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Sánchez assume liderança europeia contra guerra de Trump no Irã

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, tornou-se a principal voz de contestação dentro da União Europeia contra a guerra de agressão conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. 

Desde o início dos ataques do último sábado (28), Sánchez tem classificado a ofensiva como uma violação do direito internacional e uma “intervenção militar injustificada e perigosa”.

O premiê também decidiu impedir que aviões militares norte-americanos utilizem bases espanholas para operações contra Teerã – movimento que provocou reação direta do presidente Donald Trump, que ameaça cortar relações comerciais com o país europeu.

“Não vamos ser cúmplices de algo que é prejudicial ao mundo e contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo de represálias de quem quer que seja”, disse Sánchez.

“A Espanha está com a Carta das Nações Unidas. Está com o direito internacional e, portanto, com a paz.”

O governo espanhol informou que instalações como as bases aéreas de Rota e Morón de la Frontera não poderão ser utilizadas para apoiar operações militares contra o Irã, limitando seu uso apenas a atividades compatíveis com o direito internacional.

A restrição foi confirmada pela ministra da Defesa, Margarita Robles. Segundo ela, tropas norte-americanas estacionadas nas duas instalações devem operar “dentro do marco do direito internacional”, e as bases não poderão oferecer apoio logístico ou operacional aos ataques contra o Irã.

Há um consenso na comunidade internacional de que a guerra de agressão de Estados Unidos e Israel é ilegal, por assassinar um líder político de um país soberano, por não ter autorização do Conselho de Segurança da ONU para bombardear um Estado membro das Nações Unidas e por violar a soberania territorial iraniana.

Robles afirmou ainda que as instalações espanholas não participaram da ofensiva lançada no sábado e tampouco serão utilizadas para operações de manutenção ou suporte militar relacionadas ao conflito.

Dados do site de rastreamento FlightRadar24 indicam que, no fim de semana, mais de uma dezena de aeronaves militares norte-americanas deixaram as bases de Rota e Morón. Parte delas foi deslocada para a base aérea de Ramstein, na Alemanha.

Segundo o governo espanhol, a decisão de restringir o uso das bases foi comunicada aos aliados e segue a posição defendida por Madri desde o início da crise: oposição à escalada militar e defesa de uma solução diplomática.

O posicionamento espanhol também foi levado à reunião de emergência de chanceleres da União Europeia realizada no domingo.

De acordo com relatos diplomáticos divulgados pela imprensa europeia, a Espanha defendeu que o bloco reconhecesse a violação do direito internacional provocada pelos ataques e criticasse o que chamou de “duplo padrão” na aplicação da Carta das Nações Unidas.

Após o encontro, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que o papel da União Europeia diante da crise deve ser promover “desescalada, diálogo, diplomacia e negociação”.

As posições de Sánchez, no entanto, provocou reação direta do líder imperialista, Donald Trump. Em coletiva na Casa Branca ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente norte-americano criticou o governo espanhol e afirmou que os Estados Unidos poderiam interromper suas relações comerciais com o país.

Trump também declarou que Washington não dependeria da autorização de Madri para utilizar bases militares situadas em território espanhol, uma ameaça a soberania espanhola e de um estado membro da Otan.

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