minério bruto, mas utilizar sua riqueza mineral para desenvolver sua própria economia.

A disputa é sobre quem controlará a riqueza brasileira

Na conclusão, Wagner Moura amplia a discussão para além das terras raras. O apresentador lembra que o Brasil reúne uma combinação excepcional de recursos naturais, biodiversidade e potencial científico e tecnológico.

O argumento central é que a riqueza brasileira pode transformar o país em um dos grandes beneficiários das próximas décadas — desde que o controle das cadeias produtivas permaneça associado aos interesses nacionais.

A pergunta deixada pelo episódio é, portanto, essencialmente política: quem controlará essa riqueza — o Brasil ou interesses estrangeiros?

Nesse sentido, Pátria Submissa apresenta a eleição brasileira também como uma disputa sobre o projeto de desenvolvimento e o grau de soberania econômica do país. De um lado, coloca a política de defesa dos recursos estratégicos e de agregação de valor em território nacional; de outro, alerta para propostas que poderiam ampliar a dependência externa.

A advertência final de Santos Cruz resume a preocupação que atravessa todo o episódio: um país com as dimensões e os recursos do Brasil dificilmente seria submetido pela força. O risco, segundo o general, estaria na possibilidade de que a própria política brasileira abra a porta para essa submissão.

Revelando é produzida por um coletivo composto pela equipe do Calma Urgente, sob a liderança de Alessandra Orofino. A produção é realizada em parceria com as seguintes organizações e coletivos: Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Mídia Ninja, 342 Artes e The Intercept Brasil (que também atua no apoio de distribuição).

Lançado em setembro de 2026, o projeto de reportagens especiais investiga temas políticos, sociais e financeiros urgentes do Brasil. Cada episódio traz uma personalidade diferente na apresentação — como Fábio Porchat, Juliette, Luana Piovani, Camila Pitanga e Samara Felippo.

Assista a íntegra do documentário:

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