
Com as eleições de 2026, ao menos dois estados brasileiros deverão ter um governo-tampão: o Rio Grande do Norte e o Rio de Janeiro. A situação ocorre devido ao fato de os titulares do cargo terem que sair até abril para disputar outro cargo e os vice-governadores também almejarem novos postos.
Dessa maneira, a eleição para um mandato-tampão, entre abril e o início do próximo ano, quando os novos eleitos assumem, deverá ser realizada de maneira indireta pelas Assembleias Legislativas de cada estado.
Rio Grande do Norte
No estado do Nordeste, a governadora Fátima Bezerra (PT) deverá fazer a descompatibilização do cargo, de acordo com o calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para concorrer a uma vaga ao Senado. Ela já está no segundo mandato e não poderia concorrer à reeleição.
Já o vice-governador, Walter Alves (MDB), pretende concorrer a uma vaga para deputado estadual no Rio Grande do Norte.
Rio de Janeiro
No estado do Sudeste, a eleição indireta também está nos planos. O governador Cláudio Castro (PL) quer, assim como Fátima, uma vaga ao Senado por seu estado.
Mas, diferente do Rio Grande do Norte, a escolha de um governador-tampão no Rio de Janeiro se deve à falta de um vice. Desde maio do ano anterior, o ex-vice, Thiago Pampolha, deixou o cargo ao assumir uma vaga no TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro).
Além disso, o próximo na linha sucessória, o atual presidente da Alerj, não pode assumir por ser interino no cargo. O deputado Guilherme Delaroli (PL) ocupa o posto provisoriamente por conta de o ocupante anterior, Rodrigo Bacellar (União), ter renunciado após ter sido detido por suspeita de vazar informações confidenciais da Polícia Federal (PF) para TH Joias, ex-deputado preso acusado de lavar dinheiro para o Comando Vermelho.
Com este imbróglio na política fluminense, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, assume interinamente o governo quando Castro sair e deverá convocar a eleição indireta em até 30 dias.
Na última quarta-feira (11), a Alerj definiu as regras para a eleição indireta, que pode contar com postulantes que não sejam deputados. Os candidatos poderão se descompatibilizar de eventuais cargos que ocupem no Executivo até 24 horas antes da eleição indireta feita pelos deputados estaduais. Os votos serão abertos.
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Apesar dessa deliberação, a oposição ao governador observa que esta é uma ‘rota de fuga’. Parlamentares enxergam que a movimentação da Alerj visa beneficiar o grupo de Cláudio Castro.
Ele ainda pode ser cassado pelo TSE, o que o faria perder o cargo e se tornar inelegível. Com isso, uma eleição direta seria convocada, beneficiando toda a população do estado com a escolha do “governador-tampão”.
Porém, da forma como os fatos se configuraram, Castro poderia renunciar ao mandato antes de ser cassado pelo TSE, inviabilizando a ação da Corte e mantendo a eleição indireta, em benefício de seus aliados.
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