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Robôs humanoides inauguram nova etapa da fábrica automatizada na China

Com a entrega de cem robôs Walker S2 para empresas como BYD, FAW-Volkswagen e Foxconn, em novembro de 2025, a UBTECH Robotics inaugura uma nova etapa na fábrica automatizada do século XXI. As imagens divulgadas pela empresa, exibindo filas de robôs humanoides marchando em perfeita sincronia, rapidamente viralizaram e provocaram polêmica: especialistas levantaram dúvidas sobre sua veracidade, sugerindo o uso de computação gráfica. A própria UBTECH, no entanto, defendeu publicamente a autenticidade das imagens e reforçou que todo o material retrata robôs reais, reafirmando o marco de sua engenharia.

São máquinas projetadas para operar continuamente, dotadas de inteligência artificial e já envolvidas em contratos que superam US$ 100 milhões. O plano da empresa prevê saltar de cem unidades para 5 mil entregues em 2026 — movimento amparado por alto grau de automatização, expansão de plantas e políticas industriais pró-robótica em Shenzhen.

Impactos sociais e econômicos da automação

A adoção precoce desse modelo no maior parque industrial do mundo acende dúvidas sobre os desdobramentos no emprego, na renda e no consumo. Segundo especialistas, porém, o impacto do robô humanoide deve ser entendido mais como um processo de reconfiguração do que mera substituição do trabalhador humano.

No caso chinês, a inovação se encaixa em uma estratégia nacional de modernização coordenada, como explica o professor Elias Jabbour, economista da UERJ: a automação integra uma política de elevação tecnológica, expansão da economia digital e fortalecimento institucional, desenhada para liberar trabalhadores de tarefas repetitivas e transferi-los para funções de maior valor agregado. “No socialismo de mercado chinês, o Estado desempenha papel fundamental em amortecer possíveis efeitos negativos, oferecendo qualificação e redesenhando setores capazes de absorver a mão de obra deslocada.” Jabbour observa que, diferente de países com menor capacidade institucional, “a China busca transformar ganhos de produtividade em expansão do consumo e dos serviços públicos, mantendo o dinamismo do mercado interno”.

Tecnologia em países periféricos tende a substituir trabalhadores

Essa lógica, entretanto, não se repete uniformemente. Para o professor Euzébio Jorge Silveira de Sousa, da UFRJ, é preciso ver esse avanço com certo ceticismo. Países periféricos como o Brasil enfrentam restrições estruturais para a adoção intensa de robótica avançada. “A difusão de novas tecnologias em ambientes muito desiguais pode ampliar vulnerabilidades já bem conhecidas”, destaca Euzébio. No Brasil, por exemplo, a substituição de tarefas repetitivas por máquinas não ocorre na mesma velocidade dos países centrais. “Baixos níveis de fiscalização e alta participação do trabalho sub-remunerado dificultam a absorção produtiva e social da automação”, explica.

O professor adverte, contudo, que quando superadas as dificuldades de entrada, “a tecnologia tende a ser empregada mais para substituir trabalhadores do que para complementar tarefas”. Assim, os robôs humanoides que hoje protagonizam reportagens e vídeos virais sinalizam tanto para os avanços da manufatura chinesa quanto para as diferenças globais em curso. No limite, o desafio será adaptar políticas públicas e estruturas econômicas para que a robotização atue como vetor de desenvolvimento, e não como ameaça à inclusão e ao bem-estar social.

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