Notícias

RS terá novas casas de acolhimento para mulheres em Porto Alegre e Caxias do Sul

O Rio Grande do Sul vai ganhar dois novos locais de acolhimento para mulheres em situação de violência sexual e doméstica. Um em Porto Alegre, com recursos previstos de R$ 19 milhões e aguardando terreno para a construção do prédio, e outro em Caxias do Sul, no qual serão investidos R$ 9,5 milhões e está em fase de operação do projeto. Serão duas unidades da Casa da Mulher Brasileira, que já tem 11 espaços no país. O anúncio foi feito pela Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante a manhã desta sexta-feira (11), na Assembleia Legislativa.

Leia mais:
Comissão que investiga feminicídios no RS apresenta plano de trabalho ao governador
Na primeira década de Lei, RS registrou quase mil feminicídios

Em Caxias do Sul, a Casa da Mulher Brasileira será construída no bairro Sanvitto em um terreno que atende aos critérios definidos pelo governo federal – como área mínima de 2.800 m² para a estrutura total. Quanto à implantação do projeto na Capital, a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) está em diálogo com a Prefeitura para definir um terreno que atenda aos critérios estabelecidos. No mês passado, foi realizada, na SJCDH, uma reunião de trabalho com os poderes e as instituições envolvidos.

Márcia Lopes pediu a integração do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher às pautas do ministério, antecipando que esse seria um dos temas a tratar na audiência que teria em seguida governador Eduardo Leite (PSD).

A ministra afirmou que é propósito do presidente Lula a articulação de todos os espaços institucionais e políticos para assegurar o protagonismo das mulheres no país. “Temos que interromper esse ciclo de violência”, declarou, ao afirmar que isso será viabilizado através de políticas públicas que assegurem a autonomia das mulheres, em conjunto com os governos estaduais e municipais, para mudar os indicadores de violência.

Ações integradas de prevenção

O evento que levou a ministra à Assembleia nesta sexta-feira foi a apresentação dos planos de trabalho da casa legislativa gaúcha e da Câmara Federal a fim de diagnosticar e propor políticas públicas para enfrentar os crescentes crimes de feminicídio no RS. O estado ocupa a quinta posição em mortes com viés de gênero no país. As iniciativas foram expostas também ao presidente da Assembleia, deputado Pepe Vargas (PT), a autoridades do sistema judiciário, de órgãos estaduais e movimentos sociais.

Foi realizada a assinatura de Protocolo de Intenção entre o Ministério das Mulheres do Brasil, o Grupo Hospitalar Conceição e outras instituições gaúchas, para ações integradas de prevenção em todas as formas de violência baseada em gênero e a erradicação dos feminicídios. Em seguida, a ministra Márcia e as demais autoridades foram até o Palácio Piratini para audiência com o governador. O documento foi foi levado à audiência para a assinatura de Leite.

 

Ministra Márcia Lopes assina o Protocolo de Intenção entre o Ministério das Mulheres do Brasil, o Grupo Hospitalar Conceição e outras instituições gaúchas. Fotos: Lucas Kloss / ALRS

Em abril deste ano, o Parlamento gaúcho foi o primeiro órgão legislativo do país – e o único no Estado – a aderir formalmente à campanha nacional Feminicídio Zero – Nenhuma violência contra a mulher será tolerada, iniciativa do Ministério das Mulheres. Agora, as duas frentes legislativas têm o propósito de avançar no sentido de diagnosticar com precisão as causas dos feminicídios no estado e apurar o padrão das políticas públicas estaduais em curso para enfrentar o cenário de violência. De janeiro a junho de 2024, foram 36 feminicídios consolidados no RS.

Reabertura da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres

Com um painel ao fundo contendo fotos de mulheres vítimas do crime de gênero no estado este ano, as deputadas estaduais e federais discorreram sobre as ações planejadas para alinhar o enfrentamento à essa violência.

Leia mais:
Após série de feminicídios, Estado anuncia medidas de enfrentamento à violência doméstica

A deputada Bruna Rodrigues (PCdoB), que é a Procuradora Especial da Mulher da Assembleia, relatou a ação política que liderou no Legislativo para conseguir que o governo estadual retome a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres. Na reunião com a ministra Márcia, Leite anunciou o envio à Assembleia Legislativa do projeto de lei que cria novamente a pasta. “Recebemos o apelo das parlamentares e compreendemos a importância de uma estrutura dedicada exclusivamente à articulação das políticas para as mulheres, que são naturalmente transversais, passando por áreas como saúde, segurança, habitação, assistência e economia”, afirmou o governador.

Stela Farias (PT), que coordena a Força-Tarefa de Combate aos Feminicídios da Assembleia Legislativa, destacou os seis eixos que têm o propósito de prevenir, responsabilizar os agressores e proteger as mulheres gaúchas.

A parlamentar alertou para a urgência de ações articuladas nas diferentes regiões do estado, além de uma exposição itinerante relatando a história das 11 mulheres mortas no estado apenas no período da Páscoa. Stela sugere a criação do Observatório da ALRS sobre os feminicídios.

 

Fotos: Lucas Kloss / ALRS

A coordenadora da Comissão Externa Especial da Câmara Federal para estudar os feminicídios no RS, deputada Fernanda Melchionna (PSOL), representou as seis parlamentares federais gaúchas e observou a importância da prevenção para romper o ciclo de violência, uma vez que apenas 40% das vítimas de feminicídios haviam buscado ajuda nos órgãos do Estado. A deputada alertou que, sem orçamento, é difícil efetivar as medidas urgentes apontadas pelos trabalhos das parlamentares.

A relatora da Comissão Especial, deputada Maria do Rosário (PT) pediu a integração das duas propostas legislativas apresentadas hoje, para que funcionem em sintonia e focadas na busca de resultados. “A partir do diagnóstico das causas das mortes dessas mulheres por feminicídio, serão encontrados caminhos para as políticas públicas”, observou, ao expor o plano que prevê a integração de órgãos federais, estaduais e municipais para ações conjuntas.

O post RS terá novas casas de acolhimento para mulheres em Porto Alegre e Caxias do Sul apareceu primeiro em Sul 21.