
A extrema direita contava com o desânimo. No entanto, a pesquisa PoderData/AYA divulgada nesta quinta-feira (22) mostra que o desânimo não veio. Muito pelo contrário: a três dias do segundo turno, o presidente Lula (PT) cresce, Flávio Bolsonaro (PL) cai, e a diferença entre os dois candidatos é de apenas 1 ponto percentual. Nos votos válidos, são 50,5% para o candidato do PL e 49,5% para Lula. Na rodada de segunda-feira (19), era 52% a 48%.
A diferença está nos números sem arredondamento. Na divulgação oficial, o PoderData apresentou os resultados em percentuais inteiros, de 51% para Flávio e 49% para Lula, indicando uma distância de 2 pontos. Mas os percentuais com uma casa decimal revelam uma disputa ainda mais apertada: 50,5% a 49,5%, apenas 1 ponto percentual de diferença.
É empate técnico, como mostra o próprio levantamento. A margem de erro é de 1,6 ponto percentuais. Foram ouvidas 4.000 pessoas, e a pesquisa está registrada no TSE (BR-07926/2026).
O movimento acontece quando o eleitor vê com mais clareza o que está em jogo. Aliados de Flávio Bolsonaro dizem ter mais de 200 decretos prontos para assinar, a maioria sobre leis trabalhistas. O trabalhador que depende do salário, das férias e do 13º tem motivos de sobra para pensar duas vezes antes de escolher a extrema-direita como representante.
A candidatura bolsonarista chega ao fim da campanha na defensiva. A curva de três dias mostra que ela perde força quando o debate sai do ruído e chega à vida concreta (ou no bolso) do povo brasileiro.
O “Exército do Lula” e o trabalho de Janones
A mobilização digital tem nome e sobrenome. O deputado federal André Janones (Rede-MG) criou o canal “Exército do Lula” no WhatsApp no início da campanha de segundo turno, e ele saltou de cerca de 50 mil para quase 2 milhões de seguidores em dois dias. O canal passou dos 4 milhões na semana passada. E hoje já são quase 8 milhões de “soldados.”
O trabalho de Janones fez o que a militância precisava: transformou apoiadores em agentes de comunicação, com cada seguidor levando mais gente e espalhando o material. Desesperada, a direita reagiu tentando silenciar o canal. A pedido da campanha do “herdeiro do bolsonarismo”, ele chegou a ser suspenso pela presidência do TSE, mas voltou a funcionar. A pesquisa não mede o efeito do canal, mas o Poder360 apontou em sua análise que a recuperação de Lula veio com a mobilização das ruas e a ofensiva digital. Dar fôlego à campanha é isso.
A rejeição de Lula cede e a de Flávio sobe
O PoderData mostra ainda que 46% dos eleitores dizem que Lula é o único em quem votariam, um aumento de 4 pontos. A rejeição ao presidente é de 47%. A de Flávio subiu de 44% para 45% em três dias. No segundo turno, quando o eleitor dos candidatos derrotados precisa escolher, é a rejeição que decide.
Mulheres e Nordeste: Lula é maioria
Entre as mulheres, Lula tem 55% das intenções de voto, contra 41% de Flávio. No Nordeste, são 64%. O Sudeste, maior colégio eleitoral do país, é o terreno em disputa: Flávio tem 52% e Lula, 43%.
O voto está definido, e o desânimo é o adversário
Ainda de acordo com a análise, 94% dos eleitores de Lula não pretendem mudar de candidato, e só 6% do eleitorado admitem trocar de voto até domingo. Com tão pouco voto a conquistar, a eleição será decidida pelo comparecimento. No primeiro turno, a abstenção foi de 21,08%, um recorde: 33,4 milhões de eleitores ficaram em casa. E 52% dos entrevistados pelo PoderData acham que Flávio vai ganhar, contra 42% que apostam em Lula. A tese de que “já está decidido” interessa a quem quer o eleitor do povo longe da urna.
O que a reta final pede de Lula
A campanha chega ao último fim de semana com o vento a favor, e o momento exige iniciativa.
- Falar de vida concreta. O Poder360 observa que o debate da TV Band foi tomado por ataques, como a gente bem sabe, e com pouco espaço para propostas. Lula tem o que o bolsonarismo não tem: um projeto de país e uma gestão para mostrar. Emprego, renda, programas sociais e salário no bolso devem ocupar cada fala, post ou vídeo até domingo.
- Transformar a rede em voto. Os milhões do “Exército do Lula” precisam virar operação de comparecimento: lembrar a seção, organizar carona, levar vizinho, parente e colega.
- Falar com as mulheres. São a base mais sólida da candidatura, com 14 pontos de vantagem. Vale agenda direta com elas nos últimos dias, com compromissos claros.
- Entrar no Sudeste. É onde estão os votos que faltam. Presença nas periferias e nas cidades médias, com caminhadas e comícios.
- Derrubar a narrativa do favorito. Enquanto metade do eleitorado acha que Flávio ganha, a militância precisa ouvir que a eleição está aberta e que cada voto conta.
Em três semanas, o povo já mostrou que sabe virar jogo. O resultado não está dado: está nas mãos de quem for votar no domingo.
__
O post Rumo à virada: diferença cai de 4 para 1 ponto em apenas 3 dias, diz PoderData apareceu primeiro em Vermelho.