Notícias

Segunda Greve Geral contra o Pacote Laboral em Portugal

GREVE. Trabalhadores tomaram as ruas da capital Lisboa. Foto: ATS

Trabalhadores de Portugal realizaram uma grande greve geral contra o Pacote Laboral, paralisando setores essenciais de Norte a Sul do país.

Kaike Alves | Porto (Portugal)


INTERNACIONAL – No dia 03 de junho, trabalhadoras e trabalhadores de Portugal realizaram uma grande greve geral nacional organizada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) em resposta ao maior ataque à classe trabalhadora nos últimos dez anos. O pacote de alterações às leis laborais, semelhante à Reforma Trabalhista do inimigo do povo Michel Temer no Brasil, em 2017, foi apresentado pelo governo de direita do Partido Social-Democrata (PSD) no ano passado, contendo mais de 100 alterações laborais que precarizam ainda mais as condições de trabalho, atacam o direito à greve e desestimula a sindicalização, além de piorar as condições de vida da classe trabalhadora.

A primeira greve geral depois do anúncio do Pacote Laboral aconteceu no dia 11 de dezembro de 2025 e mobilizou, em média, três milhões de trabalhadores. Já a segunda greve teve uma adesão ainda maior, fruto da indignação e revolta dos trabalhadores que cresce cada vez mais como consequência do acirramento da luta de classes e o definhamento do capitalismo.

A greve teve grande impacto em todos os setores, garantindo paralisação em setores específicos de empresas privadas e grandes conglomerados, como a multinacional Sonae. Empresas de telecomunicações, supermercados, correios e os aeroportos também foram impactadas, porém, a maior parte da adesão aconteceu nos setores públicos, em especial nas escolas, que tiveram os serviços paralisados de Norte a Sul do país.

O setor de transporte também teve grande impacto. Em Lisboa, foram completamente encerrados e no Porto houve 90% de paralisação. O setor da saúde funcionou com serviços mínimos em todas as regiões do país e contou com 80% dos médicos e as empresas de coleta de lixo pararam por completo.

O primeiro-ministro Luís Montenegro, na tentativa de diminuir a luta dos trabalhadores, alegou que “a maioria dos trabalhadores estava a trabalhar”, mas a própria ministra do Trabalho teve que admitir que a paralisação do setor público teve grande impacto no país inteiro. O prefeito de Lisboa, Carlos Moedas, também fez uma tentativa de diminuir os impactos da greve, mantendo uma reunião com os eletricistas do município. Tentativa frustrada, pois nenhum deles compareceu à reunião.

Apesar da demonstração de força dos trabalhadores, existem críticas que têm sido feitas pelos movimentos e organizações que contribuíram para o ato. A primeira delas é a escolha das datas, que têm sido marcadas sempre antes de feriados prolongados, causando uma falsa adesão à greve por conta das viagens de parte da população. No dia 03, também ocorreria um exame nacional de português, que não foi adiado pelo Estado, que agora culpabiliza os sindicatos. 

A militância da Unidade Popular (UP) esteve presente nas manifestações que aconteceram em Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Vila Real, fazendo um trabalho sistemático de agitação e denúncias dos impactos nas condições de vida dos trabalhadores. Conversamos com os trabalhadores e denunciamos o Pacote Laboral, apontando para a necessidade de construirmos cada vez mais greves gerais para derrubar esse pacote e transformar a luta econômica numa luta política pela construção de uma sociedade socialista, pensada pelos trabalhadores e para os trabalhadores com a necessidade de superar o capitalismo.

Continuaremos nas ruas pela derrubada dos retrocessos: as novas leis de nacionalidade, as leis contra a comunidade LGBTI+, a reforma trabalhista, a precarização das instituições públicas e o avanço das guerras imperialistas. Nosso compromisso sempre será com a classe trabalhadora e a construção do socialismo.

Matéria publicada na edição impressa nº 336 do jornal A Verdade