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Saúde no campo fortalece cuidado coletivo com ervas medicinais e saberes populares no MST em MG

Foto: Alí Nacif

Por Alí Nacif
Da Página do MST

A saúde no campo é construída a partir da terra, do trabalho coletivo e dos saberes populares. Nos territórios do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Minas Gerais, o cuidado vai além do tratamento das doenças. Ele está presente na prevenção, na alimentação, na escuta e no conhecimento das ervas medicinais, preservado por gerações e colocado em prática todos os dias pelas famílias Sem Terra.

Em um cenário em que a população do campo enfrenta dificuldades históricas para acessar os serviços públicos de saúde, o MST organiza ações que fortalecem o cuidado dentro dos próprios territórios. O setor de Saúde do MST acompanha as famílias, orienta os moradores, realiza a aferição da pressão arterial, o controle da glicemia e desenvolve práticas que valorizam a medicina popular, como um cuidado complementar ao atendimento realizado pela rede pública.

O uso das ervas medicinais faz parte da história dos povos do campo e da agricultura familiar camponesa. Muito antes da industrialização dos medicamentos, o conhecimento sobre plantas era utilizado para prevenir doenças, aliviar sintomas e fortalecer a saúde das famílias. Nos territórios do MST, esses saberes seguem presentes e caminham ao lado da defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), reafirmando que a medicina popular e a saúde pública atuam de forma complementar na garantia do direito à saúde.

Fotos: Alí Nacif

No acampamento, a saúde também passa pela escuta. Antes mesmo de qualquer procedimento, existe o acolhimento entre companheiros e companheiras, fortalecendo vínculos e criando um ambiente onde o cuidado acontece de forma coletiva.

A coordenadora do setor de Saúde do MST em MG, Nazaré explica que esse trabalho faz parte da rotina do território.

“Aqui a saúde no campo é cuidar dos companheiros com água saborizada, chás e com a escuta. Muitas das vezes, quando a gente escuta as pessoas, elas se sentem melhor do que tomando remédio.”

Nazaré MST em MG. Foto: Alí Nacif

Essa prática também preserva conhecimentos ancestrais sobre o uso das plantas medicinais. Hortelã, alecrim, alfavaca, poejo e erva-doce fazem parte das ervas utilizadas no preparo de chás, xaropes e águas saborizadas. Além de integrarem a cultura dos povos do campo, essas plantas representam uma relação histórica entre a natureza e o cuidado com a vida.

A hortelã é utilizada em chás e xaropes para aliviar sintomas de gripe e também integra as águas saborizadas consumidas diariamente. O alecrim é conhecido por seu uso tradicional em preparos que promovem bem-estar. A alfavaca também é utilizada em chás, enquanto o poejo e a erva-doce seguem presentes nas receitas populares voltadas para crianças e adultos.

Foto: Gael

Para fortalecer esse trabalho, o setor de Saúde já organiza a implantação de uma horta medicinal. O espaço reunirá diferentes espécies de plantas utilizadas no cuidado diário das famílias, garantindo que esse conhecimento permaneça vivo dentro do território e seja compartilhado entre as novas gerações.

A integrante do setor de Saúde, Maria de Fátima destaca que o objetivo é ampliar cada vez mais o uso das práticas naturais no cotidiano da comunidade.

“Eu creio que a saúde tinha que ser mais natural, feita com ervas. Nós vamos fazer a horta da saúde.”

Maria de Fátima do MST em MG. Foto: Alí Nacif

Enquanto a horta é estruturada, as atividades do setor já oferecem práticas de acolhimento durante as ações do movimento. As águas saborizadas são preparadas com combinações de frutas, legumes e ervas, como laranja e manjericão, abacaxi com hortelã, limão com pepino e alecrim e maçã com hortelã. Além da hidratação, esses preparados integram uma prática de promoção da saúde baseada na alimentação, nas plantas medicinais e no conhecimento popular.

No MST, falar de saúde no campo também é falar de soberania, de Reforma Agrária Popular e do direito das famílias de produzir alimentos, preservar os saberes populares e construir formas coletivas de cuidar da vida. A saúde deixa de ser compreendida apenas como ausência de doença e passa a fazer parte da organização do território, fortalecendo a autonomia das comunidades e a defesa da vida.

Foto: Alí Nacif

Mais do que preservar receitas e conhecimentos populares, o trabalho desenvolvido pelo setor de Saúde reafirma que a Reforma Agrária Popular também cultiva a vida. Cada erva plantada, cada chá preparado e cada momento de escuta fortalecem uma prática construída coletivamente, onde o cuidado nasce da solidariedade, da organização e da relação permanente com a terra. É um conhecimento que resiste ao tempo, atravessa gerações e continua sendo transmitido entre quem acredita que a saúde também floresce no território.

Em Minas Gerais, as experiências desenvolvidas nos acampamentos e assentamentos mostram que cuidar da saúde no campo é fortalecer a autonomia das famílias Sem Terra, valorizar a ancestralidade e reconhecer a natureza como aliada na defesa da vida. Entre hortas medicinais, águas saborizadas, plantas cultivadas e mãos que acolhem, o MST reafirma que a Reforma Agrária Popular produz muito mais do que alimento. Produz saúde, autonomia, solidariedade, esperança e um futuro construído coletivamente.

*Editado por Solange Engelmann

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